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O lado insensível (e não tão incomum) do esporte

Publicado  quinta-feira, 6 de janeiro de 2022


Na maioria das vezes, o esporte nos emociona e nos remete ao lado positivo da vida. Contudo, esquecemos que é uma criação humana e, como tal, é imperfeita e tem seu lado insensível, principalmente quando se mistura com outros aspectos sociais, como negócios financeiros, ganância de vitória, ignorância ideológica e perdão a quem faz mal.


Nesta última quarta-feira (5), quatro exemplos, em diferentes esferas, trouxeram à tona esse tal lado insensível do esporte. É difícil até mesmo elencar uma que seria mais branda que outras.

Insensível à história

O primeiro caso é a típica situação do dinheiro passando por cima de tudo e destruindo com a imagem do herói. Refiro-me ao "novo" Cruzeiro. Ronaldo e o restante da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) que passaram a comandar a instituição mostraram o quão ruim pode deixar de ser um clube para virar uma empresa. Além de jogadores que mal chegaram já ser demitidos pela alta folha salarial não condizente com a série B, outra vítima foi o ídolo máximo Fábio. O goleiro, que defendeu o time mineiro por 17 anos e conquistou 13 títulos, foi descartado como uma engrenagem antiga e enferrujada, mesmo aceitando redução no que teria a receber. Ele tinha como objetivo duas metas antes do fim de sua carreira: ajudar o time a retornar à elite do futebol brasileiro e ultrapassar a marca de 1000 jogos defendendo o mesmo escudo. (Apenas Pelé, Roberto Dinamite e Rogério Ceni alcançaram tal feito). Fábio tem 976 partidas, faltava 24. Tudo o que um goleiro desse calibre passou nesses últimos anos merecia um final mais digno e honroso. Mas as SAFs estão entrando pelas cifras, não pelas histórias.

Insensível a quem está começando

O segundo caso aconteceu em um despretensioso jogo de segunda rodada da Copinha. É a situação de alguém que acha que iria reinventar a roda e se tornar um gênio, visando um resultado improvável. A partida era entre Atlético-MG e Andirá-AC. O Galo era muito favorito por sua estrutura. Ninguém imagina que um time com tão pouca expressão fosse fazer frente. Entretanto, o goleiro Tomate estava roubando a cena, com grandes defesas estava segurando o zero no placar, candidato a herói do empate. Teria ele a chance de ouro quando o juiz marcou pênalti para os atleticanos no meio do segundo tempo. Mas o treinador Kinho Brito resolveu trocar o arqueiro, pensando que surpreenderia o adversário e colocou o reserva Carlos no lugar de Tomate. Carlos não defendeu, Galo venceu por 1 a 0 e Tomate saiu inconsolável para o banco. Apesar de ter direito de fazer o que fez, o técnico não poderia ter dado oportunidade para Carlos na última rodada, com o time já eliminado? Se tem um lado bom, Tomate vem ganhando cada vez mais fãs em redes sociais, Richarlison, da seleção, lhe mandou mensagem de apoio e ele foi convidado para um período de testes no Atlético-MG.

Insensível à vida

O terceiro caso é quase inexplicável. Não dá para um atleta, uma pessoa que ocupa um cargo de liderança ser tão ignorante a ponto de passar vergonha mundial. Estou falando de Novak Djokovic. O tenista sérvio, número 1 do mundo, ganhador de 20 Grande Slams, foi barrado e não disputará o Australian Open. E tudo porque é um negacionista da pandemia e não quer tomar vacina contra a Covid! Não dá para acreditar na falta de respeito, empatia e noção que este atleta tem. Como é possível que um jogador, que inclusive usa a ciência a seu favor na câmara de gravidade aumentada para correr com mais esforço, adote uma posição contrária à vacinação que tem salvado inúmeras vidas ao redor do mundo? Que tipo de exemplo ele quer passar para as novas gerações, que vêm o destronando com alguma frequência? O quanto ele está disposto a perder, tanto em oportunidades de ter mais títulos que outros tenistas como em dinheiro de patrocinadores até "tomar consciência" de suas atitudes?

Insensível à instituição

Por fim, o perdão a quem não merece ser perdoado. Estou falando da relação Grêmio - Douglas Costa. Bom, a meu ver, um jogador que não sentiu a dor de um rebaixamento, fez festa no dia que o time caiu, que arranjou confusão com torcedores se dizendo mais gremista, que remarca a festa do casamento para o meio da pré-temporada e foi buscar negociações com outras equipes não merece vestir a camisa do Tricolor Imortal. Todavia, o presidente insiste em dizer que o cidadão irá defender as cores do Grêmio em 2022. O maior patrimônio de um time é sua torcida, porém, nesse caso, danem-se aqueles que pagaram ingresso e choraram na última rodada do Brasileirão. Depois não entendem porque chegaram nesta situação de chacota do rival Colorado.

Tóquio 2020 - Dia 08: A deliciosa conquista vinda do inesperado

Publicado  sábado, 31 de julho de 2021


Laura Pigossi e Luisa Stefani conquistam o bronze no Tênis de duplas feminino da forma mais inesperada e fantástica possível. Entram para a história como as primeiras medalhistas do país na modalidade que já teve Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e Marcelo Melo e Bruno Soares como postulantes a essa conquista.


Como se não bastasse a inédita medalha, a história antes do torneio faz a conquista ficar ainda mais saborosa. Isso porque a dupla só entrou devido a várias desistências de outros países. Laura sequer sabia que estava inscrita poucos dias antes de começar o torneio. Ou seja, completamente fora de qualquer prognóstico. Nas últimas edições de Jogos Olímpicos, o Brasil vem trazendo essas surpresas: Thiago Braz, no Rio-2016; Thiago Pereira e Yane Marques, em Londres-2012; o time do 4x100 do atletismo, em Pequim-2008; o time de futebol feminino, em Atenas-2004...


Hoje, Pigossi e Stefani venceram a dupla russa Elena Vesnina (era a atual campeã com outra parceira) e Veronika Kudermetova por 2 sets a 1 (4/6, 6/4 e 11/9), de virada, tendo que salvar quatro match points no super tie-brake. Saíram da parcial final de 5/9 e fizeram seis pontos seguidos para alcançar o bronze.

A própria campanha de Laura e Luisa não apontava para uma longevidade na competição. Estrearam com um 2 sets a 0 apertado contra a dupla canadense. Tiveram que virar a partida na segunda rodada, contra as checas das mais fortes do torneio. Novamente, começaram perdendo para as americanas, nas quartas, e foram buscar o triunfo no set de desempate. Jogaram mal na semi e perderam de 2 sets a 0 para as suíças. Então não era provável que o moral estivesse dos melhores.


Começaram a partida decisiva sofrendo uma quebra e perdendo por 3/0. Foram buscar o 4/4, mas não resistiram no final da primeira parcial. A chave virou logo com a quebra favorável no primeiro game do segundo set. Sustentaram a diferença e mantiveram-se sempre a frente na parcial. Incomodaram bastante as russas nas devoluções de saques e apresentaram grande volume de jogo e variedade dos golpes nas trocas de bolas mais longas. No desempate, não se desesperaram com 1/5 ou 2/7 contra. Com o 10/9, trabalharam o ponto, tiveram paciência e frieza, e venceram com uma devolução para fora das adversárias.


Pode ser que outros brasileiros conquistem medalhas inesperadas em Tóquio, mas tão improvável quanto esta, vai ser difícil de encontrar.

Resumo do dia


O Atletismo teve um dia histórico mesmo com apenas três provas distribuindo medalhas. Sem dúvida, o ponto alto foi a final dos 100m rasos feminino, com direito a projeções e iluminação especial na pista. O pódio foi totalmente jamaicano, mostrando que a ilha continua produzindo os melhores velocistas do mundo. Elaine Thompson foi bicampeã da prova, com direito a quebra do recorde olímpico com o tempo de 10s61. Shelly-Ann Fraser-Pryce ficou com a prata e Shericka Jackson fechou o pódio.

Além disso, houve a milésima prova olímpica da modalidade na história, o lançamento de disco masculino. A honra de ser o campeão 1000 coube ao favorito Daniel Stahl. O sueco fez um lançamento a 68,90m de distância, marca que lhe deu uma folga de mais de 1,5m para o melhor de seus concorrentes. Seu compatriota Simon Pettersson ficou com a prata e o austríaco Lukas Weisshaidinger ficou com o bronze.

Também houve a estreia da prova de revezamento 4x400m misto. O primeiro time campeão e que estabeleceu o primeiro recorde olímpico foi a Polônia, com o tempo de 3min09s87. A Rep. Dominicana chegou com um centésimo de vantagem para os Estados Unidos e ficou com a prata.

Medalhas em outras modalidades:

  • > Badminton duplas masc. - (TPE > CHN > MAL);
  • > No Boxe não há disputa de bronze, houve duas semifinais no peso pena fem. JAP e FIL ganharam e seguem para a disputa do ouro. GBR e ITA perderam e ganharam bronze;
  • > Esgrima sabre por equipes fem. - (RUS > FRA > KOR);
  • > Ginástica de Trampolim masc. - (BIE > CHN > NZL);
  • > Judô equipes mistas - (FRA > JAP > ISR/ALE);
  • > Levantamento de Peso até 81 kg masc. - (CHN* > DOM > ITA) // até 96 kg masc. - (QAT* > VEN > GEO);
  • > Natação 100m borboleta masc. - (EUA** > HUN > SUI) // 200m costas fem. - (AUS > CAN > AUS) // 800m livre fem. - (EUA > AUS > ITA) // Rev. 4x100m medley misto - (GBR** > CHN > AUS);
  • > Rugby de 7 fem. - (NZL > FRA > FIJ);
  • > Tênis individual fem. - (SUI > CZE > UCR) // disputa de bronze individual masc. (ESP) // bronze duplas mistas por WO (AUS);
  • > Tiro Esportivo trap equipes mistas - (ESP > SMN > EUA) // carabina 3 pos. 50m fem. - (SUI* > RUS > RUS);
  • > Tiro com Arco individual masc. - (TUR > ITA > JAP);
  • > Triatlo rev. misto - (GBR* > EUA > FRA) e;
  • > Vela RS:X fem. - (CHN > FRA > GBR) // RS:X masc. - (HOL > FRA > CHN).
*Estabeleceram novos recordes olímpicos // **Estabeleceram novos recordes mundiais

[Nota lamentável: Novak Djokovic perdeu a cabeça durante a disputa do bronze no Tênis individual. Depois de perder um ponto, jogou a raquete nas arquibancadas vazias. Um pouco mais à frente, arremessou outra raquete contra o mastro de sustentação da rede, amassou o equipamento e assustou um pegador de bolas que estava perto. Por fim, desistiu de jogar a decisão de bronze de duplas mistas, alegando dores nas costas e abandonando sua parceira Nina Stojanovic. Uma completa falta de espírito olímpico.]

Brasileiros

>13 atletas estiveram em ação no Atletismo: Izabela Rodrigues classificou para a final do lançamento de disco, Thiago Braz está na final do salto com vara e Paulo André avançou para as semifinais dos 100m rasos.

>Wanderson de Oliveira venceu no Boxe peso leve e segue para as quartas-de-final.

>O Futebol masc. segue na busca do bicampeonato olímpico. Venceu o Egito por 1 a 0 e vai enfrentar o México em uma das semifinais.

>As meninas do Handebol perderam para a Suécia por 34 a 31. Assim, o confronto na última rodada do grupo B, contra a França, decide a última classificada para as quartas. Brasil tem vantagem do empate.

>Depois de três etapas do Hipismo concurso completo de equitação, a equipe está em 11º e os cavaleiros individualmente estão em 21º, 43º e 44º.

>A equipe mista de Judô perdeu nas quartas e na repescagem pelo mesmo placar (4 a 2), respectivamente, para Holanda e Israel.

>Bruno Fratus fez 21s60 e está na final dos 50m livre na Natação.

>No Rugby de 7 fem., as Yaras venceram o Japão por 21 a 12, na disputa da 11ª colocação.

>Marcus D'Almeida perdeu nas oitavas do Tiro com Arco.

>Na Vela: Patrícia Freitas ficou em 10º na regata da medalha do RS:X fem. // 49er FX (doze regatas) - 2ª // Finn (oito regatas) - 14º // Nacra 17 (nove regatas) // 9º // 49er (doze regatas) - 16º.

>O time de Vôlei fem. venceu a quarta seguida, contra a Sérvia por 3 sets a 1. Está classificada para as quartas e deve avançar como primeira do grupo depois do embate contra o Quênia.

>A dupla Rebecca/Ana Patrícia perdeu para os EUA no Vôlei de Praia, 2 set a 1. Mesmo assim, está nas oitavas, como uma das melhores terceiras colocadas dos grupos.

Tóquio 2020 - Dia 07: Decepções são decepções em qualquer lugar do mundo

Publicado  sexta-feira, 30 de julho de 2021


Se há uma quebra de expectativa do público brasileiro com a derrota do Futebol feminino, outros atletas ou times, considerados muito mais favoritos em suas modalidades, não corresponderam ao histórico que carregavam. Simone Biles já tinha sido uma decepção nos últimos dias. Hoje, Teddy Riner, no Judô, Novak Djokovic, no Tênis, e Mariana Pajon, no Ciclismo BMX, deixaram o ouro escapar.

Um dos piores aspectos do esporte, tanto para quem está praticando, quanto para quem assiste com os olhos de torcedor é o momento da derrota. Claro que é doloroso e ninguém gosta de ser taxado como perdedor. Mas assim funciona a dinâmica dos Jogos Olímpicos. São pouco mais de 300 eventos distribuindo três ou quatro medalhas e mais de 11 mil atletas.

Quem não acompanha o Futebol feminino internacional com a mesma frequência que assiste o cenário do masculino, pode ter se iludido em acreditar que Marta mais dez seria o suficiente para brigar pelo ouro, ou pelo menos, uma medalha. O choque de realidade veio com a eliminação, nos pênaltis, para o Canadá, depois do 0 a 0. Quero deixar claro que não estou apontando culpadas, muito menos dizendo que foram um fracasso. Acredito que o time fez o máximo que lhe é cabível dentro das restritas possibilidades. Há, pelo menos, quatro seleções mais bem preparadas tecnicamente e com jogadoras melhores: Estados Unidos, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha. Não à toa que duas delas estão nas semi-finais. Só não estão as quatro, porque quis o chaveamento que as holandesas já cruzasse com as americanas nessa fase anterior, então uma favorita fatalmente cairia fora de forma precoce e porque a real decepção é britânica perante a competente Austrália.

A meu ver, o Brasil decepcionou muito mais com o Judô neste último dia de competições individuais. No feminino, a fatalidade em lesionar o ligamento do joelho de Maria Suellen Altheman na luta contra a francesa, impossibilitou-a de continuar buscando uma medalha. E Rafael "Baby" Silva parecia uma montanha de 180 kg completamente cansada já ao subir no tatami. Para quem vinha de dois bronzes, era de se esperar uma garra maior. Não ser eliminado do ouro por falta de combatividade.


Certamente outras nações também alimentaram esperanças com outros atletas e amargaram decepções durante esta sexta-feira. Aproveitando que o assunto está no Judô, os franceses devem ter uma ponta de frustração com o multi-campeão mundial e bi-olímpico Teddy Riner. Apontado com favorito ao tri inédito, perdeu para o russo ainda nas quartas. Teve que "contentar-se" com o bronze, depois de passar pelo brasileiro e o japonês, na repescagem.


Mais do que ninguém, o sérvio Novak Djokovic era o grande nome do Tênis em Tóquio. Sem nomes como Federer e Nadal, o caminho até o ouro parecia certo. Poderia, inclusive, igualar o feito de Steffi Graf como únicos tenistas a conquistar o Golden Slam na mesma temporada. Mas o jovem Alexander Zverev, que não é mais uma surpresa no circuito mundial, limou esse sonho, virando a partida da semifinal. O alemão perdera o primeiro set por 6/1, mas deu outro ritmo à partida e encaixou vitória nas duas parciais seguintes com 6/3 e 6/1. Djokovic também perdeu ao lado de sua parceira Stojanovic e disputará dois bronzes.


Eu coloco no contexto de decepções a colombiana Mariana Pajon. Não ter conquistado seu terceiro ouro no Ciclismo BMX corrida é muito mais decepcionante pelo fato de ter perdido para uma estreante do que propriamente ter ficado com a prata. Até porque, mesmo sendo um país referência no ciclismo atualmente, é preciso sempre ressaltar o contexto que o país está inserido, diferentemente da britânica e da holandesa que completaram o pódio. Mesmo com todos os aplausos que seu povo lhe propicia, ela mesmo deve olhar a prova com menos brilho do que sabe que poderia ter desenvolvido nas pistas.

Resumo do dia

Começaram as competições de Atletismo, então haverá, nos próximos dias que ainda têm Natação em paralelo, um número grande de medalhas distribuídas. Vamos a elas:

  • > Atletismo 10000m masc. - (ETI > UGA > UGA);
  • > Badminton duplas mistas - (CHN > CHN > JAP);
  • > Canoagem Slalom K-1 masc. - (CZE > SVK > ALE);
  • > Ciclismo BMX corrida fem. - (GBR > COL > HOL) // corrida masc. - (HOL > GBR > COL);
  • > Esgrima espada por equipes masc. - (JAP > RUS > KOR);
  • > Ginástica de Trampolim fem. - (CHN > CHN > GBR);
  • > Judô acima de 78 kg fem. - (JAP > CUB > FRA/AZB) // acima de 100 kg masc. - (CZE > GEO > RUS/FRA);
  • > Natação 200m peito fem. - (AFS** > EUA > EUA) // 200m costas masc. - (RUS* > EUA > GBR) // 100m livre fem. - (AUS* > HKG > AUS) // 200m medley masc. - (CHN > GRB > SUI);
  • > Remo skiff simples fem. - (NZL > RUS > AUT) // skiff simples masc. - (GRE > NOR > CRO) // oito com fem. - (CAN > NLZ > CHN) // oito com masc. - (NLZ > ALE > GBR);
  • > Tiro Esportivo pistola 25m fem. - (RUS* > KOR > CHN);
  • > Tiro com Arco individual fem. - (KOR  > RUS > ITA);
  • > Tênis duplas masc. - (CRO > CRO > AUS) e;
  • > Tênis de Mesa individual masc. - (CNH > CNH > ALE).
*Estipularam novos recordes olímpicos // **Estipulou novo recorde mundial

Brasileiros

>No Atletismo, nove atletas mais o rev. 4x400m misto competiram em eliminatórias ou classificatórias. Deles, apenas Alison Santos classificou para a semifinal dos 400m com barreiras.

>Keno Machado não conseguiu superar o britânico no Boxe peso meio-pesado, sendo eliminado nas quartas. Por outro lado, Beatriz Ferreira passou das oitavas na categoria peso leve. E a melhor notícia foi que Abner Teixeira já garantiu ao menos o bronze ao avançar para a semifinal do peso pesado.

>Pedro (Pepe) Gonçalves não foi tão bem da semifinal da Canoagem Slalom K-1, 19º tempo, e não seguiu na briga por medalhas.

>Mesmo destino teve Renato Rezende no Ciclismo BMX. Ficou em penúltimo de sua bateria na semifinal.

>O Brasil venceu a primeira no Handebol masc. 25 a 23 na Argentina. Possui remotas chances de classificação.

>Começou a participação no Concurso Completo de Equitação do Hipismo, com duas primeiras rodadas no individual e por equipes.

>Das quatro participações do país nas provas de Natação, apenas Bruno Fratus seguiu para a semifinal. Fez 21s67 e avançou nos 50m livre.

>Lucas Verthein terminou em último na final B do Remo skiff simples. Isso lhe dá a 12ª posição geral.

>As Yaras do Rugby de 7 perderam a última partida de grupo e a eliminatória para decidir entre 9º e 12º. Termina sua participação contra as japonesas amanhã.

>Nos Saltos Ornamentais trampolim 3m, Luana Lira ficou em 21º na rodada preliminar, três colocações abaixo do limite para avançar.

>A Vela teve cinco classes com brasileiros navegando: Laser (dez regatas) - 6º // 49er FX (nove regatas) - 3ª // 470 fem. (seis regatas) - 6ª // 49er (nove regatas) - 16º // 470 masc. (seis regatas) - 14º.

>Brasil se recuperou da derrota da rodada anterior no Vôlei masculino. Fez 3 sets a 1 nos Estados Unidos e tem chance de classificar em primeiro ou segundo de seu grupo.

>Evandro e Bruno Schmidt viraram para cima da dupla polonesa no Vôlei de Praia e classificaram em primeiro de seu grupo para as oitavas. Com isso, haverá um confronto entre as duas duplas brasileiras, caso avancem para as quartas.

Tóquio 2020 - Dia 06: Mulher brasileira, sinônimo de força, habilidade, competência

Publicado  quinta-feira, 29 de julho de 2021


Rebeca Andrade e Mayra Aguiar conquistam duas medalhas para o Brasil, na Ginástica Artística e no Judô. Representam a realização do esforço e reconhecimento que tantas outras mulheres buscam e merecem, dentro de um país que está há anos-luz de dizer que promove igualdade de gênero nas oportunidades da vida. Mais um passo dado na luta que não pode parar.

Uma nação forte passa, necessariamente, pelas mãos e pés de mulheres fortes que essa nação comporta. Assim é quando ocorre guerras, questões sanitárias ou conquistas esportivas. Hoje o Brasil acordou mais forte por causa de muitas mulheres que estão batalhando e se expondo, longe de suas famílias e amigos, do outro lado do mundo, para honrar a bandeira verde e amarela. As conquistas foram individuais, mas representam outras tantas atletas de esportes coletivos, técnicas, profissionais da delegação, jornalistas na cobertura e as mais de 100 milhões de brasileiras que continuam a batalha por aqui.

Foto: Julio Cesar Guimarães/COB

O bronze no judô com a gaúcha Mayra Aguiar, na categoria até 78 kg, veio com uma campanha que oscilou da vitória fácil na primeira rodada contra a israelense, passou pela derrota doída nas quarta para a alemã e pela recuperação mental para seguir com seu objetivo. Mostrou força contra uma escola dura como a russa e terminou com um sorriso depois de imobilizar a sul-coreana e aplicá-la ippon. É simplesmente a única brasileira a subir no pódio olímpico, em um esporte individual, por três Olimpíadas seguidas (Londres-2012, Rio-2016 e Tóquio-2020).

Foto: Jonne Roriz/COB

A prata da guarulhense Rebeca Andrade, na Ginástica Artística individual geral, tem uma representatividade igualmente importante, porque diz de uma negra que venceu na vida, que superou cirurgias de ligamento cruzado do joelho, falta de estrutura e se colocou entre uma americana e uma russa, duas potências do esporte, para dizer que é a segunda melhor do mundo. Fez apresentações impecáveis no salto, nas barras paralelas e na temível trave, com uma nota revisada para cima. Se não cometesse erros no solo, tinha chances reais do ouro. Pode ter sido um pouco de nervosismo ou ansiedade, mas vem para lhe fortalecer para as finais por aparelho que ainda vai disputar. E é uma medalha inédita, que Daiane dos Santos e outras que vieram antes trilharam esse caminho, mas não foram congratuladas em Jogos Olímpicos.

Hoje não faltaram histórias de mulheres brasileiras fantásticas. O vôlei feminino somou sua terceira vitória em três partidas e segue firme para classificação no grupo. A vítima da vez foi o Japão que perdeu por 3 sets a 0. Mas a vitória não veio sem um momento traumático. Durante o terceiro set, a levantadora Macris virou o tornozelo e saiu chorando de quadra. Fica ainda a torcida para que possa voltar nas fases decisivas e continuar ajudando o time.

Foto: Wander Roberto/COB

Ana Sátila fez o segundo melhor tempo na Canoagem Slalom C-1 na semifinal e tornou-se a primeira brasileira a chegar entre as dez melhores. Infelizmente, não passou em um dos portões na final e teve 50 segundos acrescidos a seu tempo, terminando na décima colocação. A bicampeã mundial terá mais três anos para ser mais uma mulher a reescrever sua trajetória em Jogos Olímpicos.

Assim como Priscilla Stevaux Carnaval, que não avançou no Ciclismo BMX corrida, ou Grazielli de Jesus, que não passou das oitavas no Boxe peso mosca. Ou ainda Ane Marcelle dos Santos, que venceu a primeira no Tiro com Arco e perdeu a segunda.

A inspiração pode vir de Laura Pigossi e Luisa Stefani, que perderam hoje na semifinal do Tênis duplas, mas ainda disputarão o bronze. Ou do Handebol, que perdeu hoje para a Espanha por 27 a 23, mas ainda tem chance precisando de uma vitória contra França ou Suécia nos dois últimos jogos do grupo. Ou de Ágatha e Duda, que se recuperaram e venceram a segunda no Vôlei de Praia e classificaram-se para as oitavas. Ainda podem olhar para as Yaras do Rugby de 7, que mesmo perdendo os dois primeiros jogos, são motivo de orgulho só de estarem lá representando um continente inteiro.

Resumo do dia

Vamos direto às medalhas:

  • > Canoagem Slalom C-1 fem. - (AUS > GBR > ALE);
  • > Esgrima Florete por equipes fem. - (RUS > FRA > ITA);
  • > Judô até 78 kg fem. - (JAP > FRA > BRA/ALE) // até 100 kg masc. - (JAP > KOR > RUS/POR);
  • > Natação 800m livre masc. - (EUA > ITA > UCR) // 200m peito masc. - (AUS* > HOL > FIN) // 200m borboleta fem. - (CHN* > EUA > EUA) // 100m livre masc. (EUA* > AUS > RUS) // RE. 4x200m livre fem. - (CHN** > EUA > AUS);
  • > Remo dois sem masc. - (CRO > ROM > DIN) // dois sem fem. - (NZL > RUS > CAN) // skiff duplo leve masc. - (IRL > ALE > ITA) // skiff duplo leve fem. - (ITA > FRA > HOL);
  • > Tiro Esportivo trap fem. - (SVK* > EUA > SMR) // trap masc. - (CZE* > CZE > GBR) e;
  • > Tênis de Mesa individual fem. - (CHN > CHN > JAP).
*Estabeleceram novos recordes olímpicos // **Estabeleceu novo recorde mundial

Brasileiros

>Pelo Ciclismo BMX prova de corrida, Renato Rezende ficou em terceiro no somatório de sua bateria e classificou-se para a semifinal.

>Na única participação em finais da Natação de hoje, Guilherme Costa ficou com o oitavo tempo dos 800m livre. Nas eliminatórias, participações brasileiras em três provas, mas nenhuma avançou para as fases decisivas.

>Verthein Ferreira fez o quinto tempo na semifinal do Remo skiff simples e não classificou-se para a final da prova. É o melhor desempenho de um brasileiro na prova. Ainda vai disputar a final B, que define de 7º a 12º lugares.

>Hebert Conceição venceu por decisão dividida no Boxe peso médio e avançou para as quartas.

>Rafael Buzacarini perdeu na primeira luta do Judô até 100 kg e não pôde ir até a repescagem.

>Também no Vôlei de Praia, a dupla Alison/Álvaro Filho venceram os holandeses por 2 sets a 0 e vão para as oitavas como melhor dupla do grupo.

>Vela: Nacra 17 (seis regatas) - 11º // 49er (seis regatas) - 16º // 470 fem. (quatro regatas) - 5ª // Laser (oito regatas) - 4º // RS:X fem. (doze regatas) - 10ª // Finn (seis regatas) - 13º // 470 masc. (quatro regatas) - 9º.

Tóquio 2020 - Dia 05: Grandes hegemonias do Hipismo e Rugby

Publicado  quarta-feira, 28 de julho de 2021


Um dia que não empolgou tanto pelo desempenho dos brasileiros, abre espaço para contar histórias de esportes pouco praticados por aqui, mas que trazem notáveis hegemonias e ajudam a compor os números do quadro de medalha. Para quem não sabe, falar em adestramento de cavalos é falar em Alemanha. E se você pensa que Rugby é só Nova Zelândia e Austrália, saiba que quem manda na modalidade olímpica masculina são as Ilhas Fiji.

Por vezes, assistimos certa equipe dominar determinada prova ou modalidade por dois, três ciclos. Muito raramente veremos uma soberania tão grande e longeva quanto a Alemanha no Hipismo prova de adestramento por equipes. Das últimas dez edições olímpicas, nove foram vencidas pelos alemães, inclusive a que foi realizada ontem, em Tóquio. Se contar desde Amsterdã-1928, quando a prova integrou o programa olímpico, e considerar Alemanha Unida, Alemanha Ocidental e Alemanha como conhecemos hoje em dia, são 14 títulos. Apenas em duas edições não esteve em algum degrau do pódio.

Muito desse desempenho recente se deve a amazona Isabell Werth, de 52 anos. Ela compete desde Barcelona-92. O time alemão nunca perdeu com ela presente, já que a última vez que não esteve no topo foi em Londres-2012, mas ela não participou dessa edição. Assim como não participou da vitória de Atenas-04. Mesmo assim, Isabell tem seis ouros por equipes, já contando a conquista de ontem. 

E se a Alemanha é a equipe a ser batida, também é uma potência no adestramento individual. Tanto que a mesma Isabell hoje ganhou sua quinta prata nesta prova, detalhe que o ouro foi para Jessica von Bredow-Werndl, sua companheira de equipe do dia anterior. A única vez que Isabell não ganhou prata no individual foi em Atlanta-96, que conquistou o ouro. Ou seja, são doze medalhas olímpicas no total, sete ouros e cinco pratas.


Uma nova hegemonia está começando a ser escrita no Rugby sevens, uma variante do tradicional, que foi inserida no Rio-2016. Entre os homens, as duas edições foram vencidas pelas pequenas Ilhas Fiji, país da Oceania que só tem essas duas medalhas em todas as poucas aparições de Olimpíadas. O arquipélago superou Grã-Bretanha, Canadá e Japão na primeira fase. Aplicou 19 a 0 na Austrália, nas quartas, passou pela Argentina, na semi (26-14), e não tomou conhecimento da Nova Zelândia na final de hoje (27-12). Os hermanos venceram a Grã-Bretanha na disputa pelo bronze (17-12).

Resumo do dia


Não dá para fazer uma menção honrosa à judoca russa Madina Taimazova. Ela justificou o "espiríto olímpico" e ganhou o bronze na categoria até 70 kg. Mas teve que passar por grandes provações. Precisou resistir 11 minutos a mais do que a luta regular contra a brasileira Maria Portela. Competiu o restante do torneio com o supercílio do olho direito completamente inchado e cheio de sangue. Sofreu um estrangulamento da japonesa na semifinal e desmaiou, depois de ter resistido mais outros intermináveis minutos de Golden Score. Mesmo assim, aplicou um waza-ari contra a croata na repescagem e subiu ao pódio.

As medalhas de hoje:

  • Basquete 3x3 fem. - (EUA > RUS > CHN) // masc. - (LET > RUS > SER);
  • Ciclismo de estrada contrarrelógio fem. - (HOL > SUI > HOL) // masc. - (SLO > HOL > AUS);
  • Esgrima sabre por equipes masc. - (KOR > ITA > HUN);
  • Ginástica Artística individual geral masc. - (JAP > CHN > RUS);
  • Judô até 70 kg fem. - (JAP > AUT > HOL/RUS) // até 90 kg masc. - (GEO > ALE > HUN/UZB);
  • Levantamento de Peso até 73 kg masc. - (CHN** > VEN > ALB);
  • Natação 200m livre fem. - (AUS* > HKG > CAN) // 200m borboleta masc. - (HUN* > JAP > ITA) // 200m medley fem. - (JAP > EUA > EUA) // 1500m livre fem. - (EUA > EUA > ALE) // Rev. 4x200m livre masc. - (GBR > ROC > AUS);
  • Remo skiff duplo fem. - (ROM > NZL > HOL) // skiff duplo masc. - (FRA > HOL > CHN) // quatro sem fem. - (AUS > HOL > IRL) // quatro sem masc. - (AUS > ROM > ITA) // skiff quádruplo fem. - (CHN > POL > AUS) // skiff quádruplo masc. - (HOL > GBR > AUS) e;
  • Saltos Ornamentais trampolim 3m sincronizado masc. - (CHN > EUA > ALE).
*Estabeleceram novos recordes olímpicos // **Estabeleceu novo recorde mundial

Brasileiros

Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Um dia marcado por poucas conquistas e todas de fase intermediárias. Mas Laura Pigossi e Luisa Stefani já marcaram seus nomes na história brasileira, com a melhor campanha do tênis feminino de duplas do país. Hoje venceram as americanas Mattek-Sands e Pegula por 2 sets a 1, de virada (1/6, 6/3 e 10/6) e estão nas semifinais do torneio. Pelas duplas mistas, a mesma Luisa jogou ao lado de Marcelo Melo. Estrearam contra Djokovic e Stojanovic com uma previsível derrota por 2 sets a 0 (6/3 e 6/4) e estão eliminados.

>Ygor Coelho conheceu sua primeira derrota na fase de grupos do torneio individual de Badminton. Já Fabiana da Silva acumula dois reveses na competição.

>Keno Machado estreou com vitória no Boxe peso meio-pesado contra o chinês e avançou para as quartas-de-final.

>Ana Sátila voltou as correntezas artificiais japonesas e avançou à semifinal da Canoagem Slalom prova de canoa C-1. O mesmo valeu para Pepe Gonçalves no caiaque K-1

>A vitória do Futebol masculino contra a Arábia Saudita por 3 a 1 deu a classificação para o time em primeiro de seu grupo. Vai enfrentar o Egito nas quartas-de-final.

>Caio Souza e Diogo Soares representaram o país na final da Ginástica Artística geral individual e terminaram em 17º e 20º, respectivamente.

>O time masculino de Handebol acumulou sua terceira derrota em três partidas. Dessa vez, 32 a 25 para a Espanha. O time está praticamente eliminado das fases finais.

>Rafael Macedo não durou 20 segundos nos tatamis do Judô até 90 kg, sofreu ippon do cazaque. Maria Portela não encontrou dificuldade na primeira luta contra a atleta do time de refugiados na categoria até 70 kg. Contudo, foi eliminada na luta seguinte, por uma decisão controversa contra a russa.

>Nas finais da Natação, Léo de Deus ficou em oitavo nos 200m borboleta. Mesma colocação do rev. 4x200m livre masc. Depois outros atletas não passaram para as finais em três provas disputadas.

>Uma agradável surpresa foram as duas vitórias de Marcus D'Almeida no Tiro com Arco individual. Agora está classificado para as oitavas-de-final.

>Por outro lado, a forma como Hugo Calderano foi derrotado nas quartas-de-final do Tênis de Mesa individual pode ser considerada a grande decepção brasileira dos Jogos até agora.

>Diversas classes na Vela em ação: o país está em 10º na 470 masc. (depois de duas regatas); 13º na Finn (quatro regatas); 12º na 49er (quatro regatas); 10º na RS:X fem. (nove regatas); 11º na Nacra 17 (três regatas); 10º na 470 fem. (duas regatas); e 5º na 49er FX (seis regatas).

>Outra decepção foi o acachapante 3 a 0 sofrido pelo Vôlei masculino contra a Rússia. São duas vitórias e uma derrota até o momento e mantem-se na zona de classificação.

>A dupla de Vôlei de Praia feminino Ana Patrícia Ramos/ Rebecca Cavalcante sofreu sua primeira derrota. Tem uma vitória da rodada anterior no grupo D e precisa vencer a última rodada para não depender de saldo para classificar.

Tóquio 2020 - Dia 01: A altitude equatorial faz a diferença no ciclismo de estrada

Publicado  sábado, 24 de julho de 2021


Finalmente as competições de Tóquio 2020 começaram para valer. No primeiro dia de distribuição de medalhas, algumas foram barbadas, mas Richard Carapaz ganhou destaque e surpreendeu os favoritos no ciclismo de estrada, dando a primeira medalha dourada para o Equador e para a América do Sul na modalidade.

Para quem não acompanha regularmente o ciclismo, Carapaz é considerado um dos atletas mais combativos e entra como um dos favoritos nas grandes voltas. Tanto que veio de uma terceira colocação no Tour de France acabado há uma semana. Contudo, o esloveno Tadej Pogacar foi impositivo nas estradas francesas. Somado a isso, havia a crescente performance do belga Wout van Aert. Assim, o equatoriano, que se orgulha de ter nascido e começado a pedalar nos Andes, não era apontado como o principal nome da prova deste sábado, mesmo com uma altimetria positiva de mais de quatro mil metros nos 234 km, um tipo de etapa que Richard se sente confortável.


Carapaz passou pelo percurso que escalou o Monte Fuji e chegou no circuito internacional usado para corridas de carro com o tempo de 6h05min26. Faltando 25 km, saiu em fuga com o americano Brandon McNulty e manteve cerca de 20 segundos de vantagem para o pelotão perseguidor. A pouco mais de seis quilômetros da linha de chegada, deu uma investida, deixou o adversário direto para trás, que acabou sucumbindo, e ganhou escapado com 1min07 de vantagem para os outros ciclistas. Van Aert superou Pogacar na linha final para assegurar a prata e o esloveno teve que se contentar com o bronze.

A história é fantástica porque é o campeão olímpico que surgiu de um povoado pequeno e humilde e teve a seu favor justamente a formação e resistência de pedalar em altitudes acima de três mil metros. Uma amostra que é possível dar a volta por cima uma semana depois de um resultado inesperado.

Resumo do dia

Zhihui Hou bateu dois recordes olímpicos e ganhou um dos três ouros da China no primeiro dia

O dia teve mais dez pódios em disputa. A China já mostrou sua foça logo de cara. Qian Yang bateu o record olímpico do Tiro Esportivo, na competição de Carabina de ar 10m feminino. E já deixou o país asiático na liderança do quadro de medalhas.

Ainda no Tiro, o brasileiro Felipe Wu, prata no Rio-2016, não avançou às finais da competição de Pistola de ar 10m masculino, terminou na 32ª colocação e encerrou a participação brasileira na modalidade. O iraniano Javad Foroughi ficou com o ouro, também superando o record olímpico da prova.

O Japão justificou ser o favoritismo no Judô. Naohisa Takato venceu no masculino até 60 kg e Funa Tonaki perdeu a final feminina até 48 kg para a atual campeã mundial Distria Krasniqi, do Kosovo. Essas duas medalhas deixam o país-sede em segundo no quadro, empatado com a Itália. O país da bota teve sua maior glória no Taekwondo masculino até 58 kg, com Vito Dell'Aquila, e a prata, com Luigi Samele, na Esgrima, modalidade sabre individual. O ouro ficou com o húngaro Áron Szilágyi.

Ao todo, 28 países subiram no pódio pelo menos uma vez no primeiro dia. Curiosamente, potências como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Alemanha, não estão entre os laureados. Em compensação, Equador, Irã, Kosovo, Tailândia tiveram seus momentos de protagonismo.

A estreia ficou por conta do Basquete 3 x 3 nos Jogos Olímpicos. Para ambos os gêneros já aconteceram duas rodadas da fase de grupos. A modalidade mostrou-se bastante dinâmica e atraente quando puder ter público no futuro. Entre as mulheres, duas vitórias para os Estados Unidos e o Comitê Olímpico Russo. Entre os homens, apenas a Sérvia manteve-se invicta. Ainda tem mais três dias nessa fase, antes dos momentos decisivos.

Brasileiros

Foto: Alexandre Castello Branco/COB

A esgrimista Nathalie Moellhausen, atual campeã mundial do evento espada, perdeu logo na primeira luta contra a italiana Rossella Flamingo e ficou fora da disputa de medalhas.

As primeiras aparições de esportes individuais, além do Tiro e da Esgrima foram no Judô, mas Eric Takabatake e Gabriela Chibana tiveram desempenhos iguais, tendo vencido suas primeiras rodadas, mas sendo eliminados na fase seguinte.

O dia começou com o time de Handebol masculino surpreendendo e fazendo jogo duro contra a Noruega. Até viraram o primeiro tempo em vantagem (13-12), mas passaram muito tempo sem balançar a rede adversária e perderem por 27 a 24 na primeira rodada do grupo A.

No Vôlei de Praia, duas vitórias sobre a Argentina. No masculino, Alison e Álvaro Filho, e no feminino, Ágatha e Duda, venceram por 2 sets a 0 os hermanos.

O Tênis feminino trouxe uma vitória da dupla Luísa Stefani e Laura Pigossi sobre a dupla canadense e avançaram para a próxima fase. Já no masculino, duas derrotas de simples e uma de duplas: Thiago Monteiro foi facilmente batido, assim como também sucumbiram a dupla de Marcelos (Melo e Demoliner). João Menezes fez uma partida memorável contra Marin Cilic, da Croácia, mais caiu depois de quase três horas e meia de batalha nas quadras japonesas.

O time de Vôlei masculino bateu a Tunísia na primeira rodada do grupo B, por 3 sets a 0 (25/22, 25/20 e 25/15).

Jéssica Yamada estreou com derrota no Tênis de Mesa individual, 4 sets a 2 para a suíça Rachel Moret.

Nathasha Rosa fez um acumulado de 173 kg no levantamento de peso, categoria até 49 kg, e ficou com o 9º lugar geral.

O time feminino de Futebol conquistou um empate importante contra a Holanda. O placar foi de 3 a 3. Somado à goleada da primeira rodada por 5 a 0 na China, deram um importante passo para tentar se classificarem em primeiro de seu grupo.

Nas primeiras eliminatórias da natação, o revezamento 4 x 100m livre feminino, ficou em sexto em sua bateria, 12º tempo geral e não avançou para a final da prova. Assim como Guilherme Costa nos 400m livre, que ficou com a 11ª melhor marca. Já nos 100m peito, Caio Pumputis ficou em 34º no geral, mas Felipe Lima trouxe a boa notícia da classificação para as semis, com o 8º tempo geral, 59s17, sua melhor marca na carreira.

Por fim, apesar da seleção masculina de Ginástica Artística não conquistar a vaga na final por equipes, levou quatro atletas às finais individuais: Arthur Zanetti, nas argolas, Caio Souza no salto e no geral, assim como Diogo Soares, no geral.

Ícones do esporte: Chris Evert

Publicado  quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Quinta coluna no Bola Parada

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No último final de semana acabou mais uma edição do US Open de tênis, o Grand Slam mais antigo dos quatro torneios mais importantes do circuito. Com o seu final, a consagração dos campeões. Pelo lado masculino, Rafael Nadal se tornou tricampeão e ratificou sua excelente fase de número 1 do mundo. Mas acredito que o resultado mais surpreendente foi pelas mulheres com a coroação de uma campeã inédita, a americana Sloane Stephens, principalmente depois de ter passado por nomes mais conhecidos como Venus Williams, na semifinal, e Dominika Cibulková, na segunda rodada, sem contar a forma avassaladora que passou, na final, pela compatriota Madison Keys. Faz pensar que um grande talento possa estar surgindo e quem sabe se perpetue como uma das maiores vencedoras da nova geração.
Chris Evert em ação nas quadras de Wimbledon
Chris Evert em ação nas quadras de Wimbledon
Isso faz revirar a história e procurar outros casos semelhantes. No tênis feminino não faltam exemplos. Escolhi falar de Christine Marie Evert Mill, a norte-americana que, ao lado de Serena Williams, é a maior vencedora do US Open da Era Aberta, com seis títulos entre 1975 e 1982, sendo que os quatro primeiros foram de forma consecutiva. Apenas duas tenistas superam-na em quadras estado-unidenses, Molla Bjurstedt, com oito troféus, e Helen Moody, com sete, ambas da Era Amadora.
Ela já tinha assombrado o mundo da bolinha amarela quando chegou pela primeira vez às semifinais do torneio juvenil com apenas 16 anos, em 1971, um ano antes de se tornar profissional. A partir daí, seu desempenho só melhorou pensando nos quatro Majors. Até que, menos de três anos depois, venceu pela primeira vez Roland Garros, torneio que deveria ser seu favorito, já que repetiu o feito em outras seis oportunidades, tornando-se a maior vitoriosa do saibro francês, de forma absoluta. De 74 a 86 sempre conquistou pelo menos um dos quatro Grand Slams, sendo dois Australian Open e três Wimbledon, além dos 13 já citados, totalizando 18 troféus. Isso a torna uma dos únicos sete atletas a obterem a Década Slam, seja entre mulheres ou homens, em simples ou duplas. Consiste em vencer qualquer um dos quatro torneios mais importantes por dez anos seguidos.
Evert foi capa da revista Newsweek de 1972
Evert foi capa da revista Newsweek de 1972
Se formos analisar seus números, a óbvia conclusão que foi uma das maiores de todos os tempos, já que até o momento de sua aposentadoria, em 1989, alcançou mais 16 finais nesses campeonatos de maior relevância. Em 1984, chegou à final de todos, mas "só" levou o Australian Open. Foi tetracampeã e tetra-vice do WTA Finals, que reúne as melhores tenistas da temporada. Ganhou nada menos que 157 torneios de simples em toda carreira, feito único. Teve 1304 vitórias e apenas 144 derrotas. Chegou ao posto de número 1 do mundo antes de completar 21 anos. Encerrou cinco temporadas seguidas no topo do ranking, repetindo o feito em mais dois anos e permaneceu no top 3 de 1972 a 1988. Como se não bastasse tudo isso, ainda esteve no degrau mais alto do pódio em 32 campeonatos de duplas e também alcançou o posto mais alto no respectivo ranking. Três dessas conquistas vieram de quatro finais chegadas em Grand Slams. A mais emblemática delas foi em 1975, no saibro parisiense, ao lado de Martina Navrátinová, sua maior amiga e maior rival dentro das quadras. No confronto direto, 43-37 para a tcheca que se naturalizou americana. Apenas ela, Tracy Austin e Steffi Graf têm mais vitórias que derrotas perante Chris Evert. Para se ter noção do tamanho desta rivalidade, tem um artigo considerável do duelo Evert-Navrátilová escrito na Wikipédia, em inglês, que pode ser lido aqui.
Chris e Martina prestes a iniciar mais um embate
Chris e Martina prestes a iniciar mais um embate
Outros feitos de Chris foi ser eleita por quatro vezes "Atleta do Ano" e "Esportista Feminina do Ano" de 1976, pela renomada revista Sports Illustrated. Em 1995 foi nomeada para fazer parte do Hall da Fama da modalidade. Há uma série de outros reconhecimentos que a tenista alcançou ainda enquanto competia ou depois de seu retiro. Mas tudo o que foi falado já dá para ter dimensão do que representou a "Dama de Gelo", apelido que ganhou por sua seriedade e concentração dentro de quadra. Dona de golpes precisos e um jogo profundo de direita, além de uma esquerda firme, jogada com as duas mãos, estilo comumente visto nos dias atuais, Chris Evert pode ser considerada uma referência do tênis moderno feminino. Hoje tem 62 anos e reside em Boca Raton, na Florida, mas seu talento reside permanentemente em todos os terrenos de quadras pelo mundo.

Coluna publicada originalmente em 13 de setembro de 2017

Tênis brasileiro: muito suor e... só!

Publicado  quinta-feira, 13 de abril de 2017

Nestas últimas semanas pudemos acompanhar de perto a quantas anda o tênis masculino brasileiro, primeiro com o Rio Open, um ATP 500 de grande importância, e depois o Brasil Open, um ATP 250 que não tem a mesma grandeza em termos de pontuação e premiação, mas seria igualmente significativo caso um brasileiro ganhasse. Quem acompanha o circuito mundial, quem vê o ranking percebe que não estamos tão bem, e isso já não é uma novidade. Faz tempo que deixamos de ter nomes competitivos nos grandes torneios. Os duplistas têm salvo a honra nacional com feitos significativos, mas ainda sim sem o devido reconhecimento.
Durante o fim de fevereiro e este começo de mês tivemos dois torneios que fazem parte da rota de preparação para Roland Garros, segundo Grand Slam do ano, único disputado em piso de saibro. A participação de brasileiros foi expressiva tanto no Rio como em São Paulo. Quatro tenistas jogaram a chave principal do torneio carioca. No segundo campeonato, que terminou esse fim de semana, seis atletas “pratas da casa” tiveram a chance de mostrar sua qualidade nas quadras do clube Pinheiros. Todos contaram com uma torcida que se fez bastante presente e barulhenta, mesmo assim, o melhor resultado foi a quarta-de-final alcançada por Thiago Monteiro, jovem cearense de 22 anos, no Jóquei Club fluminense. Por mais que tenham se esforçado ao máximo, isso me parece pouco, pensando numa perspectiva de que são os melhores do país e sua representatividade mundial. É um sinal claro de que nossa evolução nesse esporte está estagnada, ou caminhando a passos muito vagarosos. Para fazermos um comparativo, nossos hermanos argentinos trouxeram sete tenistas para os mesmos torneios. Ainda que não tenham conquistados melhores resultados que os nossos, eles podem comemorar ter nove atletas entre o Top 100, incluindo Juan Martín del Potro e Juan Mónaco, que não competiram no saibro tupiniquim.
Não acompanhei tão de perto o ATP 500 carioca, mas acompanhei in loco as disputas do torneio paulista. Na terça vi partidas de primeira rodada de quatro brasileiros, Rogério Dutra Silva (Rogerinho), João Souza (Feijão), Thiago Monteiro e Thomaz Bellucci. Dentre eles, apenas Feijão obteve êxito e seguiu para enfrentar Albert Ramos-Viñolas, espanhol cabeça-de-chave número 1 do torneio, e contra quem não conseguiu repetir o feito.
Por diferentes motivos, cada um deles foram caindo para estilos diferentes, fossem vindos da Europa ou América do Sul. Rogerinho perdeu para o italiano Alessandro Giannessi, que veio do qualifying, e foi tecnicamente superior ao paulista. Thiago Monteiro, por sua vez, não teve tanta intensidade como o argentino Carlos Berlocq, até começou melhor, mas foi superado na resistência de jogo de fundo. Thomaz Bellucci é o caso mais complexo e que acho que deveria ser estudado. Como um atleta consegue ganhar na semana anterior de um Top 10, como o japonês Kei Nishikori num ótimo 2 sets a 0 e sofrer um avassalador 6-2/6-0 na estreia contra o argentino Diego Schwartzman, número 44 do mundo? Foi o pior jogo do torneio, o mais fraco. Desde o início da partida, o público já tinha a impressão que não precisaria gastar forças torcendo, o número 1 do Brasil parecia jogar sem vontade, como se estivesse sido obrigado a estar presente. Não consigo entender, por mais que não canse de acreditar em seu potencial, de quem já chegou a ser 21º do mundo, mas que não tem cabeça para aguentar a intensidade de uma semana de jogos.
Obviamente são casos específicos, pequenas amostras, mas que trazem um parâmetro de como estamos longe de sermos competitivos mundo a fora. Vivemos de challengers e convites para torneios maiores. A grande esperança para um futuro melhor é o Thiago Monteiro, que tem muito potencial para desenvolver, com apenas 22 anos já está entre os 80 melhores e crescendo, já está equivalente a Thomaz Bellucci, que tem sete anos a mais de experiência no circuito mundial.
Por incrível que possa parecer, somos um país que vamos melhor nas duplas. Bruno Soares e Marcelo Melo são os grandes expoentes dessa categoria. Bruno joga com o britânico Jamie Murray e, apesar de não terem ido bem no Rio, estão entre as principais duplas mundiais. Marcelo Melo tem como principal parceiro o croata Ivan Dodig e também está entre os dez melhores duplistas.
Na capital paulista, André Sá e Rogerinho salvaram essa quinzena com o título em cima de outra dupla que tinha brasileiro envolvido, Marcelo Demoliner, que fez parceria com o neozelandês Marcus Daniell. Pude acompanhar mais essas duplas no sábado, durante as semifinais. Por mais que tenham ido bem, não dá para pensar em grandes resultados em torneios maiores. Nem mesmo daqueles considerados melhores. Quando havia a expectativa de Bruno Soares e Marcelo Melo conquistarem uma inédita medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, tudo foi por água abaixo com uma derrota nas quartas-de-final, contra uma dupla romena, que levaria a prata.
O acumulo de fracassos se estende à Copa Davis. Enquanto vemos nossos vizinhos conquistando a principal competição por países, nós continuamos tentando acesso ao grupo principal, jogando contra Equador, Chile, Colômbia, países inexpressivos. É mais um dos casos de esportes que tivemos um ícone e não aproveitamos para criar outras gerações vencedoras. Infelizmente continuamos aguardando um novo Guga ou, no feminino, Maria Esther Bueno para torcer para a modalidade se fortalecer dentro do país.
Para completar, a cereja do bolo veio hoje, com o ex-presidente da CBT, Jorge Lacerda, deixando o cargo após 13 anos de mandato. Há acusações contra o dirigente desde o fim do ano passado de desvio de dinheiro público por meio de um convênio com o Ministério do Esporte. É um completo deboche para com quem realmente está preocupado com a modalidade. Quem assume em seu lugar é Rafael Westrupp, que já fazia parte da administração da entidade, com a promessa de ouvir mais os atletas e outros profissionais do ramo. Já ouviu essa conversa em algum outro momento, alguma outra modalidade? Como dar credibilidade? 

Coluna publicada originalmente em 06/03/17

Conheça a modalidade - Tênis

Publicado  sexta-feira, 29 de julho de 2016

Agora venho trazer um pouco sobre o TÊNIS.

Por mais que houvesse na antiguidade um esporte jogado com a mão que seria a origem dessa modalidade, considero mais relevante a partir do final do século XVI, que passou a ser jogado com raquetes para bater na bola e o jogo ganhara este nome da palavra Tenez do francês antigo, que significava "segure" ou "receba".
Portanto sua origem seria na França, lugar onde ficou muito popular. Foi disseminado e muito praticado na Inglaterra também. Foi lá que surgiu as primeiras regras e o primeiro torneio de Wimbledon, em 1877, no All England Lawn Tennis and Croquet Club. Era um esporte de característica aristocrata, já que era praticado em clubes frequentados pela alta sociedade da época. Interessante notar, que por mais que tenha se popularizado e seja um dos esportes mais vistos no mundo, ainda tem esse requinte nobre.
As principais regras que permanecem até hoje foram desenvolvidas pela Federação Internacional de Tênis, em 1924. De lá para cá, a principal alteração foi a inserção do tie-break para desempatar o set.
Ingressou nos Jogos Olímpicos já na primeira edição, em Atenas/1896 e permaneceu até Paris/1924. Foi retirado do programa olímpico, tendo feito duas aparições como esporte de demonstração no México/1968 e em Los Angeles/1984. Voltou a fazer parte das disputas em Seul/1988 e não saiu mais da Olimpíada.
É um esporte que precisa de muita habilidade no punho e resistência nas pernas.
São disputados torneios de simples e duplas nos dois gêneros e também duplas mistas, fazendo com que sejam concorridas 15 medalhas.
A quadra deve ser retangular com medidas de 23,77m de comprimento por 8,23m de largura para simples ou 10,97m para dupla, dividida ao meio por uma rede suspensa por um cabo metálico e presa a dois postes de altura 1,07m. No meio da rede a altura deve ter 0,914m, sendo a região mais fácil de passar a bola para o outro lado.
As partidas do torneio olímpico são disputadas em melhor de três sets, com exceção da final de simples masculino que é melhor de cinco sets. 
Para ganhar um set, é preciso ganhar seis games com vantagem mínima de dois games. Para ganhar um game é necessário ganhar, no mínimo, quatro pontos com vantagem mínima de dois pontos. Para ganhar um ponto é preciso que a bola toque o solo na quadra adversária duas vezes ou que o oponente não consiga devolver a bola para o outro lado da quadra.
A contagem de um game é 15-30-40 antes do ponto conclusivo. 
Caso fique 40-40 no game, é necessário abrir uma vantagem de um ponto e confirmá-la no ponto seguinte.
Caso o set chegue no 5-5, a contagem vai até 7. Caso chegue a 6-6, é disputado o tie-break, que são pontos diretos até 7. Se chegar em 6-6 neste game especial, aí é necessário abrir dois pontos para ganhar o game.
Sempre começa o jogo sacando do fundo da quadra e a bola deve ser lançada na diagonal da quadra, tocando o solo no retângulo próximo a rede, chamado de área de saque. O primeiro ponto de cada game sempre deve ser jogado no lado direito do recebedor e os pontos seguintes vai alternando os lados.

São quatro golpes básicos para bater na bola:
  • Forehand: é batido com o braço dominante do atleta no lado que o braço fica naturalmente (o destro bate na bola com a direita e o canhoto, com a esquerda);
  • Backhand: é o oposto do forehand (o destro bate na bola com o braço atravessado para a esquerda e o canhoto, atravessado para a direita), às vezes é utilizada a outra mão como suporte na raquete para melhor impulsionar o movimento;
  • Drop shot: é o golpe curto, lançado sem tanta força, com objetivo de passar a rede e ficar o mais próximo possível dela;
  • Lob: quando tenta encobrir o adversário que está próximo à rede.


Quatro jeitos de bater na bola:
  • Top Spin: é o jeito mais comum, com o movimento da raquete de baixo para cima, gerando aceleração na rotação da bola;
  • Slice: é o oposto do top spin, com movimento de cima para baixo, com objetivo de desacelerar a rotação, a bola quica e avança mais lentamente;
  • Smash: é a cortada, quando a bola vem por cima e bate seco e forte nela para baixo;
  • Voleio: realizado próximo à rede e antes que a bola toque o chão.


Curiosidades
A alemã Steffi Graf é a única tenista em toda história a conseguir o chamado Golden Slam, que é vencer os quatro Grand Slams e o torneio olímpico no mesmo ano. Isso foi em Seul/1988 e ela tinha apenas 19 anos;
Há três tipos de piso para se disputar um torneio: grama, saibro (terra batida) e duro ou rápido (cimento, borracha sintética, carpete ou lama asfáltica). No Rio, o tipo de piso escolhido é o ráipdo;
As irmãs Serena e Venus Williams têm quatro medalhas cada, sendo todas elas de ouro, cada uma venceu um torneio de simples e juntas três de duplas. Em números totais só perdem para a britânica Kathleen McKane, que faturou cinco medalhas, sendo 1 ouro, 2 pratas e 2 bronzes.

Destaques
Esse nunca foi tão fácil. No masculino, o sérvio Novak Djokovic é o líder do ranking e super favorito à conquista da medalha de ouro. Se conseguir, será o quinto tenista na história a alcançar o Golden Slam, sem que fosse tudo no mesmo ano.
No feminino, Serena Williams está numa fase de superioridade tão grande, pode se tornar a maior medalhista de todos os tempos, com possibilidade de dois ouros, no simples e nas duplas.

Brasileiros
A dupla Marcelo Melo e Bruno Soares
terão grande torcida em seus jogos
O país tem pela primeira vez uma chance real de medalha desde a época do Guga. Marcelo Melo e Bruno Soares representarão o Brasil no torneio de duplas masculino. Eles são considerados uma das parceiras mais completas do circuito, apesar de disputarem torneios com parceiros diferentes. Já jogaram juntos e venceram muitos torneios. Candidatos fortíssimos ao ouro, já seria inédito qualquer medalha.
Além deles, teremos mais cinco representantes. Thomaz Bellucci disputará a chave de simples e duplas com André Sá. Rogério Dutra Silva será o outro tenista na chave de simples. Teliana Pereira será a representante feminina na simples e terá como parceira Paula Gonçalves nas duplas. 

Um pitaco: Bellucci tem capacidade para meter 6-0 em Djokovic. Se não perder a cabeça durante a partida, tem condições de brigar por medalha. O problema é que já cansamos de vê-lo completamente instável em quadra e perder partidas fáceis. Tomara que se contagie pela torcida e encare como confronto de Copa Davis.

Quadro de medalhas da modalidade
Os Estados Unidos são líderes por causa de seus ouros, são 20, com mais 5 pratas e 11 bronzes, somando 36 medalhas.
A Grã-Bretanha é segunda 16 ouros, 14 pratas e 12 bronzes, mas tem mais medalhas ao todo, são 42.
Muito atrás, a França é terceira com 5 ouros, 6 pratas e 8 bronzes, no total são 19 medalhas.

Onde e quando ocorre
O Centro Olímpico de Tênis foi um complexo construído para os Jogos, mas que servirá para outros torneios, inclusive para o Rio Open 500.
Os torneios ocorrem simultaneamente entre os dias 06 e 14 de agosto.

No próximo texto, trarei informações sobre o Tênis de Mesa.

Finais pré-Olimpíada

Publicado  domingo, 10 de julho de 2016

Neste final de semana aconteceram finais de torneios importantes em duas modalidades olímpicas. No tênis, terminou o Grand Slam de Wimbledon, campeonato mais tradicional do esporte. No vôlei, ocorreu a final do Grand Prix feminino.

Em Londres, o britânico Andy Murray se sagrou bicampeão nas gramas de Wimbledon ao vencer o canadense Milos Raonic por 3 sets a 0, com parciais de 6/4, 7/6 (7-3) e 7/6 (7-2).
No torneio feminino, a americana Serena Williams bateu ontem a alemã Angelique Kerber por 2 sets a 0, 7/5 e 6/3, conquistando seu 22º Major da carreira. Ela iguala o recorde de outra alemã, Steffi Graff como maior vencedora deste tipo de torneio na era aberta. Foi o heptacampeonato em solo inglês. 
Mais tarde, Serena voltou à quadra com sua irmã Venus Williams para vencer nas duplas femininas.
Nas duplas masculinas, a final foi entre duplas francesas e deu Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut.
Embora seja disputado num piso diferente do torneio olímpico, Wimbledon deixa algumas reflexões para agosto. Apesar do sérvio Novak Djokovic ser amplo favorito, não é unanimidade, há outros nomes importantes no masculino a serem considerados, principalmente Murray que foi campeão olímpico, jogando em casa. Pelo lado das mulheres, não tem ninguém tão forte e capaz como Serena, é medalha certa, vem só para confirmar tanto em simples como em duplas com sua irmã. Temos boas chances nas duplas masculinas com Bruno Soares e Marcelo Melo, mas é bom eles se prepararem que há bons concorrentes.

Já na Tailândia, a notícia é excelente para o Brasil, uma vez que a Seleção Feminina de vôlei bateu os Estados Unidos de virada e conquistou pela 11ª vez o Grand Prix. Foi um jogo muito parelho, as meninas saíram perdendo, mas se mantiveram calmas e souberam virar a partida. Foi 3 sets a 2 com parciais de 18-25, 25-17, 25-23, 22-25 e 15-9. Ainda teve Natália como a melhor jogadora do campeonato.
Neste caso, a conquista toma uma importância maior, uma vez que as principais adversárias que o Brasil superou, Estados Unidos, Rússia, Itália, Holanda, com seus melhores times. É sinal que a equipe está bem preparada e é forte candidata a conquistar o inédito tricampeonato olímpico. Só não pode relaxar.

Uma lenda morre enquanto outra escreve sua história

Publicado  terça-feira, 7 de junho de 2016

O esporte, de uma maneira geral, é muito dinâmico. Ainda o luto de uma perda de um ídolo do tamanho de Muhammad Ali pode ser sentida e será por muito tempo. Mesmo assim, não há como não ficar feliz com a mais recente conquista de Novak Djokovic na França.
Na última sexta-feira, tivemos uma daquelas perdas que só nos damos conta de sua dimensão por ter ocorrido no nosso tempo. Simplesmente o melhor pugilista de todos nos deixou, aos 74 anos. Tudo o que for dito ou feito para homenagear Cassius Clay será pouco, por tudo o que essa personalidade fez no boxe e para melhorar a sociedade como um todo.
Muhammad Ali, na revanche contra Sonny Liston, em 1965
O primeiro tricampeão mundial dos pesos pesados e campeão olímpico morreu por conta de choque séptico devido a causas naturais, depois de ter sido internado um dia antes, em Phoenix, no Arizona. Já vinha sofrendo com complicações de saúde há muito tempo. Lutou e venceu muitos rounds, mas uma hora essa batalha acabaria. Não dá para falar que perdeu, uma vez que já está imortalizado na memória de todos que gostam de esporte e que podem procurar por grandes humanos da história.
Ali protagonizou fantásticas lutas contra Joe Frazier, George Foreman e Leon Spins. Foi considerado o esportista do século pela renomada Sports Ilustrated. Travou outras importantes lutas fora dos ringues, combatendo a discriminação racial e se recusando servir ao exército na Guerra do Vietnã. Dentro dos tablados, teve 57 vitórias, sendo 37 por nocaute, e apenas 5 derrotas.
Está sendo preparado um grande celebração de sua vida no funeral que ocorrerá na próxima sexta-feira, em Louisville, Kentucky, cidade natal do boxeador. Personalidades como o ex-presidente Bill Clinton e o ator Will Smith estarão presentes. Mas o mundo inteiro chora a perda de uma lenda. Feliz daqueles que tiveram a oportunidade de vê-lo em ação.
Por outro lado, no velho continente, o sérvio Novak Djokovic vem aumentando sua participação entre as lendas vivas do tênis, escrevendo um capítulo que ainda não existia em sua galeria de conquistas, com a obtenção do título de Roland Garros, o único Grand Slam que faltava em sua carreira. Ao término, cumpriu uma promessa ao repetir o gesto de riscar um coração e deitar-se sobre ele, homenageando nosso Guga, que estava presente.
No domingo, bateu o britânico Andy Murray por 3 sets a 1, com as parciais de 3-6/ 6-1/ 6-2/ 6-4, na quadra de terra batida de Paris e se tornou apenas o oitavo tenista a conquistar os quatro maiores torneios do circuito. Ele se junta às lendas Fred Perry, Don Bugde, Rod Laver, Roy Emerson, Andre Agassi, Roger Federer e Rafael Nadal, estes dois últimos ainda em atividade.
Novak beija seu novo troféu na quadra Philippe-Chatrier
Já havia vencido o Australian Open seis vezes, sendo atual bicampeão do torneio, assim como é em Wimbledon, onde tem três conquistas ao todo, além de ser atual campeão do US Open, competição que já venceu duas vezes. 
Aliás, da última edição do torneio britânico para cá, Djokovic tem sido o único vencedor, mostrando que está no auge de sua forma, sendo quase imbatível na atualidade. Esse feito pode se tornar maior caso vença Wimbledon e o US Open ainda esse ano. E pode completar o Golden Slam, caso essas vitórias se concretizem e ele conquiste a medalha de ouro no Rio, em agosto. Imagina o tamanho de um feito desse aos 29 anos de idade. Com a bola que ele vem jogando, alguém ainda duvida dessa carismática lenda? 

Na Austrália, um penta, uma hexa e o futuro

Publicado  domingo, 1 de fevereiro de 2015

Neste domingo, chegou ao fim mais uma edição do Grand Slam mais animado da temporada de tênis, o Australian Open. Com ele, mais uma consagração de dois gigantes deste esporte. Serena Williams conquistou seu sexto campeonato ao vencer a russa Maria Sharapova por dois sets a zero, 6-3/ 7-6 (7-5). No masculino, Novak Djokovic bateu Andy Murray por três sets a um, 7-6 (7-5)/ 6-7 (7-4)/ 6-3 e um incrível 6-0, e levou o quinto Major australiano de sua carreira.
A final feminina era mais que esperada entre as duas líderes do ranking. Por parte da Serena, passou por duas semanas difíceis, resfriada, teve que virar duas partidas, teve uma semifinal complicada contra sua compatriota, mas que mostrou sua experiência para chegar até a decisão. Já Sharapova, havia perdido apenas um set, na segunda rodada, vinha sobrando contra todas as adversárias, inclusive na semifinal. Mas, por mais que a russa estivesse bem, não teve chances contra a força da americana. Foi praticamente impossível parar a tenista, que chegou a sacar a 203km/h. A partida durou 1h51. No confronto direto, 16-2 para Serena. Foi o 19º Grand Slam da carreira. Apesar de não gostar do estilo de jogo e da discrepância dela para as outras tenistas, não há como não admitir a grandiosidade desta jogadora que há muito tempo já tem seu nome na história e que eleva o nível do tênis feminino a outro patamar.
Pelo lado dos homens, sempre se cria uma expectativa de quem chegaria do grupo Elite Four, Federer, Nadal, Djokovic e Murray. O suíço havia vencido o ATP 250 de Brisbane, conquistado sua milésima vitória, marca que apenas Jimmy Connors e Ivan Lendl superam, 1253 e 1071, respectivamente. Mas Roger não foi bem e foi eliminado na terceira rodada pelo italiano Andreas Seppi, por três sets a um. O espanhol não está na melhor de sua forma, vinha como a grande dúvida, mas mostrou que tem um poder mental gigantesco e venceu suas partidas até pegar um top 10 e ser eliminado nas quartas por Tomas Berdych, com direito a pneu no segundo set. Restou o sérvio e o britânico, que mostraram o melhor tênis jogado, com as vitórias mais convincentes. A final foi qualquer coisa de espetacular nos dois primeiros sets. Uma intensidade tremenda, grande volume de jogo de ambas as partes, cada um vencendo o set no detalhe. Literalmente foi uma batalha extensa, com duração de 72 minutos no primeiro e 80, no segundo set. Depois disso, o que se viu foi um passeio. Murray se mostrou instável mentalmente, passou a brigar consigo próprio e não desenvolveu mais seu jogo. Em compensação, Djokovic justificou o posto de número um do mundo. Manteve a intensidade e resolveu a partida com dois sets em pouco mais de uma hora. O sérvio leva vantagem de 15-8 agora contra o britânico. Foi o oitavo Grand Slam de sua carreira e vem se encaminhando para se tornar um dos maiores de todos os tempos, já que sua perspectiva é de continuar vencendo e jogando em alto nível por alguns anos. Hoje é o cara a ser batido em quadra.
Além disso tudo, o Australian Open é marcado por surpresas, por ser o começo da temporada, e, por vezes, revela alguns nomes a serem observados no futuro próximo. Esta edição não foi diferente. 
Entre as mulheres, a jovem americana Madison Keys, que vai completar 20 anos, foi destaque, eliminando nomes como Petra Kvitova e Venus Williams, chegando à semifinal contra a Serena, sinalizando um futuro promissor para os Estados Unidos, que se não consegue produzir um nome de força no masculino desde Andy Roddick, mas que no feminino domina as ações junto com a Rússia e países do leste europeu. 
Nick Kyrgios é a nova esperança australiana. O rapaz de 19 anos, jogou apoiado pela torcida e chegou até às quartas, sendo eliminado por Murray. O país que já teve nomes consagrados como Rod Laver, Roy Emerson (maior vencedor do torneio, com seis títulos), Lleyton Hewitt e Patrick Rafter, pode estar criando um novo nome a ser escrito na sua galeria de campeões.
E uma curiosidade: durante essas duas semanas, a organização registrou mais de 703 mil pessoas visitando o complexo de tênis de Melbourne, mais de 20 mil a mais que o recorde do ano passado. Um exemplo de como fazer um evento lucrativo e bem organizado.