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Como precisávamos de uma Copa!

Publicado  segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ontem o mundo todo acompanhou o desfecho que consagrou a Alemanha tetracampeã mundial, merecidamente, com a vitória, na prorrogação, contra a Argentina por 1 a 0, no Maracanã. Vimos a supremacia do futebol planejado com mais de uma década de trabalho e investimentos certos se consumando.
A Copa foi o um grande acontecimento correspondendo às expectativas do maior evento esportivo.
Quantos críticos e jornais estrangeiros que temiam pela organização, segurança, estádios tiveram que se render à hospitalidade, alegria e calor humano dos brasileiros. Pudemos mostrar ao mundo que somos capazes de organizar uma grande competição, à nossa maneira, e que passa uma impressão de ter sido bem feita, mesmo com problemas, a ponto de deixar todos com saudades antes de acabar.
Pessoas que nunca foram a estádios por medo de violência, tiveram uma oportunidade de vivenciar essa experiência, com golaços como o de Van Persie na goleada da Holanda contra a Espanha, o de Cahill na difícil derrota da Austrália contra a própria Holanda, ou o de James Rodríguez nas oitavas contra o Uruguai, na minha opinião os três gols mais bonitos do torneio. As histórias mais incríveis foram contadas, filmadas e relatadas. Mesmo com tantos gols bonitos, os goleiros tiveram grandes destaques com defesas e atuações espetaculares. Heróis surgiram como foi a Costa Rica, outros foram desfeitos como a, então campeã, Espanha. Personagens protagonizaram partidas inesquecíveis. Messi, Müller, Navas, Neymar, Cristiano Ronaldo, Howard, Robben, Suárez, Pinilla, Zuñiga. Vimos Miroslav Klose se tornar o maior artilheiro da história das Copas, justamente contra nós. Vimos um vexame maior que o Maracanazo de 1950, muito mais doloroso e marcante, que jamais se apagará. Um final tragicômico para o brasileiro escolher por quem torcer: ou era quem havia lhe aplicado a maior goleada de sua história, um sonoro 7 a 1, ou era o seu maior rival, "su Papá" Argentina, que trouxe cantos para as arquibancadas e estimulou a criatividade do brasileiro para criar seus próprios gritos.
Gente do mundo inteiro se reuniu para torcer e celebrar o esporte em nossa casa. Houve uma invasão de latino-americanos fervorosos que entoavam seus cantos nos estádios. Europeus e toda sua pompa vieram em peso. Norte-americanos, asiáticos, africanos e oceânicos também marcaram presença. Gente inclusive que não tinha seu país representado na Copa, mas que mesmo assim veio prestigiar, torcer pelo Brasil.
Aliás torcer pelo Brasil passou a ser um exercício feito pelos brasileiros, que tinham desacostumado a gritar juntos por um gol, sofrer numa partida dura e cantar o hino nacional. Sabiámos que não erámos favoritos, mesmo assim, quando começou a Copa, vestimos a camisa, juntamos famílias, amigos, conhecidos para festejar ou chorar, pintamos ruas e calçadas, enfeitamos casas, carros e comércios com nossa bandeira. Juntamos todos numa celebração, fosse dentro de metrô ou ônibus, fosse nas praias, nas Fan-Fest, nas ruas.
A expressão "a Copa das Copas" nunca caiu tão bem. Merecemos uma Copa dessas. Para quem não viveu 50, podemos dizer para as próximas gerações que vivemos na nossa casa um grande acontecimento e que essa Copa foi nossa. É difícil acostumar com a rotina sem esses jogos incríveis. Mas um evento desse só é especial porque é um mês a cada quatro anos. Então que venha logo Rússia 2018!

Ansiedade e convocação

Publicado  sexta-feira, 30 de maio de 2014

Já há algum tempo o assunto tem se intensificado, mas agora, praticamente, não há outro no meio esportivo. Falta menos de duas semanas para o começo da Copa do Mundo e gostaria de dividir meus sentimentos nesse momento importante.
Estou empolgado com o maior evento de um esporte único do planeta acontecendo na nossa casa. Terei a oportunidade de acompanhar cinco jogos da primeira fase, infelizmente nenhum do Brasil, e mais infelizmente ainda, nenhum da fase de playoff. Verei Uruguai x Costa Rica, Irã x Nigéria, Suíça x França, Costa Rica x Inglaterra e Coreia x Bélgica. Terei a oportunidade de ver grandes jogadores como Luis Suárez, Edinson Cavani,Wayne Rooney, Franck Ribéry e Karim Benzema. Verei três campeões mundiais em ação, acompanharei sulamericanos, centro-americanos, europeus, africanos e asiáticos. Passarei por aeroportos, rodoviárias, hotéis, estádios novos. Trarei todas as impressões da experiência.
E gostaria de fazer uma convocação aos brasileiros.
Entendo o momento histórico pelo qual passamos, a oportunidade de chamar a atenção do mundo e dos nossos políticos para a falta de prioridade para coisas triviais que deveriam existir no nosso país: educação, saúde, transportes, igualdade social, melhores condições de trabalho, a punição pela corrupção, o não-uso de dinheiro público para construir estádios tão monumentais quanto suas contas. Entendo que ano passado, na Copa das Confederações, serviu para acordar toda a população e incentivar os protestos por melhorias e que, esse ano, será ainda mais forte tal movimento. Que bom.
Mas... apesar de tudo, pense na enorme festa que teremos em casa. Todos os continentes serão representados aqui. Se tiver contato com algum estrangeiro, receba-o bem, faça-o se sentir bem, confortável, que ele tenha vontade de voltar e trazer amigos. Nos jogos do Brasil, se você não estiver trabalhando, reúna a galera para fazer um churrasco, vá para um lugar com bastante gente, ao sair um gol, comemore, berre, abrace quem nem conhece. Pinte ruas e muros de verde e amarelo. Saia de casa com a amarelinha, com bandeira, cante o hino a plenos pulmões, se emocione, torça como se fosse sua última Copa. Se uma seleção ficar concentrada por perto, divida um pouco de sua torcida com ela. Estaremos com quase todos os melhores jogadores do mundo circulando em nossos gramados e cidades. Chame a torcida de fora para entrar no samba, reveja gente que não via há tempos, conheça gente nova. Caso vá aos estádios, pule, faça a festa, dê tchau se aparecer na câmera, o mundo inteiro estará assistindo, se fantasie, pinte o rosto, respeite as regras, não deprede a construção (lembra que tem dinheiro seu nela?).
Pense que será uma oportunidade única de aproveitarmos todo esse clima, toda essa empolgação. Eu gostaria que, ao passar tudo isso, possamos olhar para trás e nos orgulhemos de termos feito um evento grandioso, digno de sua história, tendo consagrado um campeão mundial com todas as honras (torcendo para que seja o Hexa do Brasil).

Não tem grupo da morte na Copa, Brasil tem chave boa

Publicado  sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nos últimos meses, o evento mais aguardado no mundo futebolístico aconteceu hoje na Costa do Sauípe, na Bahia. O sorteio que definiu os grupos da fase inicial da Copa do Mundo da FIFA foi uma bela cerimônia, cercada de grande expectativa pelos brasileiros para saber seus adversários e por todo resto do mundo, para saber quem escapava dos anfitriões logo de cara. Particularmente, acho desnecessário tanta festa, música e dança para um sorteio, mas é uma apresentação de nossa cultura para os 180 países que acompanharam o evento.
Aqui vão como ficaram os grupos e minhas análises breves de cada um:

GRUPO A
Brasil – Croácia – México – Camarões
Bom grupo para o Brasil, não tem galinha morta, todos tem tradições em primeiras fases de Copa do Mundo. Brasil já enfrentou todos em Copas passadas. Ninguém assusta muito, mas é preciso atenção, para não perder pontos. Clássico caso de um favorito para ser primeiro e três seleções que brigam pela segunda vaga. Acho que avançam Brasil e México.

GRUPO B
Espanha – Holanda – Chile – Austrália
Acho que é o grupo mais difícil ao lado do grupo D, pode não ter tantos campeões mundiais, mas proporcionalmente é tão complicado quanto. Ótimo confronto Espanha x Holanda, reeditando a final da última Copa. Chile vai brigar com os holandeses por uma segunda vaga. Espanha deve passar em primeiro. Holanda deve jogar com Brasil nas oitavas.

GRUPO C
Colômbia – Grécia – Costa do Marfim – Japão
Sortear grupos fortes de um lado, nivelam outros grupos por baixo. Esse é um grupo que pode-se esperar qualquer coisa. Futebol sulamericano, retranca europeia, força africana e rapidez asiática. Diria que é o mais equilibrado dos grupos.  Acho que Colômbia deve ser primeiro e gostaria que o Japão fosse segundo, pelo que apresentou na Copa das Confederações.

GRUPO D
Uruguai – Costa Rica – Inglaterra – Itália
Grupo de três campeões mundiais e uma zebra caribenha. É considerado o grupo da morte pela maioria, volto a reiterar que o B é tão forte quanto esse. Uruguai se classificou na repescagem, Itália é burocrática e Inglaterra oscila muito. Triste saber que um campeão não seguirá nas oitavas. Itália e Uruguai devem passar, apertado. Inglaterra, fora.

GRUPO E
Suíça – Equador – França – Honduras
Grupo chato. França, que veio da repescagem, se deu bem e pode seguir tranquila para as oitavas. Honduras faz figuração e Suíça, com seu futebol pragmático, decide um possível segundo lugar contra o Equador logo de cara. Os sulamericanos igualmente não empolgam. Difícil prognóstico. Deve passar a Suíça.

GRUPO F
Argentina – Bósnia – Irã – Nigéria
É o grupo mais fácil que dava para ter. A Argentina tem obrigação de ser primeira e atropelando todo o restante. E Nigéria, apesar de não ser aquela que nos traz o fantasma de Olímpiada de 96, tem muito mais futebol que a estreante Bósnia e o fraquíssimo Irã, seria uma bomba se conseguir uma vitória. Os nigerianos devem ser os únicos africanos na segunda fase.

GRUPO G
Alemanha – Portugal – Gana – Estados Unidos
Grupo semelhante ao do Brasil, com um campeão mundial e outras três seleções que se equilibram, com exceção de um certo jogador, hoje o melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. Esse é o fator de desequilíbrio. Acho que a Alemanha é a grande favorita para fazer uma final, ao lado do Brasil, e por isso deve ser primeira. Portugal em segundo.

GRUPO H
Bélgica – Argélia – Rússia – Coreia do Sul
É o grupo mais sem carisma da Copa, não dá nenhuma emoção. Não dá pra entender a Bélgica como cabeça de chave, critério FIFA.  Fez uma boa eliminatória e os europeus dizem que têm um bom time. Argélia e Coreia do Sul não devem ser páreo para o selecionado russo, que não são tão técnicos, mas têm força e serão sede da próxima Copa. Bélgica e Rússia.