Mostrando postagens com marcador Surf. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Surf. Mostrar todas as postagens

Tóquio 2020 - Dia 04: 水路 [Suirô], o caminho das águas

Publicado  terça-feira, 27 de julho de 2021

Foto: Jonne Roriz/COB

Em dia marcado por intervenção da chuva nos esportes e proximidade de tufão, as águas japonesas deram o caminho para as medalhas brasileiras. Ouro inédito no surfe com Ítalo Ferreira, no mar agitado da baía de Chiba, e bronze, na piscina olímpica de Tóquio, com Fernando Scheffer.

"Mizu", em japonês, significa água. Um rio, uma lagoa, uma praia ou até uma raia na piscina poderia ser chamado de "Suirô" ou via navegável, ao pé da letra. Para quem gosta de toda filosofia oriental, acredita na força dos elementos, o quarto dia de competições mostrou desde cedo que a água seria um fator importante nas provas. Para o Brasil era o prenúncio de onde viriam suas conquistas.

Há uma preocupação grande da organização dos Jogos com o clima nos próximos dias, devido a aproximação de um tufão ao arquipélago japonês. Diversas competições disputadas a céu aberto estão sendo afetadas sem tanta margem para adiar. Uma das principais era o surfe, que teria sua final apenas amanhã, mas precisou que fosse antecipado as baterias finais depois dos atletas terem competido nas quartas e semis. Nada que afetasse a dinâmica dos atletas.

Foto: Jonne Roriz/COB

Que bom. Assim, a Brazilian Storm (tempestade brasileira) pôde se apresentar antes do tufão japonês e a primeira medalha dourada brasileira veio um dia antes do que o esperado. Ítalo Ferreira, potiguar, campeão mundial em 2019, foi o responsável pelo feito. Havia uma expectativa que ele enfrentasse Gabriel Medina na final, mas a polêmica das notas contra Kanoa Igarashi na semifinal tirou o surfista de Maresias da disputa dourada, inclusive não conseguiu mostrar mais boas manobras na disputa do bronze, que ficou com Owen Wilson (AUS). A Ítalo sobrou a incumbência de superar o japonês na sua praia e escrever o nome como primeiro campeão olímpico da modalidade em toda a história. Silvana Lima também esteve no mar inconstante da praia de Tsurigasaki, mas não passou das quartas-de-final.

As provas da natação não serão afetadas por condições adversas externas. Mas já mostraram que podem dar bastante alegrias ao Brasil. Fernando Scheffer classificou-se com o oitavo tempo para a final dos 200m livre. Nadou a prova melhorando seu tempo em mais de um segundo, com 1min44s66, superando o romeno por dois centésimos e os tradicionais americano e russo. Só não superou os dois britânicos que fizeram dobradinha. O primeiro bronze nas águas internas.

Resumo do dia


O triatlo feminino foi a primeira prova do dia afetada pelas tempestades e condições ruins das águas. Houve atraso na largada. Durante a competição, Flora Duffy foi a mais resistente e conquistou o primeiro ouro da história olímpica para Bermuda, ilha que enviou apenas dois atletas para Tóquio. Grã-Bretanha ficou com a prata e Estados Unidos com o bronze.

As finais de Canoagem Slalom feminino, Hipismo, Mountain Bike feminino e Softbol, além de etapas preliminares de Futebol feminino, Hóquei sobre Grama masculino, Rugby de sete masculino, Tiro com Arco, Tênis, Vela e Vôlei de Praia ficaram sujeitos às intempéries climáticas. Mesmo assim, medalhas saíram:

  • > Canoagem Slalom K-1 fem. - (ALE > ESP > AUS);
  • > Esgrima espada por equipes fem. - (EST > KOR > ITA);
  • > Ginástica Artística geral por equipes fem. - (RUS > EUA > GBR);
  • > Hipismo adestramento por equipes - (ALE > EUA > GBR):
  • > Judô até 63 kg fem. - (FRA > SLO > CAN/ITA) // até 81 kg masc. - (JAP > MGL > BEL/AUT);
  • > Levantamento de Peso até 59 kg fem. - (TPE* > TKM [Turcomenistão] > JAP) // até 64 kg fem. - (CAN > ITA > TPE);
  • > Mountain Bike cross-country fem. - (SUI > SUI > SUI);
  • > Natação 100m costas fem. - (AUS* > CAN > EUA);
  • > Saltos Ornamentais plataforma 10m sincronizado fem. - (CHN > EUA > MEX);
  • > Softbol - (JAP > EUA > CAN) - primeiro esporte coletivo concluído;
  • > Surfe fem. - (EUA > RSA [África do Sul] > JAP);
  • > Taekwondo acima de 67 kg fem. - (SER > KOR > GBR/FRA) // acima de 80 kg masc. (RUS > MKD [Macedônia do Norte] > CUB/KOR) e;
  • > Tiro Esportivo pistola de ar 10m misto - (CHN > RUS > UCR).
*Estabeleceram novos recordes olímpicos

Em negrito, prova que apenas um país dominou o pódio completo.

Brasileiros


Além das medalhas, Hugo Calderano, no Tênis de Mesa, pode ser considerado um destaque já que foi a primeira vez que um mesatenista brasileiro alcançou a fase de quartas-de-final do torneio individual. Ele é sétimo do mundo, mas está como quarto cabeça-de-chave. Venceu o esloveno, 4 sets a 1, pela terceira rodada, e o sul-coreano, 4 sets a 3, de virada, nas oitavas. Gustavo Tsuboi perdeu na mesma fase para o atleta de Taipe Chinês, 4 sets a 2, e foi eliminado.

>Vitórias dos coletivos femininos de Handebol (33-27) contra Hungria; de Vôlei (3-2) contra Rep. Dominicana; e de Futebol (1-0) contra Zâmbia, que garantiu a classificação às quartas contra o Canadá.

>No Vôlei de Praia, segunda vitória da dupla Evandro/Bruno Schmidt. Primeiro revés de Alison/Álvaro e Ághata/Duda. Todos têm chances de classificação.

>As atuais campeãs da Vela 49er FX, Martina Grael e Kahena Kunze terminaram o primeiro dia com três regatas disputadas e a terceira colocação geral.

>Ainda na Vela, Robert Scheidt subiu para terceiro, na Laser, depois de seis regatas. Jorge Zarif está em 13º na Finn, com duas regatas velejadas. Marco Grael e Gabriel Borges fizeram uma regada da 49er e terminaram em oitavo.

>A dupla Laura Pigossi/Luisa Stefani venceu mais uma no Tênis feminino, 2 sets a 1 contra a dupla da Rep. Tcheca e está nas quartas-de-final.

>Léo de Deus classificou-se, na Natação, com o segundo melhor tempo para a final dos 200m borboleta. Gabriel Santos e Pedro Spajari não avançaram nas baterias do 100m livre. O revezamento 4x200m livre masc. está na final assim como Guilherme Costa nos 800m livre.

>Vittória Lopes terminou em 28º no triatlo e Luisa Baptista, em 32º.

>Jaqueline Mourão foi 35ª no Mountain Bike.

>Eduardo Yudi perdeu na primeira luta do Judô. A porta-bandeira Ketleyn Quadros venceu a primeira luta porque a adversária não bateu o peso da categoria, venceu por ippon nas oitavas. Sofreu outros dois ippons, nas quartas e na repescagem.

>Ana Sátila ficou em 13º na Canoagem Slalom prova caiaque K-1 e não foi para a final.

>Abner Teixeira superou o britânico no Boxe peso pesado pelas oitavas-de-final.

Tóquio 2020 - Dia 03: Um conto de fadas e um roteiro de cinema

Publicado  segunda-feira, 26 de julho de 2021


Duas histórias que poderiam ficar apenas no papel, tornam-se realidade e seus personagens sobem no pódio de Tóquio: Rayssa Leal, a fadinha que trouxe uma nova prata para o Brasil no Skate Street, e Tom Daley, o galã britânico que finalmente ganhou ouro nos Saltos Ornamentais.

A essa altura do terceiro dia olímpico, a maioria dos brasileiros já conhecem a "pequena notável" Rayssa Leal, a skatista de 13 anos que veio de Imperatriz, um município na divisa entre Maranhão e Tocantins, e que conquistou a prata de forma emocionante na modalidade estreante na prova Street. Ao passar pelas redes sociais, Rayssa mobilizou a delegação brasileira, tanto que a seleção feminina de futebol estava no refeitório com os celulares ligados para acompanhar a fadinha na final e foi recepcionada pelo time feminino de vôlei, que fizeram questão de abraçá-la e tietar com a medalha pendurada.

O feito já era memorável só por estar em uma Olimpíada com tão pouca idade. Mas foi ganhando maiores proporções na medida em que tornou-se a única brasileira a classificar para a final. Pamela Rosa competiu com o tornozelo contundido, terminou em 10º, e Letícia Buffoni não conseguiu mostrar suas melhores manobras, ficou em 9º. Classificava oito para as voltas decisivas. Rayssa superou as expectativas, foi melhor que skatistas americanas, europeias e asiáticas. Só não foi melhor que Momiji Nishiya, atleta prata da casa (ou melhor, ouro da casa), igualmente com 13 anos, mostrou que o COI acertou em apostar na modalidade para atrair público mais novo na audiência e levou o primeiro ouro da história, igualando o feito de seu compatriota Yuto Horigome do dia anterior entre os homens. Aliás, é o primeiro pódio completo menor de idade. A japonesa Funa Nakayama, bronze, tem apenas 16 anos.

Para Rayssa, que "viralizou" no começo de sua carreira por realizar um flip com sete anos, em um vídeo de uma festa da escola com uma fantasia feita pela avó, é apenas o começo de um conto de fadas real.

E o Oscar vai para...


A outra grande história do dia está intimamente ligada à sétima arte e poderia ser contada nas grandes telas. Thomas Daley venceu, ao lado de Matty Lee, a prova Plataforma 10m sincronizado - masculino dos Saltos Ornamentais e deu o terceiro ouro para a Grã-Bretanha no dia. E o que tem isso de tão especial?

No cinema, ele seria aquele herói que apanha durante o filme inteiro e consegue uma reviravolta espetacular no final. Isso porque estreou em Pequim-2008, com 14 anos, e amargou a última colocação da prova com outro parceiro. Em Londres-2012, ficou em quarto com uma pontuação distante do pódio.

A virada vem no ano seguinte, quando assume sua orientação sexual e o namoro com Dustin Lance Black, vencedor do Oscar de melhor roteiro original com o filme Milk (2009) - hoje são casados e têm um filho de três anos. O peso das costas saiu e ganhou o bronze no Rio-2016. O desfecho épico veio ao superar os chineses. A prova é disputada desde Sydney-2000, com uma vitória russa. Mas, desde então, apenas a China subia ao lugar mais alto do pódio.

A atuação de Tom foi perfeita e, com 27 anos, mostrou a resiliência digna de um Oscar de melhor ator. Certamente a medalha dourara tem o mesmo valor para a família e o país.

Resumo do dia


A Rússia conquistou o ouro na Ginástica Artística geral por equipes masculina. Feito repetido 25 anos após o pódio de Atlanta-96. Japão brigou até a última nota, ficou com a prata e a China terminou com bronze.

Outras medalhas disputadas:

  • > Canoagem Slalom C-1 masc. - (SLO > CZE > ALE);
  • > Esgrima Sabre individual fem. - (RUS > RUS > FRA) // Florete individual masc. - (HKG > ITA > CZE);
  • > Judô até 57 kg fem. - (KOS > FRA > CAN/JAP) // até 73 kg masc. - (JAP > GEO > MGL/KOR);
  • > Levantamento de Peso até 55 kg fem. - (FIL* > CHN > KAZ);
  • > Mountain Bike Cross-country masc. - (GBR > SUI > ESP);
  • > Natação 100m borboleta fem. - (CAN > CHN > AUS) // 100m peito masc. - (GBR > HOL > ITA) // 400m livre fem. - (AUS > EUA > CHN) // Rev. 4x100m livre masc. - (EUA > ITA > AUS);
  • > Taekwondo até 67 kg fem. - (CRO > GBR > EGY/CIV) // até 80 kg masc. - (RUS > JOR > EGY/CRO);
  • > Tiro Esportivo Skeet fem. - (EUA* > ITA > CHN) // Skeet masc. - (EUA* > DIN > KUW);
  • > Tiro com Arco equipes masc. - (KOR > TPE > JAP);
  • > Triatlo masc. - (NOR > GBR > NZL) e;
  • > Tênis de Mesa duplas mistas - (JAP > CHN > TPE).

*Estabeleceram novos recordes olímpicos

Brasileiros

Foto: Miriam Jeske/COB

A Brazilian Storm (tempestade brasileira) continua sendo destaque no Surfe. Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e Silvana Lima venceram suas baterias e estão nas quartas-de-final. A única eliminada foi Tatiana Weston-Webb.

>Fabiana Silva perdeu na estreia do Badminton individual feminino por 2 sets a 0. Por outro lado, Ygor Coelho começou vencendo no masculino pelo mesmo placar.

>No Boxe feminino peso pena, Jucielen Romeu perdeu para britânica nas oitavas e está fora.

>Guilherme Toldo fez apenas uma luta na Esgrima Florete individual masc. e perdeu ainda na primeira rodada.

>O Handebol masculino acumulou sua segunda derrota no grupo A, 34 a 29 para a França. Vai ficando mais distante a possibilidade (antes já remota) de classificar.

>O único representante do dia no Judô, Eduardo Barbosa não passou da fase preliminar da categoria até 73 kg.

>Dois brasileiros competiram no Mountain Bike cross-country: Luiz Henrique Cocuzzi ficou em 27º e Henrique Avancini, grande nome nas competições internacionais e que poderia ser pódio, alcançou o melhor resultado do país na prova com o 13º lugar. Chegou a liderar nos momentos iniciais.

>O revezamento masc. do 4x100m livre ficou com o último tempo da final na natação. Fernando Scheffer fez o terceiro tempo de sua semifinal nos 200m livre e avançou para a final. Léo de Deus avançou para as semifinais do 200m borboleta. Viviane Jungblut e Beatriz Dizotti não tiveram a mesma sorte no 1500m livre.

>O Taekwondo brasileiro chegou perto de medalhar no feminino. Milena Titoneli, venceu sua primeira luta e como perdeu a segunda para quem foi à final, pôde lutar na repescagem pelo bronze. Venceu a primeira luta, mas sucumbiu na decisão. Ícaro Martins não passou da primeira luta.

>Manoel Messias ficou em 28º no Triatlo.

>Robert Scheidt subiu para 8º após três regatas da Vela classe Laser. Patrícia Freitas continua em 11º no Windsurf RS:X.

>Última dupla brasileira a estrear no Vôlei de Praia, Ana Patrícia e Rebecca não tiveram dificuldades para fazer 2 sets a 0 na dupla do Quênia.

>Depois de um grande sofrimento e muitos erros, o Brasil virou para cima da Argentina no Vôlei masculino e, com 3 sets a 2, acumulou sua segunda vitória no torneio.

Tóquio 2020 - Dia 02: A Dinastia Abe e as rodas que percorrem o caminho suave

Publicado  domingo, 25 de julho de 2021


Os irmãos Uta e Hifumi Abe estabelecem uma nova dinastia no judô mundial, trazendo mais dois ouros para o país do sol nascente e criador da arte do "caminho suave". Brasileiro conquista o bronze na mesma modalidade e mantém tradição do país. As rodas do skate de Kelvin Hoefler também fizeram um caminho suave até uma prata inédita.

A história do Japão é contada através das dinastias dos grandes imperadores, principalmente em sua época feudal. Era Meiji, Era Tokugawa, Era Edo... Agora é possível dizer que hoje o mundo foi dominado pela Era Abe nas categorias até 52 kg no feminino e até 66 kg no masculino. Isso porque os dois irmãos, Uta, de 21 anos, e Hifumi, de 23, entraram para história como os primeiros a conquistar dois ouros no mesmo dia em um esporte individual. E se pensar que são bem jovens, a dinastia pode durar mais alguns ciclos olímpicos. Curiosamente a trajetória dos dois têm aspectos em comum: o fato dos dois terem eliminado brasileiros no caminho, Uta eliminou Larissa Pimenta logo na segunda fase e Hifumi superou Daniel Cargnin na semifinal. Ambos tiveram campanhas vitoriosas com dois ippons e dois waza-ari. E ajudaram o Japão a ficar em segundo no quadro de medalhas.

Daniel Cargnin tem tatuado no peito "Família" em japonês. Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Aproveitando que o assunto é judô, o Brasil conquistou a sua 23ª medalha na modalidade, justamente com o gaúcho Daniel, que teve um desempenho acima do esperado e levou o bronze, a segunda medalha do país no dia. Antes de contar como foi a primeira, é preciso citar que a campanha do judoca foi impecável nas três primeiras lutas, com um ippon sobre o egípcio e dos waza-ari sobre o moldavo e o italiano, número um do ranking mundial. Sofreu ippon na semifinal, mas conseguiu recuperar suas forças mentais e aplicou uma nova pontuação sobre o israelense na disputa do terceiro lugar.


O Japão e o Brasil se cruzaram novamente na estreia do Skate street nos Jogos Olímpicos. O esporte que preza pelo arrojo, também é julgado se os atletas percorrem uma linha limpa, uma espécie de caminho suave das manobras. Yuto Horigome teve quatro notas acima dos 9 pontos, somando 37.18 e conquistou o primeiro ouro. Ele superou a pontuação do brasileiro Kelvin Hoefler, que liderava até antes da penúltima rodada de manobras. Por não ter encaixado nenhum movimento nas segunda e terceira rodadas, Kelvin chegou a ficar em quarto lugar geral. Mas um 9.34 na última chance e a queda do americano Jagger Eaton, devolveram o atleta do Guarujá ao pódio com uma prata igualmente histórica. Assim, o Brasil ingressou no quadro de medalhas e terminou o dia com a 19ª colocação.

Resumo do dia

Um domingo que trouxe as primeiras medalhas da natação, inclusive para o Japão. Nos 400m medley individual masculino, ouro e prata para os Estados Unidos e bronze para Austrália. Na mesma prova do feminino, ouro para a japonesa Yui Ohashi e prata e bronze para as norte-americanas. Mas as grandes histórias ficaram para o revezamento 4x100m livre feminino e os 400m livre individual masculino.

As australianas Bronte Campbell, Meg Harris, Emma McKeon e Cate Campbell simplesmente pulverizaram o record olímpico que pertencia ao próprio time, marca alcançada em 2018. O tempo de 3min29s69 foi 36 centésimos mais rápido que o anterior e serviu para deixar os revezamentos do Canadá e dos Estados Unidos mais de três segundo para trás.

Ahmed Hafnaoui, da Tunísia. Foto: Twitter/Fina

O futuro (e porque não dizer o presente) dos 400m livre masculino tem um novo nome: Ahmed Hafnoui. O tunisiano tem apenas 18 anos e surpreendeu os favoritos, e ganhou na batida de mão dos favoritos Jack McLoughin (AUS) e Kieran Smith (EUA).

Além disso, foram disputadas medalhas no:

  • > Ciclismo de estrada fem. - (AUT > HOL > ITA);
  • > Esgrima Florete individual fem. - (EUA > RUS > RUS) // Espada individual masc. - (FRA > HUN > UCR);
  • > Levantamento de Peso masc. até 61 kg - (CHN* > INA [Indonésia] > CAZ) // masc. até 67 kg - (CHN* > COL > ITA);
  • > Saltos Ornamentais Trampolim sincronizado 3m fem. - (CHN > CAN > ALE);
  • > Taekwondo até 57 kg fem. - (EUA > RUS > TUR/TPE [Taipe Chinês]) // até 68 kg masc. - (UZB > GBR > CHN/TUR);
  • > Tiro Esportivo Pistola de ar 10m fem. - (RUS* > BUL > CHN) // Carabina de ar 10m masc. - (EUA*> CHN > CHN) e;
  • > Tiro com arco Equipes fem. - (KOR > RUS > ALE).

*Estabeleceram novos recodes olímpicos

Brasileiros

Ítalo Ferreira foi o primeiro destaque brasileiro do dia

A grande estreia ficou por conta dos surfistas brasileiros, que não decepcionaram. Os quatro avançaram. Ítalo Ferreira foi o primeiro a cair na água, acumulou 13.67 pontos e passou em primeiro na bateria 1. Gabriel Medida teve um pouco mais de dificuldade na bateria 5, mas fez 12.23 pontos e também ficou em primeiro. Pontuação parecida com os 12.13 de Silvana Lima, que passou em segundo na bateria 3 entre as mulheres. Tati Weston-Webb fez 11.33, o suficiente para lhe garantir a primeira colocação na bateria 4.

>Wanderson de Oliveira venceu o refugiado Wessam Salamana no Boxe peso leve e avançou para as oitavas-de-final.

>Ana Sátila ficou em sétimo após duas baterias da Canoagem Slalom K1 e avançou para as semifinais.

>Dois empates em esportes coletivos: na estreia do Handebol feminino, 24-24 contra a Rússia. Já no futebol masculino, 0-0 contra Costa do Marfim.

>Na natação, Felipe Lima não passou da semifinal dos 100m peito. Assim como Murilo Setin não avançou para as semi nos 200m livre. Nesta mesma prova, Fernando Scheffer estipulou novo record sulamericano (1min45s05) e está entre os 16 melhores. Guilherme Bassettonão avançou nos 100m costas, mas Guilherme Guido sim e disputa a semifinal. Por fim, o revezamento 4x100m livre no masculino avançou para a final.

>Verthein Ferreira fez o segundo tempo em sua bateria do Remo Single Skiff 2000m e está na semifinal.

>Edval Pontes perdeu para o turco nas oitavas-de-final do Taekondo até 68 kg e foi eliminado.

>Gustavo Tsuboi estreou com vitória no Tênis de Mesa individual, 4 sets a 1. Já Bruna Takahashi perdeu por 4 sets a 0 e está fora da competição feminina.

>Patrícia Freitas está em 11º depois de três regatas da Vela Windsurf RS:X. Assim como Robert Scheidt, após uma regata da classe Laser.

>Vitória no Vôlei de Praia Masculino, com Evandro e Bruno Schmidt fazendo 2 a 1 nos irmão Grimalt, do Chile.

>Grande estreia do Vôlei feminino: 3 sets a 0 na Coreia do Sul (25/10, 25/22 e 25/19).

Bem-vindos ao mundo olímpico!

Publicado  quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Está é a minha postagem de número 300, uma contagem especial. Um projeto que começou há oito anos com meu ingresso na faculdade de jornalismo e com a pretensão (sonhadora) de noticiar os eventos da Olimpíada de Pequim/2008.
Esse sempre foi um espaço democrático de trazer um pouco de todos os esportes, mas sempre tive um carinho muito grande com aqueles que são modalidades olímpicas.
E é com enorme alegria que saúdo às novas modalidades que farão parte dos Jogos Olímpicos de Tóquio/2020. Nesta quarta, o Comitê Olímpico Internacional aprovou o ingresso de cinco esportes que abrilhantarão ainda mais o evento na terra do Sol nascente.
Caratê, Escalada Esportiva, Skate, Surf e Beisebol/Softbol são os recém-integrados ao programa olímpico. Caratê é luta de origem japonesa, mais uma que se junta ao Boxe, Judô, Luta Olímpica e Taekwondo. Escalada confesso que desconheço completamente da modalidade, mas deve ter seus atrativos para o público. Dois radicais que já tivemos campeões mundiais, Skate e Surf. Resta saber qual será o tipo a ser disputado, Street, Vertical e/ou Megarrampa nas quatro rodinhas e águas naturais ou piscinas artificiais para o shape com quilhas. Por fim, o Beisebol e sua versão feminina, o Softbol, que é uma febre no Japão e já esteve em outra edições dos Jogos, portanto regressa para a Olimpíada.
Fica aqui um questionamento a respeito de o porquê eventos como Futsal e Futebol de Areia não são considerados para entrar nesse grupo de modalidades, uma vez que têm campeonatos mundiais consolidados pela FIFA e alto número de praticantes. Também deixo registrado o desejo que o Kung Fu (modalidade milenar que pratico) entrasse nessa discussão, já esteve como exibição em Pequim/2008.

Medina vence em Fiji

Publicado  sexta-feira, 17 de junho de 2016

Neste ano, as águas do surf brasileiro vinham em ritmo de calmaria, não estava dando onda. Mas ontem chegou ao final a quinta etapa do mundial, em Fiji, e Gabriel Medina mostrou que, quando menos se espera, a brazilian storm aparece e agita os mares mundo afora. 
Medina venceu pela segunda vez a etapa da ilha do Pacífico e de quebra saltou para segundo no ranking, atrás apenas do australiano Matt Wilkinson, contra quem duelou na fase final da etapa. O brasileiro esteve bem e na liderança da bateria final o tempo todo, encaixou duas boas ondas e fez a somatória de 15,60 contra apenas 6,34 do líder.
Antes da final, Medina superou Adriano de Souza, atual campeão mundial, nas quartas-de-final e o endecacampeão (11x) Kelly Slater, na semifinal, numa bateria mais parelha, 14,67 contra 12,03.
Agora o ranking tem Wilkinson com 32.500 pontos, Medina foia para 24.000, apenas 100 pontos a mais que o havaiano John John Florence. Os brasileiros Ítalo Ferreira e Adriano de Souza completam o Top 5.
A próxima etapa será em Jeffreys Bay, na África do Sul, entre os dias 6 e 17 de julho, com o aumento da torcida por mais bons resultados dos brasileiros no caminho até Pipeline no fim do ano.

Assuntos de fim de ano

Publicado  quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Chega dezembro, campeonatos no Brasil acabam, mas a quantidade de fatos esportivos que têm acontecido nesse período deixam pouca saudade das disputas futebolísticas aqui. Gostaria de dar uma passada geral em alguns deles que vi, mas não comentei.

Rugby
O Brasil venceu a Colômbia por 44 a 0, no Canindé, em partida válida pela repescagem sul-americana, e se manteve na elite continental da modalidade clássica masculina. Pude acompanhar esse jogo de perto, sem o glamour do Pacaembu, mas deu pra ver como a Seleção é forte comparado a outros adversários regionais, talvez esteja longe do restante da elite, Chile, Paraguai e Uruguai, ainda mais da Argentina, mas o crescimento é nítido, ano que vem tem o Six Nations da América, é um trabalho contínuo que vem surtindo resultado, tímido é verdade, mas que tem potencial.

Handebol
As meninas brasileiras, campeãs mundiais em 2013, não conseguiram repetir o bom desempenho neste ano e foram eliminadas do campeonato mundial nas oitavas de final, contra a Romênia, por 25 a 22. A Noruega bateu a Holanda na final por 31 a 23 e mostraram o quanto será difícil se equivaler às atuais bicampeãs olímpicas, campeãs europeias e mundiais nas Olimpíadas do ano que vem. Por mais que a Seleção Brasileira tenha a empolgação da torcida ao seu lado e a melhor jogadora de 2014, a armadora Duda Amorim, o sonho brasileiro tem que almejar uma medalha em casa e ficar contente com prata ou bronze. Já seria um feito gigantesco. Ouro já há candidatas mais fortes.

UFC
O lutador José Aldo não conseguiu defender novamente seu cinturão dos pesos-pena. Perdeu mais rápido do que se lê essa nota para o irlandês Conor McGregor, a luta durou 13s. Foi o tempo do adversário acertar dois golpes, um deles efetivo no queixo do brasileiro, que simplesmente apagou. Um combate que foi muito aguardado e comentado, mas seria exagero falar que foi um despreparo de Aldo? É difícil analisar uma vez que não foi massacrado durante os rounds. Aconteceu um soco bem encaixado num ponto vital. Todos que praticam artes marciais sabem que qualquer um está sujeito a isso. Mas essas lutas parecem aquelas coisas armadas de boxe, de fazer um circo antes, mas quando chega as declarações depois do confronto, todos são humildes e reconhecem o "grande campeão que é o oponente".
No fim de semana seguinte, Rafael dos Anjos manteve seu cinturão da categoria peso-leve. Venceu o americano Donald Cerrone no primeiro round. Foi a primeira defesa de título do niteroiense.

Surf
É impressionante como essa modalidade vem ganhando cada vez mais torcedores e praticantes no país. Graças a famosa "Brazilian Storm". A geração brasileira que vem sendo preparada para enfrentar os grandes surfistas mundiais em condições de igualdade em preparo e técnica. Prova disso foi o campeonato mundial WCT, conquistado pelo Adriano de Souza. O Mineirinho, de 28 anos, é considerado de uma geração mais avançada que Gabriel Medina e Filipe Toledo, que também chegaram à última etapa, no Havaí, com possibilidades de conquista do título. Mesmo com uma idade mais avançada, mostrou um surfe de alta qualidade e contou com a "ajuda" de Medina, campeão ano passado, para garantir o posto de número um da elite mundial.
Adriano venceu a tradicional etapa de Pipeline, na final brasileira contra Medina, algo inédito para o Brasil. Este, por sua vez, faturou a tríplice coroa havaiana, com a somatória de resultados de duas etapas da divisão de acesso mais a final na elite. Como se não bastasse essas conquistas, Italo Ferreira foi considerado o estreante do ano, terminando em sétimo no ranking principal. Seis das onze etapas tiveram um brasileiro no alto do pódio, três delas com Filipe Toledo. Ainda, Caio Ibelli foi o melhor na categoria de acesso, subindo com mais três atletas nacionais, serão dez entre os 34 do ano que vem.
Mineirinho teve como principal adversário, o australiano Mick Fanning, tricampeão mundial. O surfista de Sydney teve um ano de superação, com direito a ataque de tubarão em duas oportunidades, resgate de um surfista havaiano, antes de começar a última etapa do circuíto e morte do irmão mais velho no dia em que poderia ser campeão. Ainda assim, Mick foi eliminado por Medina somente na semifinal, ficando com o vice campeonato. Adriano também teve a perda de um amigo próximo, Ricardinho, morto no começo do ano por policiais.

Mundial de Clubes
O Barcelona foi ao Japão e fez o que se espera do melhor time do mundo. Conquistou pela terceira vez em sua história o Mundial de clubes. Os culés se deram ao luxo de poupar Messi e Neymar na semifinal, com Suárez dando show solo e fazendo três gols contra os campeões asiáticos Guangzhou Evergrande. Na final, o River Plate mostrou a velha raça argentina, lutou bravamente, mas o trio MSN fez toda a diferença, aplicando um novo 3 a 0.
É o primeiro time a conquistar três vezes o Mundial desde quando a FIFA assumiu a organização do torneio. O uruguaio Suárez foi artilheiro da competição com cinco gol, eleito melhor da final e da competição. Neymar se junta a Cafu e Dida como os únicos brasileiros a conquistarem Libertadores, Champions e Mundial.
É o time que mais joga bonito, que mais faz gols, que bate recordes atrás de recordes. Não tem como contesta a superioridade dos catalães no mundo do futebol hoje. Têm dois dos três indicados ao prêmio de melhor jogador do ano. Têm um meio de campo fantástico composto com Iniesta, Rakitic e Busquets. Têm um goleiro que está defendendo bolas absurdamente difíceis. Bons laterais e zagueiros que atendem bem à proposta de jogo do eficiente técnico Luis Henrique. E não há perspectiva de alteração desse cenário tão cedo. O trio de ataque parece não saber quando será o auge de sua forma e entrosamento.