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Alemanha ou Holanda no grupo do Brasil pode ser ótimo caminho rumo ao hexa

Publicado  sexta-feira, 1 de abril de 2022


Finalmente chega o sorteio da FIFA da Copa do Mundo do Qatar/2022. O Brasil é um dos cabeças-de-chave do torneio. Há a possibilidade de enfrentar logo na primeira fase Alemanha ou Holanda, que estão no pote 2. Isso pode ser muito bom para a Seleção Canarinho na busca da sexta estrela.

Al Rihla, significa A Jornada, será a bola da Copa do Qatar

Nesta sexta-feira (1º de abril e não é mentira!), vão ser apontados os oito grupos com quatro seleções cada que disputarão o torneio mais visto e esperado da humanidade, a 22ª edição da Copa do Mundo de Futebol Masculino. As bolinhas que dirão quais os três primeiros confrontos de cada uma das 32 seleções começam a ser definidas às 13h (horário de Brasília). O sorteio acontece no país-sede, o Qatar, que será o primeiro país do Oriente Médio a receber a competição.

Por isso, o Qatar será cabeça-de-chave número 1 e estará no grupo A. É a seleção com ranking mais baixo da FIFA, ocupa a 51ª posição. Uma curiosidade: das 29 seleções já conhecidas, apenas Gana tem posicionamento pior, sendo a 60ª colocada. Falta definir três países, um da repescagem europeia que espera uma solução da guerra na Ucrânia, um do confronto Ásia-América do Sul e um entre Costa Rica x Nova Zelândia.


Os outros cabeças-de-chave seguem a ordem dos primeiros no ranking: Brasil, Bélgica, França, Argentina, Inglaterra, Espanha e Portugal. Significa dizer que essas seleções apenas se enfrentarão a partir das oitavas-de-final, contando que se classifiquem. Eles serão distribuídos e determinam certas particularidades para os times dos potes 2, 3 e 4.

A regra do sorteio é não enfrentar seleção do mesmo continente que o seu, com exceção da Europa, que tem 13 representantes, ou seja, cinco grupos terão dois europeus. Então, por exemplo, onde cair Argentina (pote 1) não pode ter Uruguai nos representantes do pote 2 e Equador e repescagem, do pote 4.


Assim, há possibilidades do Brasil ter um grupo muito fácil (México, Tunísia e Gana, por exemplo) ou um eventual "grupo da morte" (Alemanha, Polônia e Camarões, em um exercício de futurologia).

Idealmente, fala-se de ir em uma crescente na competição, então nenhum desses grupos estaria no melhor dos pensamentos de Tite. Buscar equilíbrio nos estilos de adversários e que consiga uma classificação tranquila, mas que possa ser desafiado para um ritmo mais forte para as fases seguintes.


Pensando em uma situação atrativa para a Copa já começar com expectativas altas, não seria ruim que tivesse em um grupo com Brasil e Alemanha ou Holanda. É a garantia de um grande jogo a ser assistido já na primeira fase e que, não necessariamente, elimine uma forte concorrente. Para o Brasil, defendo que seria o melhor cenário. Já que passou quase o ciclo inteiro sem enfrentar europeus, então teria um duelo bem considerável para se testar e ter parâmetro de forças, além de garantir que um desses não estaria no caminho já nas oitavas. Basta lembrar 2014, foram as duas derrotas da seleção (semifinal e disputa de terceiro). Claro que neste cenário seria interessante uma composição com Marrocos e Arábia Saudita ou Coreia do Sul e Gana, por exemplo. Outra curiosidade, o Brasil pode enfrentar os mesmos adversários da primeira fase da Copa da Rússia/2018: Suíça, Sérvia e Costa Rica.


De qualquer forma, acredito que o mais interessante seja "fugir" do grupo vizinho enroscado. Já que há o enfrentamento de primeiro de um grupo enfrentando o segundo do outro (A com B, B com A, C com D, D com C e assim até H com G). Então não adianta muita coisa um grupo relativamente tranquilo e esperar um adversário das oitavas que saia de um grupo com França e Holanda ou Inglaterra e Alemanha, por exemplo.

Tóquio 2020 - Dia 16: Últimos brilhos eternos de uma mente cheia de lembranças

Publicado  domingo, 8 de agosto de 2021


Chega ao fim as disputas de Tóquio com as últimas medalhas pendurada no peito dos campeões. O Brasil esteve com a bandeira no pódio duas vezes com duas pratas. Assim, a "terra do sol nascente" carrega a melancolia de ser a "terra do brilho poente", mas deixando grandes lembranças para quem se envolveu com os XXXII Jogos da Era Moderna.


Coube à Sérvia a última vitória na Olimpíada de Tóquio-2020. Foi um 13 a 10 sobre a Grécia no Polo Aquático. Curiosamente, o país-berço dos Jogos estava presente na disputa do último ouro. Os sérvios tiveram dificuldades para confirmar o bicampeonato seguido no masculino, mas impuseram a sua maior força e técnica. A Hungria completou o pódio ao vencer a Espanha por 9 a 5, na disputa pelo bronze.

No entanto, não será o último país a ouvir seu hino em cima do degrau mais alto. Tradicionalmente, a maratona masculina do Atletismo é a última prova a ser coroada, dentro da cerimônia de encerramento. Uma novidade que essa edição trouxe, o pódio feminino da mesma prova também será consagrado durante a cerimônia. Desta forma, por duas vezes, o hino a ser tocado será do Quênia. Ontem, Peres Jepchirchir teve uma vitória apertada, com o tempo de 2h27min20, sobre a compatriota Brigid Kosquei, que chegou apenas com 16 segundos de desvantagem. Molly Seidel, dos Estados Unidos, quase fura a festa dupla do país africano. Ficou com a terceira colocação, dez segundos depois.


Hoje, o astro Eliud Kipchoge arrancou com muitos quilômetros faltando para cumprir com seu favoritismo. Chegou destacado, com 2h08min38 no percurso da cidade de Sapporo, que foi escolhida como local de competição por causa da alta umidade em Tóquio. Mais de um minuto depois, chegou Abdi Nageeye, que nasceu na Somália, mas compete pela Holanda. Imigração parecida realizada pelo terceiro colocado, Abdi Bashir, com mesma origem, mas que carrega a bandeira da Bélgica. A prova contou com a participação de três brasileiros. Daniel Chaves da Silva abandonou ainda nos primeiros quilômetros da prova. Daniel do Nascimento, chegou a liderar e sempre manteve-se no grupo da frente, mas teve um mal súbito e também não conseguiu completar o trajeto. O único que atravessou a linha de chegada, Paulo Roberto de Paula, terminou em 69º.

Resumo do dia

Considerável o número de medalhas para o último dia de competições:

  • > Basquete feminino - (EUA > JAP);
  • > Boxe peso leve fem. - (IRL > BRA) // peso leve masc. - (CUB > EUA) // peso médio fem. - (GBR > CHN) // peso super pesado masc. - (UZB > EUA);
  • > Ciclismo de Pista sprint fem. - (CAN > UCR > HKG) // keirin masc. - (GBR > MAL > HOL) // omnium fem. - (EUA > JAP > HOL);
  • > Ginástica Rítmica geral por equipes - (BUL > RUS > ITA);
  • > Handebol masc. - (FRA > RUS > NOR) e;
  • > Vôlei fem. - (EUA > BRA > SER).

Brasileiras

Outras duas participações brasileiras eram mais aguardadas. Beatriz Ferreira, no Boxe, e o time de Vôlei feminino ainda alimentavam o sonho de dois ouros, o que passaria a marca de sete obtidos na Rio-2016. Todavia, ambas tentativas fecharam a participação brasileira com duas pratas que devem ser igualmente valorizadas como as outras 19 que o país conquistou. No peso leve feminino, Bia até fez um primeiro round equilibrado com a irlandesa Kellie Harrigton, mas nos outros dois ficou mais latente a predominância da adversária no combate. Já as meminas que foram para quadra, não tiveram chances perante uma seleção americana, líder do ranking mundial e absolutamente favoritas. As parciais de 25/21, 25/20 e 25/14 não deixam margem para que o sonho fosse maior do que o alcançado.

Com isso, mais uma edição olímpica fica para trás, repleta de polêmicas, desde se deveria ter sido realizada na crise que a humanidade vive até presença de público e as influências das redes sociais. O fato é que aconteceu mais uma vez, com um ano de adiamento, os Jogos Olímpicos de Tóquio. E o que não faltará são grandes momentos, grandes personagens, grandes conquistas para que, quando olharmos a história e pensarmos "apesar de...", tenhamos a certeza que pudemos presenciar novamente grandes feitos realizados por esta espécie e cultivemos as mais lindas lembranças que a esportividade nos traz.

Tóquio 2020 - Dia 15: Receita campeã tem acarajé, azeite de dendê e vatapá

Publicado  sábado, 7 de agosto de 2021

Montagem sobre fotos de COB e CBF

Tá com fome e quer uma receita de sucesso? Mexa os ingredientes para a massa como Isaquias Queiroz mexe a pá na água, bata o recheio como Hebert Conceição e acrescente um molho experiente como Daniel Alves. Leve ao forno e sirva em uma bandeja dourada. Não tem como não fazer sucesso no fim de semana do dia dos país. Apesar de parecer culinária, essa é uma crônica de esporte.

Isaquias Queiroz, Hebert Conceição e Daniel Alves são atletas e não cozinheiros. Mas têm mais aspectos em comum desses três: todos conquistaram medalha de ouro no décimo quinto dia de competições para o Brasil (Canoagem Velocidade, Boxe e Futebol, respectivamente) e todos são orgulhosamente baianos. Se tem uma terra arretada, porreta de produzir campeões nessa edição dos Jogos de Tóquio é a Bahia. Mesmo lugar de origem de Ana Marcela Cunha, campeã da Maratona Aquática. E que pode produzir mais uma medalhista dourada, Beatriz Ferreira, no último dia de competições. O "país" baiano estaria entre as 20 potências esportivas do mundo. Além de ter uma culinária excelente que deve servir de combustível para tanto campeão. Muito axé!

Foto: Jonne Roriz/COB

Para um bom prato baiano ingredientes frescos e típicos da região são fundamentais. Muitas vezes precisa de um ingrediente úmido, leite ou água, para unir os outros ingredientes secos e deixar a massa mais macia. Esses fluídos precisam de uma batedeira bem forte e constante para deixar a massa homogênea. Tipo como o Isaquias Queiroz. Poucas vezes uma atuação individual foi tão soberana e imponente o remador de Ubaitaba. Na prova da Canoagem Velocidade C-1 1000m, venceu sua semifinal com folga e teve o privilégio de competir na raia central da final, por ter um dos melhores tempos. Desde o início foi destaque pela força e facilidade com que conduzia a canoa. Por determinado tempo, até metade da prova, esteve ao lado do chinês Hao Liu, que ficou com a prata. Serghei Tarnovschi, da Moldávia, que terminou com o bronze, não fez sombra. E por mais que sejam bons países, para a receita tem que ter resistência baiana mesmo. Então Isaquias conseguiu abrir mais de uma canoa de vantagem e terminou a massa em 4min04s408, tempo ideal para dar liga e deixar descansando até juntar com o recheio. Aqui vem uma dica fundamental para dar um diferencial ao sabor. Adicione instruções espanholas para trazer ares mediterrâneos. Isso porque Isaquias tinha o treinador Jesus Morlán, que morreu em 2018, com 52 anos, vítima de câncer no cérebro, e que deixou todo o cronograma de treinos para que seu pupilo cumprisse até os Jogos. Infelizmente, não conseguiu ver a consagração material do ouro, mas não deixou de ser lembrado nessa receita.

Foto: Wander Roberto/COB

O recheio pode ser uma carne ucraniana ao murro. É preciso ter uma mão de tijolo para esmurrar essa carne mais dura com eficiência e solte mais sabor quando for ao forno. Até irá pensar que está apanhando da carne, mas seja persistente e destemido como Hebert Conceição perante Oleksandr Khyzhniak, que batia, mas vinha perdendo a mão nos dois primeiros rounds. Faltando 1min40 a carne vai esmolecer, vai abrir a guarda. Esse é o momento de acertar um cruzado de esquerda na ponta do queixo. O bicho vai se retorcer, vai cair na lona. Quando tentar voltar, o termômetro vai indicar fim do preparo. Pode ter certeza que fez o certo e pode juntar com a massa para ir ao forno. Foi assim que o pugilista de Salvador fez no peso médio. Como uma cena de Rocky Balboa, que já daria por vencido, encontrou um golpe heroico no final e, incomumente, virou a luta com um nocaute. Fato que não acontecia em Olimpíadas há 25 anos. A vitória ficou maior ao saber que o rival não perdia a 62 lutas. Um sabor de ouro inigualável e um recheio maestral para um dia olímpico.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Por fim, é preciso fazer um molho que vá juntar tudo naquela garfada saborosa quando está experimentando o prato. Aqui pode variar os ingredientes que for colocar, mas é importante ter um caldo grosso, envelhecido, de boa procedência e, de preferência, bem premiado internacionalmente. Uma boa indicação é o vinho Daniel Alves, safra 83, que venha de Juazeiro. Ele fica melhor com o tempo então é importante deixa curá-lo com bastante antecedência. Assim foi o capitão do time brasileiro de Futebol. Os demais ingredientes pareciam que não trariam um bom sabor contra uma paella espanhola na terceira final seguida da seleção em Jogos Olímpicos. Mas a percepção de Daniel Alves, ao salvar uma bola e recolocá-la na área, fez o ingrediente Matheus Cunha brilhar e abrir o placar da decisão. Já vinha tensa porque Richarlison tinha perdido um pênalti no começo e poderia ter azedado a receita. O próprio lateral direito aparentou que iria desandar ao ter sido desligado do fogo e ver Mikel Oyarzabal fazer gol nas suas costas. Mas a experiência desse vinho, já tão apreciado na própria Espanha por tantos anos, deu o caminho para o chef Jardine. Como falado, é melhor com mais tempo para incorpar os outros sabores. Então uma prorrogação, apesar de angustiante para quem já está com fome, deixa o prato com um gratinado especial. Então o chef, que parecia teimar com o que começou a receita, entendeu que precisava acrescentar um Malcom, vindo do banco para dar o toque final. Assim, no segundo tempo da extensão, já com o papel alumínio aberto, um contra-ataque certeiro deu a pincelada que faltava para painho ficar feliz com prato, talheres e guardanapo dourados e se esbaldar de comer o maravilhoso resultado de tantos esforços.


A expectativa do Brasil de vitórias no dia era alta, mas dificilmente pensar que viriam três ouros no mesmo dia, fato que nunca tinha acontecido na história olímpica do país.

Resumo do dia


Duas histórias mundiais fantásticas: ontem Kiyuna Ryo foi o primeiro japonês a conquistar ouro no Caratê e levou a foto da mãe para o pódio: "Depois de vencer, eu gostaria de dizer a minha falecida mãe que eu mantive a promessa de buscar a vitória nas Olimpíadas", declarou o carateca. Não tem como não se emocionar. Hoje, ao vencer o revezamento 4x400m com a equipe americana no Atletismo, Allyson Felix tornou-se a maior medalhista da modalidade, entre mulheres e homens, de toda história. Ela soma 11 medalhas desde Atenas 2004. Superou seu compatriota Carl Lewis, que conquistou dez entre Los Angeles-84 e Atlanta-96.

As medalhas:

  • > Atletismo maratona fem. - (QUE > QUE > EUA) // salto em altura fem. - (RUS > AUS > UCR) //  10000m fem. - (HOL > BAH > ETI) // lançamento de martelo masc. - (IND > CZE > CZE) // 1500 m masc. - (NOR* > QUE > GBR) // rev. 4x400m fem. - (EUA > POL > JAM) // masc. - (EUA > HOL > BOT);
  • > Basquete masc. - (EUA > FRA > AUS) // fem. (disp. bronze FRA 91 x 76 Sérvia);
  • > Beisebol masc. - (JAP > EUA > DOM);
  • > Boxe peso mosca masc. - (GBR > FIL) // fem. - (BUL > TUR) // meio-médio fem. - (TUR > CHN)
  • > Canoagem Velocidade C-2 500m fem. - (CHN > UCR > CAN) // K-4 500m fem. - (HUN > BLR > POL) // K-4 500m masc. - (ALE > ESP > SLK);
  • > Caratê kumitê acima de 61 kg fem. - (EGI > AZE > CAZ/CHN) // acima de 75 kg masc. - (IRA > SAU > TUR/JAP);
  • > Ciclismo de Pista madison masc. - (DIN > GBR > FRA);
  • > Ginástica Rítmica geral individual - (ISR > RUS > BLR);
  • > Golfe fem. - (EUA > JAP > NLZ);
  • > Handebol masc. - (FRA > DIN > ESP);
  • > Hipismo saltos por equipes - (SUE > EUA > BEL);
  • > Luta Olímpica estilo livre até 65 kg masc. - (JAP > AZE > IND/RUS) // até 97 kg masc. - (RUS > EUA > ITA/CUB) // até 50 kg fem. - (JAP > CHN > EUA/AZE);
  • > Natação Artística equipes - (RUS > CHN > UCR);
  • > Pentatlo Moderno masc. - (GBR > EGI > KOR);
  • > Polo Aquático fem. - (EUA > ESP > HUN);
  • > Saltos Ornamentais plataforma 10m masc. - (CHN > CHN > GBR);
  • > Vôlei masc. - (FRA > RUS > ARG) e;
  • > Vôlei de Praia masc. - (NOR > RUS > QAT).
*Estabeleceu novo recorde olímpico

Brasileiros

>A equipe de Ginástica Rítmica ficou com a 12ª colocação nas apresentações iniciais e não avançou.

>Já no Hipismo saltos por equipe, os cavaleiros brasileiros ficaram com a sexta posição na final.

>Grata surpresa ao ver o jovem Kawan Figueiredo Pereira, de 19 anos, que concluiu a prova dos Saltos Ornamentais em 10º.

>O Vôlei masculino perdeu a decisão do bronze por 3 sets a 2 para a Argentina.

Tóquio 2020 - Dia 14: A "esperada" marca de 20 medalhas

Publicado  sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Com a vitória do Brasil no Vôlei sobre a Coreia do Sul, o país garantiu, pelo menos, 20 medalhas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Um recorde na história olímpica do país, superando a marca anterior alcançada em casa. É um grande feito, mas...

Infelizmente, vivemos em uma cultura de valorização de tragédias em detrimento de conquistas e espetacularização de dramas. Começo o texto com a (impopular) opinião de que o caso de doping da jogadora Tandara ganhou, desnecessariamente, mais repercussão que a classificação do time feminino de Vôlei para mais uma final. A partir do momento em que a jogadora foi desligada da delegação e pegou voo de volta para o Brasil, a questão passa a ser muito mais da esfera jurídica do que disputa esportiva, portanto não considero mais relevante para o momento.

Esportivamente, o time parece não ter se afetado além do fato de terminar a competição com uma atleta a menos. Mais do que isso, encontrou mais motivação e força para fazer uma partida impecável perante a Coreia do Sul, 3 sets a 0, com parciais idênticas de 25/16. 

Com isso, o Brasil, que efetivamente tem 16 medalhas, garantiu mais uma além de outras três que estão na conta (futebol masculino e boxe fem. e masc.). Isso significa dizer que o Time Brasil atingiu a marca de 20 pódios em Tóquio, um a mais do que teve na Rio-2016, recorde histórico de todas as edições. Ainda há possibilidades com Isaquias, na Canoagem, Vôlei masculino e, muito remotamente, no Hipismo por equipes e maratona masc. no Atletismo.

Trabalhando com o número realístico de 22 medalhas obtidas, é preciso fazer uma análise do que isso representa. Quero ressaltar que é um número excelente dentro de possibilidades que o Brasil apresenta, principalmente com falta de um Ministério do Esporte, redução de investimentos após a Olimpíada do Rio e de bolsas-atleta e com todas as adversidades que a pandemia trouxe. Mas, tanto as 19 medalhas há cinco anos, como a quantidade de agora, dão uma falsa impressão que avançamos na cultura esportiva.

Naturalmente o país sede de uma edição de Jogos Olímpicos tem um desempenho acima de sua média histórica. No Brasil, isso ficou mais evidente por um grande investimento realizado para a ocasião e que ainda gerou frutos no Japão. Contudo, já é sentido agora essa falta de continuidade de política pública do esporte nacional. Isso porque só foi possível ultrapassar a marca, graças ao ingresso de novas modalidades que já tínhamos campeões mundiais e fomos como favoritos, como o Surfe e o Skate. Assim, se tirarmos as quatro medalhas obtidas nessas competições, em comparação com o Rio, ficamos com 18 conquistas. Se não é uma perda substancial, é, no mínimo, uma estagnação. 

Ao olharmos para Paris-2024 que teremos, inclusive, um ciclo menor de tempo, investimento e competições, será preciso entrar mais quantos outros esportes que temos destaque para continuar com essa tão sonhada marca de 20 medalhas que atingimos nesta edição? Ou estamos fadados ao mesmo destino da Grécia, em menores proporções? Em 2004, o país-berço das competições terminou na 15ª colocação, com 16 medalhas, sendo seis ouros, seis pratas e quatro bronzes. Na edição atual, ocupa a 36ª colocação, três medalhas, sendo dois ouros e um bronze.

Resumo do dia

Por volta de 25 pódios estiveram em disputa. Estão chegando as últimas modalidades com apenas mais dois dias de competições. Aos resultados:

  • > Atletismo marcha atlética 50 km masc. - (POL > ALE > CAN) // 20 km fem. - (ITA > COL > CHN) // lançamento de dardo fem. - (CHN > POL > AUS) // 5000m masc. - (UGA > CAN > EUA) // 400m fem. - (BHM > DOM > EUA) // 1500m fem. - (QUE* > GBR > HOL) // rev. 4x100m fem. - (JAM > EUA > GBR) // masc. - (ITA > GBR > CAN);
  • > Boxe peso médio fem. - (bronze para RUS/HOL - disp. ouro CHN x GBR) // peso leve masc. - bronze para AUS/ARM - disp. ouro CUB x EUA) // peso pesado masc. - (CUB > RUS);
  • > Caratê kata masc. - (JAP > ESP > TUR/EUA) // kumitê até 61 kg fem. - (SER > CHN > TUR/EGI) // kumitê até 75 kg masc. - (ITA > AZE > UCR/HUN);
  • > Ciclismo de Pista madison fem. - (GBR > DIN > RUS) // sprint masc. - (HOL > HOL > GBR);
  • > Escalada esportiva combinado fem. - (SLV > JAP > JAP);
  • > Futebol masc. disp. bronze - MEX 3 x 1 JAP // fem. disp. ouro - CAN 1 (3) x (2) 1 SUE (pen);
  • > Hóquei sobre Grama fem. - (HOL > ARG > GBR);
  • > Luta Olímpica estilo livre até 74 kg masc. - (RUS > BLR > UZB/EUA) // até 125 kg masc. - (EUA > GEO > TUR/IRA) // até 53 kg fem. - (JAP > CHN > MGL/BLR);
  • > Pentatlo Moderno fem. - (GBR > LIT > HUN);
  • > Tênis de Mesa por equipes masc. - (CHN > ALE > JAP) e;
  • > Vôlei de Praia fem. - (EUA > AUS > SUI).
*Estabeleceu novo recorde olímpico

Brasileiros

Uma tristeza a história de Érica de Sena na marcha atlética 20 km. Fez uma prova consistente, chegou a liderar nos quilômetros iniciais. Sempre esteve no pelotão da frente. Na última volta do circuito de um quilômetro, sofreu sua terceira penalização, o que implica em aguardar parada, em uma área específica, por dois minutos. O problema foi as circunstâncias dessa penalidade. Estava em terceiro, aproximando-se da segunda colocada, mas com pouca vantagem para as concorrentes atrás. Além disso, a área para cumprir a punição ficava cerca de 200m da chegada. Ou seja, ela deu a volta inteira acreditando em uma medalha e concluiu a prova aos prantos, já que nesse tempo, despencou para a 11ª posição.

>Isaquias Queiroz venceu sua bateria na Canoagem Velocidade C-1 1000m e foi direto para a semifinal. Jacky Godmann não teve o mesmo desempenho e tentou avançar através de uma nova bateria nas quartas-de-final. Novamente não terminou entre os primeiros e despediu-se da competição.

>Mesmo com 25 pontos de penalização, a equipe de saltos no Hipismo conseguiu a classificação para a final com a oitava colocação.

>Maria Ieda Guimarães sofreu uma queda do cavalo, durante a realização do percurso de hipismo, uma das cinco modalidades do Pentatlo Moderno. Com isso, foi eliminada antes da prova final de tiro e corrida.

>Kawan Pereira surpreendeu nos Saltos Ornamentais plataforma 10m. Somou 371,65 pontos e classificou-se para a semifinal entre os 18 melhores atletas. Isaac Souza competiu na mesma prova, mas terminou em 20º.

Tóquio 2020 - Dia 13: A arte da alquimia com medalhas

Publicado  quinta-feira, 5 de agosto de 2021


Atletas brasileiros estão empenhados em transformar um sonho em medalha, um bronze em prata ou ouro e, com seus elixires, buscam a vida eterna no Panteão Olímpico. Pedro Barros transformou suas manobras em prata, Bia Ferreira e Herbert Conceição evoluíram seus bronzes e o Vôlei masculino, perdeu a mão mágica, e voltou ao pó.

Alquimia é a prática medieval que utilizava os primeiros fundamentos da química, física, biologia, medicina, semiótica, arte, antropologia, matemática e outras ciências. Tinha dois objetivos principais: transmutação de metais de menor valor em ouro e obtenção da vida eterna, com a retirada de todos os males. Pois bem, ao chegar os momentos decisivos da Olimpíada de Tóquio, muitos competidores brasileiros estão se tornando especialistas nesta ciência mística. Alguns tiveram sucesso, outros chegaram a ver o brilho, mas amarguraram o insucesso das transformações.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB

O caso de maior sucesso comprovado foi de Pedro Barros, no Skate park. O catarinense "Super Sayajin" executou uma alquimia quase perfeita na pista de Bowl japonês. Levitou, voou, girou, saltou. E para quem já tinha um título mundial, transformou o sonho olímpico em uma prata verdadeira, além de ter conseguido a imortalidade. Seu nome estará para sempre no Hall da Fama olímpica, como um dos três primeiros a figurar no pódio da modalidade na história. Só não esteve tão encantado quanto o australiano Keegan Palmer, que encontrou a melhor fórmula logo na primeira volta e apenas aperfeiçoou seu ouro na sequência.

Por muito pouco, Luiz Francisco não encontrou o caminho para o bronze. Fez tudo o que era necessário para que surgisse o metal, mas havia o americano Cory Juneau que já tinha tocado e imantado para perto de seu peito.

Darlan Romani, no arremesso de peso do Atletismo, foi na mesma linha de Luizinho. Como ele mesmo descreveu, deu 200% na prova. Contudo 21, múltiplo dos míticos 3 e 7, não era o resultado da equação necessária para chegar ao pódio. Lançou a esfera a 21.88m de distância. Talvez fosse impossível alcançar o mais reluzente metal com o novo recorde olímpico de 23,30m obtidos pelo americano Ryan Crouser. Mas para chegar ao bronze, precisava de mais 60 cm. Ficou em quarto.



Um esporte que, assim como o Skate, tem fornecido os ingredientes ou materiais perfeitos para grandes transformações, em todos os sentidos, é o Boxe. Como se não bastasse estar transformando socialmente pessoas carentes para o lado da cidadania e capacidade, tem produzido verdadeiros campeões. Depois de Abner Teixeira ter fabricado bronze, hoje foi a vez de Beatriz Ferreira, no peso leve, e Hebert Conceição, no peso médio, transformarem o metal menos nobre. Não se sabe qual será o resultado, pois demora alguns dias a transformação completa. Venceram suas lutas nas semifinais e, se tiverem a mão de pedra filosofal certa, podem alcançar a imortalidade na final, ao lado de Servílio de Oliveira, Éder Jofre, Popó e tantos outros.

Por outro lado, um laboratório que era conhecido por seus fantásticos resultados, perdeu a mão. Esse "centro de excelência", como ficou conhecido a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), depois de ver todas as suas duplas construírem castelos de areia, está vendo suas cartas marcadas da quadra se transformar em pó. Isso porque o time masculino perdeu de forma inacreditável para a Rússia na semifinal e vai disputar o bronze com a Argentina. Tinha todos os ingredientes para continuar fabricando o mesmo ouro da Rio-2016, mas distribuições erradas de jogo somadas com apatia e falta de substituições fizeram toda a receita vitoriosa ser revertida em latão, um metal usado para sucata. O único bruxo que pode salvar a credibilidade da entidade é Zé Roberto e suas feiticeiras raivosas.

Resumo do dia

  • > Atletismo salto triplo masc. - (POR > CHN > BKN [Burkina Faso]) // arremesso de peso masc. - (EUA* > EUA > NZL) // 110m com barreiras masc. - (JAM > EUA > JAM) // marcha atlética 20 km masc. - (ITA > JAP > JAP) // salto com vara fem. - (EUA > RUS > GBR) // 400m masc. - (BHM [Bahamas] > COL > GRA [Granada]) // heptatlo fem, - (BEL > HOL > HOL) // decatlo masc. - (CAN > FRA > AUS);
  • > Boxe peso leve fem. - (bronze para FIN/THA - disp. ouro BRA x IRL) // peso mosca masc. - bronze para CAZ/JAP - disp. ouro GBR x FIL) // peso médio masc. - (bronze para RUS/FIL - disp. ouro BRA x UCR) // peso pena masc. - (RUS > EUA);
  • > Canoagem Velocidade K-1 200m masc. - (HUN > ITA > GBR) // C-1 200m fem. - (EUA > CAN > UCR) // K-1 500m fem. - (NLZ > HUN > DIN) // K-2 1000m masc. - (AUS > ALE > CZE);
  • > Caratê kata fem. - (ESP > JAP > ITA/HKG) // kumitê até 67 kg masc. - (FRA > TUR > CAZ/JOR) // kumitê até 55kg fem. - (BUL > UCR > TPE/AUT);
  • > Futebol fem. disp. bronze - EUA 4 x 3 AUS;
  • > Luta Olímpica estilo livre até 57 kg masc. - (RUS > IND > EUA/CAZ) // até 86 kg masc. - (EUA > IRA > SMN/RUS) // até 57 kg fem. - (JAP > BLR > BUL/ EUA);
  • > Maratona Aquática - 10km masc. - (ALE > HUN > ITA);
  • > Saltos Ornamentais plataforma 10m fem. - (CHN > CHN > AUS);
  • > Skate park masc. - (AUS > BRA > EUA) e;
  • > Tênis de Mesa por equipes fem. - (CHN > JAP > HKG).

Brasileiros

>Os revezamentos 4x100m fem. e masc. correram para buscar uma final, mas não ficaram entre os melhores tempos. Três marchadores foram para a prova dos 20 km. Um terminou em 13º, outro 46º e o último não completou. Teve ainda Darlan Romani no arremesso já falado.

>No Pentatlo Moderno, Maria Ieda Guimarães terminou a parte de esgrima em 33º. Amanhã a prova continua.

>Três brasileiros tinham chance de medalha no Skate park. Só Pedro Barros subiu ao pódio. Luiz Francisco ficou em quarto e Pedro Quintas, em oitavo.

Tóquio 2020 - Dia 12: Ana Marcela Cunha, sinônimo de obstinação

Publicado  quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Foto: Jonne Roriz/COB

Ana Marcela Cunha conquista ouro na Maratona Aquática. Foi brilhante e obstinada em buscar um triunfo que perseguia desde Pequim-2008. Deixa gravado seu nome na história olímpica. Agora vai atrás da vitória dos 10 km em Mundiais para completar sua coleção vitoriosa. 

Imagina uma pessoa que já conquistou inúmeras vezes o mais alto posto e em provas e campeonatos diferentes. Assim é Ana Marcela Cunha, baiana de 29 anos. É tetracampeã mundial da prova dos 25 km. Atual campeã da prova dos 5 km. Atual campeã dos Jogos Pan-Americanos nos 10 km. Tem mais duas pratas e cinco bronzes em mundiais. Um currículo completo, que sempre a credencia como uma das favoritas.

Mas faltava a láurea mais importante da modalidade, a olímpica. Em 2008, na China, estreou com 16 anos e terminou em quinto. Passou pelo trauma de não conseguir a vaga para Londres-2012. Veio para o Rio-2016 como grande favorita. Teve problemas com alimentação durante a prova e terminou em décimo. Por mais que tenha ficado feliz pelo bronze de Poliana Okimoto, ainda precisava de seu momento de protagonismo.

Foto: Jonne Roriz/COB

A preparação foi tamanha que, ao ser entrevistada depois da prova, confessou, em um diálogo com seu treinador Fernando Possenti: "as outras competidoras vão ter que nadar muito para me vencer". Até nadaram bem, mas Ana Marcela se impôs já nos primeiros quilômetros da prova e não deixava a liderança nem nos momentos de abastecimento. A obstinação com a conquista foi transmitida até para os seres que habitam a marina Odaiba. Em um registro muito feliz do fotógrafo do COB, até um pequeno peixe saltou para desviar do caminho de Ana Marcela. Seu técnico ficou satisfeito mas também lembrou que o foco é buscar essa mesma conquista no Mundial de Esportes Aquáticos, adiado para 2022, novamente em águas japonesas. Dessa forma que um campeão é forjado, sempre em busca de uma nova conquista.

Foi o quarto ouro do Brasil em Tóquio e a décima quinta medalha no total até o momento.

Foto: Jonne Roriz/COB

Falando em campeã e conquistas, Rebeca Andrade foi anunciada como a porta-bandeira do Brasil na cerimônia de domingo dos Jogos de Tóquio. O que acaba sendo um triste lembrete de que já foram três quartos da Olimpíada e que, infelizmente, já está acabando. 

Resumo do dia


Uma das melhores histórias do dia foi do georgiano Lasha Talakhadze. O halterofilista já era campeão na categoria máxima do levantamento de peso no Rio-2016 (acima de 105kg). Nesta quarta-feira, repetiu o feito no tablado japonês com direito a novo recorde mundial. A categoria sofreu uma alteração para acima de 109 kg, mas não impediu o atleta da Georgia levantar 223 kg de arranque e estipular nova referência desta parte da competição. Não contente, levantou 265 kg no arremesso, também determinando novo patamar de peso a ser erguido. O total foi de 488 kg, um valor com 47 quilos a mais que o concorrente mais próximo.

Medalhas

  • > Atletismo 400m com barreiras fem. - (EUA** > EUA > HOL) // 3000m com obstáculos fem. - (UGA > EUA > QUE) // lançamento de martelo masc. - (POL > NOR > POL) // 800m masc. - (QUE > QUE > POL) // 200m masc. - (CAN > EUA > EUA);
  • > Boxe peso mosca fem. - (bronze para JAP/TPE - disp. ouro BUL x TUR) // peso meio-médio fem. - (bronze para EUA/IND - disp. ouro CHN x TUR) // peso super pesado masc. - (bronze para CAZ/GBR - disp. ouro EUA x UZB) // peso meio-pesado masc. (CUB > GBR);
  • > Ciclismo de Pista perseguição por equipes masc. - (ITA** > DIN > AUS);
  • > Hipismo saltos individual - (GBR > SUE > HOL);
  • > Levantamento de Peso acima de 109 kg masc. - (GEO** > IRA > SIR);
  • > Luta Olímpica estilo greco-romano até 67 kg masc. - (IRA > UCR > EGI/ALE) // até 87 kg masc. - (UCR > HUN > SER/ALE) // estilo livre até 62 kg fem. - (JAP > QGZ > BUL/UCR);
  • > Maratona Aquática 10km fem. - (BRA > HOL > AUS);
  • > Natação Artística duetos - (RUS > CHN > UCR);
  • > Skate park fem. - (JAP > JAP > GBR) e;
  • > Vela classe 470 masc. - (AUS > SUE > ESP) // classe 470 fem. - (GBR > POL > FRA).
**Estabeleceram novos recordes mundiais

Brasileiros

>Depois de cinco eventos no decatlo masc., Felipe dos Santos está na 12ª colocação. Dois atletas estiveram nas semifinais dos 110m com barreiras masc., mas nenhum avançou para a final.

>Yuri Mansur teve duas faltas no Hipismo saltos individual, com seu cavalo Alfons, e terminou em 20º lugar.

>Nos Saltos Ornamentais plataforma 10m fem., Ingrid Oliveira ficou com a 24ª posição na fase preliminar. Apenas 18 competem na final.

>Três brasileiras competiram no Skate park. Isadora Pacheco não passou da preliminar. Dora Varella e Yndiara Asp passaram para a final, mas ficaram em 7º e 8º, respectivamente.

>Fernanda Oliveira e Ana Barbachan terminaram na 9ª colocação na Vela classe 470 fem. depois da regata das medalhas.

>O Vôlei de Praia não têm mais duplas representantes de qualquer gênero na disputa. Alison/Álvaro Filho perderam nas quartas para a dupla da Letônia.

>Já o Vôlei na quadra segue firme. O time feminino teve uma virada fantástica contra a Rússia, por 3 sets a 1 e avançou para a semifinal.

Tóquio 2020 - Dia 11: Não deixe que eu acorde desta terça-feira olímpica

Publicado  terça-feira, 3 de agosto de 2021

Foto: Jonne Roriz/COB
O décimo primeiro dia de competições de Tóquio parecia um sonho, daqueles que, quando acorda, você tenta retornar só para curtir mais um pouco. Grande número de medalhas durante a madrugada inteira, três quebras de recordes mundiais e Brasil potência esportiva, com direito a bicampeonato olímpico e mais três bronzes.

Esse negócio de ficar acordado por muitas madrugadas seguidas e trocar o dia pela noite, dá um nó em nossas cabeças. Veja só, quando que veríamos o Brasil ter chances de conquistar ou assegurar oito ou nove medalhas no mesmo dia? Assistir muito a Olimpíada dá nessas coisas. Desta terça-feira dos sonhos, o país teve reais condições de cinco medalhas e levou um ouro e três bronzes. Ainda tinha remotas possibilidades de mais três. E poderia ter assegurado mais três e assim o fez em duas.

O sonho começou como "pesadelo", se é possível chamar um quarto lugar do mundo dessa forma. Isaquias Queiroz buscava mais uma medalha na Canoagem Velocidade K-2 1000m. Ao lado do novo parceiro Jacky Godmann, justificou o favoritismo de uma vaga na final, com o segundo tempo da bateria. Contudo, a dupla não conseguiu emparelhar com cubanos, chineses e alemães na final. Terminaram na quarta colocação.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB
A partir daí o sono passou a ficar mais profundo e tranquilo, com muitas alegrias. O jovem Alison dos Santos correu leve como uma pluma e passou pelas barreiras como nuvens que se desfaziam. Nos 400m com barreiras, ele foi um dos protagonistas de uma das provas mais tecnicamente bem disputadas e difíceis até agora. Quase todos os oito atletas estipularam novas marcas pessoais, da temporada, do país, continentais (caso dele próprio, com recorde sul-americano pelo tempo de 46s72) ou mundial. O norueguês Karsten Warholm ficou com o ouro, com o fantástico tempo de 45s94 e o americano Rai Benjamin apertou, mas acabou com a prata. O tempo de Alison foi suficiente para o bronze.

Foto: Jonne Roriz/COB
O ápice do sonho veio já na sequência, na Vela. Martine Grael e Kahena Kunze partiram para a regata da medalha da classe 49er FX em segundo na classificação. Havia possibilidade desde conquistar o ouro até ficar fora do pódio, dependendo da combinação de resultados. Felizmente para as velejadoras campeãs no Rio-2016 a combinação foi a melhor possível. Chegaram em terceiro na regata, mas com holandesas, alemãs e espanholas, que também brigavam, ficaram para trás, tornou o sonho do bicampeonato olímpico realidade com tons dourados no mar japonês.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB
Duas medalhas novas, que ainda não se sabe de qual metal, tipo quando não identifica uma pessoa ou objeto no sonho, ganharam contornos mais claros e conforme ia raiando o dia. A primeira foi garantida com Beatriz Ferreira no Boxe peso leve. Não deu margem para interpretação dos juízes contra a lutadora do Uzbequistão. Passou das quartas-de-final e já assegurou, pelo menos, o bronze. A outra teve traços de déjà-vu, com Brasil e México em decisão no futebol masculino, já que os dois países fizeram a final de Londres-2012. Desta vez, o jogo teve ares dramáticos e chegaram a perturbar o sono. O placar de 0 a 0 perdurou até a prorrogação. Mas a tranquilidade veio com os anjos, digo com o goleiro Santos e a trave, que pararam dois pênaltis mexicanos. Os quatro batedores brasileiros converteram e garantiram, ao menos, uma nova prata. É a terceira decisão seguida do país, que vai tentar o bi contra a Espanha.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB
Também aconteceu de aparecer elementos que te trazem a certeza de não estar na realidade, mas que são muito sentidos dentro do sonho. Foi assim com o segundo bronze do dia. No Boxe, peso pesado, Abner Teixeira deu a impressão que poderia vencer o cubano na semifinal e transformar o bronze garantido em um metal mais valioso. Nem nos melhores sonhos isso foi possível e o pugilista teve que contentar-se com o feito que já tinha alcançado anteriormente em sua campanha.

Foto: Gaspar Nóbrega/COB
Já com o dia claro, veio aquela parte do sonho que te faz acordar bem, sorridente e satisfeito de ter sonhado tudo aquilo. Thiago Braz mostrou que é saltador de finais olímpicas e cresce nos momentos decisivos. Era muito difícil repetir o ouro do Rio por sua forma em recuperação e o favoritismo do sueco Armand Duplantis, que confirmou o ouro, e do americano Chris Nilsen, que ficou com a prata. Mas se o sonho fosse almejado com muita vontade, um lugar no pódio poderia acontecer. Assim, Braz saltou 5,87m, sua melhor marca da temporada no salto com vara, garantindo o bronze.

É claro que esse dia não passou de um delicioso sonho. Impossível ter visto tanto de um Brasil que dá certo desse jeito. Pena que só durou um dia olímpico.

Resumo do dia

Muitas medalhas:

  • > Atletismo salto em distância fem. - (ALE > EUA > NIG) // 400m com barreiras masc. - (NOR** > EUA > BRA) // salto com vara masc. - (SUE > EUA > BRA) // lançamento de martelo fem. - (POL > CHN > POL) // 800m fem. - (EUA > GBR > EUA) // 200m fem. - (JAM > NAM > EUA);
  • > Boxe peso pena masc. - (bronze para GAN/CUB - disp. ouro: RUS x EUA) // peso pesado masc. - (bronze para BRA/NZL  - disp. ouro: CUB x RUS) // peso pena fem. - (JAP > FIL) // peso meio-médio masc. - (CUB > GBR);
  • > Canoagem velocidade K-1 200m fem. - (NLZ > ESP > DIN) // C-2 1000m masc. - (CUB > CHN > ALE) // K-1 1000m masc. - (HUN > HUN > POR) // K-2 500m fem. - NLZ > POL > HUN);
  • > Ciclismo de Pista perseguição por equipes fem. - (ALE** > GBR > EUA) // sprint por equipes masc. - (HOL* > GBR > FRA);
  • > Ginástica Artística barras paralelas masc. - (CHN > ALE > TUR) // trave fem. - (CHN > CHN > EUA) // barra fixa masc. - (JAP > CRO > RUS);
  • > Levantamento de peso até 109 kg masc. - (UZB** > ARM > LET);
  • > Luta Olímpica estilo greco-romana até 77 kg masc. - (HUN > QGZ [Quirguistão] > AZE/JAP) // até 97 kg masc. - (RUS > ARM > IRA/POL) // estilo livre até 68 kg fem. - (EUA > NIG > QGZ/UCR);
  • > Saltos Ornamentais trampolim 3m masc. - (CHN > CHN > GBR) e;
  • > Vela classe 49er FX (BRA > ALE > HOL) // classe 49er - (GBR > NLZ > ALE) // classe Finn - (GBR > HUN > ESP) // classe Nacra 17 - (ITA > GBR > ALE).
*Estabeleceu novo recorde olímpico // **Estabeleceram novos recordes mundiais

Brasileiros

Mesmo com todas aquelas conquistas, ainda teve outros brasileiros em disputas com resultados diversos.

>Wanderson de Oliveira poderia ter garantido a quarta medalha do Boxe brasileiro nessa edição dos Jogos, caso tivesse vencido o cubano Andy Cruz no peso leve. Parou nas quartas.

>Outra remota chance de medalha foi na despedida da Ginástica Artística. Flávia Saraiva competiu contundida na final da trave, mas terminou com a sétima colocação.

>No Hipismo saltos individual, Yuri Mansur zerou o percurso com o cavalo Alfons e está na final. Marlon Zanotelli derrubou um obstáculo com o cavalo Edgar M e ficou em 31º. Classificam 30.

>Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino tinham chances quase nulas na regata da medalha da classe Nacra 17. Terminaram na décima colocação.

>Laís Nunes não foi párea para a búlgara na Luta Olímpica estilo livre até 62 kg. Perdeu a luta e parou nas oitavas da categoria. 

>O time masculino de Vôlei não enfrentou grandes dificuldades contra o Japão. Venceu por 3 sets a 0 e está na semifinal contra a Rússia.

>Já a dupla Rebecca e Ana Patrícia até engrossaram contra a dupla alemã no Vôlei de Praia, mas perderam por 2 a 1 e se despediram nas quartas. Ana Patrícia já veio de alguns dias de mal súbito e, depois da partida, desmaiou novamente.

Tóquio 2020 - Dia 09: O ouro da excelência e o bronze da persistência

Publicado  domingo, 1 de agosto de 2021


Como nas manhãs vitoriosas de domingo de algumas décadas atrás, o brasileiro acordou hoje mais cedo e orgulhoso de novas conquistas olímpicas. Primeiro, com o bronze raçudo de Bruno Fratus, na prova mais rápida da Natação. Depois, com Rebeca Andrade, colocando a bandeira no lugar mais alto do pódio na Ginástica Artística prova do salto.

Brasileiros acordaram cedo no domingo para ver outra brasileira no alto do pódio. Já que hoje também foi dia de Fórmula 1, ao melhor estilo Ayrton Senna, Rebeca Andrade mostrou que está entre as melhores ginastas da atualidade e já pode ser considerada a melhor brasileira em Jogos Olímpicos. O ouro no salto confirma o que já tinha sido visto dias antes. 

Foto: Miriam Jeske/COB

A excelência da jovem de 22 anos de idade tem sido apresentada ao mundo a cada prova, a cada exibição de gala da brasileira. Para quem esperava ver Simone Biles, está se deleitando com os movimentos, saltos e acrobacias de Rebeca. Fez uma média de 15.083 pontos com seus dois saltos. Foi a terceira a executar suas tentativas. Teve que esperar pacientemente suas outras cinco adversárias para comemorar. A diferença técnica das atletas traduziu-se nas notas. A média da brasileira foi mais um décimo maior que da americana MyKayla Skinner, que ficou com a prata, e três décimos maior que a sul-coreana Seo-jeong Yeo.

Rebeca já tinha sido a primeira brasileira medalhista da Ginástica Artística. Agora é a primeira a conquistar um ouro e a primeira a levar duas medalhas na mesma edição de Olimpíada. Amanhã ainda pode levar sua terceira conquista para casa na prova de solo. Volto a repetir, apenas 22 anos.

Outra característica de Senna era sempre persistir em melhorar, nunca era suficiente se não fosse a vitória. Bruno Fratus precisou de três Jogos Olímpicos para subir no pódio dos 50m livre da Natação. Em Londres-2012, fez o tempo de 21s61 e ficou na quarta colocação, dois centésimos atrás de César Cielo. No ano de 2015, fez a melhor marca de sua carreira, com 21s37. Caso tivesse repetido esse tempo no Rio-2016, teria ganhou ouro na prova. Mas piorou suas marcas e, com 21s79, amargou o sexto lugar da final.

Foto: Jonne Roriz/COB

Hoje brigou braçada a braçada com nadadores mais altos e com mais desenvoltura na água. Caeleb Dressel, dos Estados Unidos, bateu o recorde olímpico com 21s07. O francês Florent Manaudou alcançou a borda da piscina dois centésimos antes que os 21s57 que deram o tão esperado bronze ao brasileiro. Desta vez, Bruno que ficou três centésimos à frente da marca de corte dos que formaram o pódio. Última medalha brasileira na Natação, já que foi o último dia de competições da modalidade (ainda tem Maratona Aquática, que é natação em águas abertas, mas é considerado outra modalidade).

Resumo do dia


Entre tantas modalidades diferentes, destaque para o Atletismo. A venezuelana Yulimar Rojas bateu o recorde mundial do salto triplo. Já com o ouro garantido, saltou para 15,67m, 17 centímetros a mais que a marca anterior, que era mais velha que a própria atleta. 

E no salto em altura masculino, um caso raro, mas não inédito. Os saltadores do Qatar e da Itália chegaram empatados em primeiro para superar a marca de 2,39m de altura. Até então, ambos precisaram de uma tentativa em cada altura anterior para passar o sarrafo. Nenhum conseguiu avançar sobre a marca, como o atleta da Bielorrússia, terceiro colocado, também não passou, o que deixou a cargo deles escolherem se continuavam saltando para um desempate ou dividiriam a medalha de ouro. Foi escolhido a segunda opção, então não houve medalha de prata.


Além de Rebeca e Yulimar, Neisi Dajomes, do Equador, foi campeã do Levantamento de Peso. Ou seja, uma semana depois da celebração da Mulher Negra, Latina e Caribenha (25 de julho), três representantes deste segmento podem dizer que são as melhores do mundo em suas provas. A equatoriana dedicou o ouro à sua mãe e irmão, que faleceram em 2019 e 2020. 

Outras medalhas:

  • > Ainda no Atletismo arremesso de peso fem. - (CHN > EUA > NLZ) // salto triplo fem. - (VEN** > POR > ESP) // salto em altura masc. - (QAT = ITA > > BIE) // 100m rasos masc. - (ITA > EUA > CAN);
  • > Badminton individual fem. - (CHN > TPE > IND);
  • > Boxe meio-médio masc. CUB e GBR avançam para final, RUS e IRL ficam com o bronze // meio-pesado masc. CUB e GBR avançam para a final, RUS e AZB;
  • > Ciclismo BMX freestyle fem. - (GBR > EUA > SUI) // freestyle masc. - (AUS > VEN > GBR);
  • > Esgrima florete por equipes masc. - (FRA > RUS > EUA);
  • > Ginástica Artística solo masc. - (ISR > ESP > CHN) // cavalo com alças masc. - (GBR > TPE > JAP) // barras assimétricas fem. - (BEL > RUS > EUA);
  • > Golfe individual masc. - (EUA > SLK > TPE);
  • > Levantamento de Peso até 76 kg fem. - (EQU > EUA > MEX);
  • > Natação 50m livre fem. - (AUS* > SUE > DIN) // 1500m livre masc. - (EUA > UCR > ALE) // rev. 4x100 medley fem. - (AUS* > EUA > CAN) // rev. 4x100m medley masc. - (EUA** > GBR > ITA);
  • > Saltos Ornamentais trampolim 3m fem. - (CHN > CHN > EUA);
  • > Tênis dupla fem. - (CZE > SUI > BRA) // individual masc. - (ALE > RUS > ESP) // dupla masc. - (RUS > RUS > AUS) e;
  • > Vela Laser - (AUS > CRO > NOR) // Laser Radial - (DIN > SUE > HOL).
*Estipularam novos recordes olímpicos // ** Estabeleceram novos recordes mundiais

Brasileiros

>No Atletismo, quatro atletas estiveram em eliminatórias. Nenhum avançou. Assim como ficou pelo caminho, Paulo André na semifinal dos 100m rasos. Alison dos Santos venceu sua bateria nos 400m com barreira e está na final da prova.

>Hebert Conceição venceu o lutador do Cazaquistão, no Boxe peso médio, por decisão dividida. Com isso, já garantiu uma medalha ao chegar à semifinal.

>O time do Handebol masculino encerrou sua participação nos Jogos de Tóquio com uma derrota para a Alemanha por 29 a 25. Ficou na 10ª colocação geral.

>No Hipismo curso completo de equitação, Rafael Losano se retirou na prova de cross-country. Os outros cavaleiros estão em 24º e 33º. Por equipes, o time brasileiro é 12º.

>A Luta Olímpica começou com duas participações brasileiras. No estilo livre até 76 kg fem., Aline Silva perdeu nas oitavas para a lutadora da Turquia. Na greco-romana até 130 kg masc., Eduard Soghomonyan também saiu derrotado.

>As equipes feminina e masculina do Tênis de Mesa estrearam na competição conjunta. As mulheres perderam para Hong Kong por 3 partidas a 1 e foram eliminadas. Já os homens, viraram para cima da Sérvia, 3 vitórias a 2, e classificaram para as quartas-de-final.

>Na Vela, Robert Scheidt foi para a regada da medalha da Laser ainda com chances de pódio. Mas dependia de combinação de resultados. Não fez uma volta final boa e terminou em 8º na classificação final. Outras classes: Nacra 17 (dez regatas) - 10º // 470 fem. (oito regatas) - 7ª // 470 masc. (oito regatas) - 15º // Finn (dez regatas) - 14º.

>O time masculino do Vôlei venceu os franceses por 3 sets a 2 e terminou a primeira fase em segundo do grupo B. O adversário das quartas foi definido por sorteio entre Itália e Japão e enfrentaremos os donos da casa.

>As duas duplas do Vôlei de Praia feminino entraram para decidir seus destinos nas oitavas-de-final. Rebecca/Ana Patrícia venceram a dupla chinesa, 2 sets a 0, e seguem. Já Ágatha/Duda perderam para as alemãs por 2 sets a 1 e disseram adeus à competição.

Tóquio 2020 - Dia 08: A deliciosa conquista vinda do inesperado

Publicado  sábado, 31 de julho de 2021


Laura Pigossi e Luisa Stefani conquistam o bronze no Tênis de duplas feminino da forma mais inesperada e fantástica possível. Entram para a história como as primeiras medalhistas do país na modalidade que já teve Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni e Marcelo Melo e Bruno Soares como postulantes a essa conquista.


Como se não bastasse a inédita medalha, a história antes do torneio faz a conquista ficar ainda mais saborosa. Isso porque a dupla só entrou devido a várias desistências de outros países. Laura sequer sabia que estava inscrita poucos dias antes de começar o torneio. Ou seja, completamente fora de qualquer prognóstico. Nas últimas edições de Jogos Olímpicos, o Brasil vem trazendo essas surpresas: Thiago Braz, no Rio-2016; Thiago Pereira e Yane Marques, em Londres-2012; o time do 4x100 do atletismo, em Pequim-2008; o time de futebol feminino, em Atenas-2004...


Hoje, Pigossi e Stefani venceram a dupla russa Elena Vesnina (era a atual campeã com outra parceira) e Veronika Kudermetova por 2 sets a 1 (4/6, 6/4 e 11/9), de virada, tendo que salvar quatro match points no super tie-brake. Saíram da parcial final de 5/9 e fizeram seis pontos seguidos para alcançar o bronze.

A própria campanha de Laura e Luisa não apontava para uma longevidade na competição. Estrearam com um 2 sets a 0 apertado contra a dupla canadense. Tiveram que virar a partida na segunda rodada, contra as checas das mais fortes do torneio. Novamente, começaram perdendo para as americanas, nas quartas, e foram buscar o triunfo no set de desempate. Jogaram mal na semi e perderam de 2 sets a 0 para as suíças. Então não era provável que o moral estivesse dos melhores.


Começaram a partida decisiva sofrendo uma quebra e perdendo por 3/0. Foram buscar o 4/4, mas não resistiram no final da primeira parcial. A chave virou logo com a quebra favorável no primeiro game do segundo set. Sustentaram a diferença e mantiveram-se sempre a frente na parcial. Incomodaram bastante as russas nas devoluções de saques e apresentaram grande volume de jogo e variedade dos golpes nas trocas de bolas mais longas. No desempate, não se desesperaram com 1/5 ou 2/7 contra. Com o 10/9, trabalharam o ponto, tiveram paciência e frieza, e venceram com uma devolução para fora das adversárias.


Pode ser que outros brasileiros conquistem medalhas inesperadas em Tóquio, mas tão improvável quanto esta, vai ser difícil de encontrar.

Resumo do dia


O Atletismo teve um dia histórico mesmo com apenas três provas distribuindo medalhas. Sem dúvida, o ponto alto foi a final dos 100m rasos feminino, com direito a projeções e iluminação especial na pista. O pódio foi totalmente jamaicano, mostrando que a ilha continua produzindo os melhores velocistas do mundo. Elaine Thompson foi bicampeã da prova, com direito a quebra do recorde olímpico com o tempo de 10s61. Shelly-Ann Fraser-Pryce ficou com a prata e Shericka Jackson fechou o pódio.

Além disso, houve a milésima prova olímpica da modalidade na história, o lançamento de disco masculino. A honra de ser o campeão 1000 coube ao favorito Daniel Stahl. O sueco fez um lançamento a 68,90m de distância, marca que lhe deu uma folga de mais de 1,5m para o melhor de seus concorrentes. Seu compatriota Simon Pettersson ficou com a prata e o austríaco Lukas Weisshaidinger ficou com o bronze.

Também houve a estreia da prova de revezamento 4x400m misto. O primeiro time campeão e que estabeleceu o primeiro recorde olímpico foi a Polônia, com o tempo de 3min09s87. A Rep. Dominicana chegou com um centésimo de vantagem para os Estados Unidos e ficou com a prata.

Medalhas em outras modalidades:

  • > Badminton duplas masc. - (TPE > CHN > MAL);
  • > No Boxe não há disputa de bronze, houve duas semifinais no peso pena fem. JAP e FIL ganharam e seguem para a disputa do ouro. GBR e ITA perderam e ganharam bronze;
  • > Esgrima sabre por equipes fem. - (RUS > FRA > KOR);
  • > Ginástica de Trampolim masc. - (BIE > CHN > NZL);
  • > Judô equipes mistas - (FRA > JAP > ISR/ALE);
  • > Levantamento de Peso até 81 kg masc. - (CHN* > DOM > ITA) // até 96 kg masc. - (QAT* > VEN > GEO);
  • > Natação 100m borboleta masc. - (EUA** > HUN > SUI) // 200m costas fem. - (AUS > CAN > AUS) // 800m livre fem. - (EUA > AUS > ITA) // Rev. 4x100m medley misto - (GBR** > CHN > AUS);
  • > Rugby de 7 fem. - (NZL > FRA > FIJ);
  • > Tênis individual fem. - (SUI > CZE > UCR) // disputa de bronze individual masc. (ESP) // bronze duplas mistas por WO (AUS);
  • > Tiro Esportivo trap equipes mistas - (ESP > SMN > EUA) // carabina 3 pos. 50m fem. - (SUI* > RUS > RUS);
  • > Tiro com Arco individual masc. - (TUR > ITA > JAP);
  • > Triatlo rev. misto - (GBR* > EUA > FRA) e;
  • > Vela RS:X fem. - (CHN > FRA > GBR) // RS:X masc. - (HOL > FRA > CHN).
*Estabeleceram novos recordes olímpicos // **Estabeleceram novos recordes mundiais

[Nota lamentável: Novak Djokovic perdeu a cabeça durante a disputa do bronze no Tênis individual. Depois de perder um ponto, jogou a raquete nas arquibancadas vazias. Um pouco mais à frente, arremessou outra raquete contra o mastro de sustentação da rede, amassou o equipamento e assustou um pegador de bolas que estava perto. Por fim, desistiu de jogar a decisão de bronze de duplas mistas, alegando dores nas costas e abandonando sua parceira Nina Stojanovic. Uma completa falta de espírito olímpico.]

Brasileiros

>13 atletas estiveram em ação no Atletismo: Izabela Rodrigues classificou para a final do lançamento de disco, Thiago Braz está na final do salto com vara e Paulo André avançou para as semifinais dos 100m rasos.

>Wanderson de Oliveira venceu no Boxe peso leve e segue para as quartas-de-final.

>O Futebol masc. segue na busca do bicampeonato olímpico. Venceu o Egito por 1 a 0 e vai enfrentar o México em uma das semifinais.

>As meninas do Handebol perderam para a Suécia por 34 a 31. Assim, o confronto na última rodada do grupo B, contra a França, decide a última classificada para as quartas. Brasil tem vantagem do empate.

>Depois de três etapas do Hipismo concurso completo de equitação, a equipe está em 11º e os cavaleiros individualmente estão em 21º, 43º e 44º.

>A equipe mista de Judô perdeu nas quartas e na repescagem pelo mesmo placar (4 a 2), respectivamente, para Holanda e Israel.

>Bruno Fratus fez 21s60 e está na final dos 50m livre na Natação.

>No Rugby de 7 fem., as Yaras venceram o Japão por 21 a 12, na disputa da 11ª colocação.

>Marcus D'Almeida perdeu nas oitavas do Tiro com Arco.

>Na Vela: Patrícia Freitas ficou em 10º na regata da medalha do RS:X fem. // 49er FX (doze regatas) - 2ª // Finn (oito regatas) - 14º // Nacra 17 (nove regatas) // 9º // 49er (doze regatas) - 16º.

>O time de Vôlei fem. venceu a quarta seguida, contra a Sérvia por 3 sets a 1. Está classificada para as quartas e deve avançar como primeira do grupo depois do embate contra o Quênia.

>A dupla Rebecca/Ana Patrícia perdeu para os EUA no Vôlei de Praia, 2 set a 1. Mesmo assim, está nas oitavas, como uma das melhores terceiras colocadas dos grupos.

Tóquio 2020 - Dia 07: Decepções são decepções em qualquer lugar do mundo

Publicado  sexta-feira, 30 de julho de 2021


Se há uma quebra de expectativa do público brasileiro com a derrota do Futebol feminino, outros atletas ou times, considerados muito mais favoritos em suas modalidades, não corresponderam ao histórico que carregavam. Simone Biles já tinha sido uma decepção nos últimos dias. Hoje, Teddy Riner, no Judô, Novak Djokovic, no Tênis, e Mariana Pajon, no Ciclismo BMX, deixaram o ouro escapar.

Um dos piores aspectos do esporte, tanto para quem está praticando, quanto para quem assiste com os olhos de torcedor é o momento da derrota. Claro que é doloroso e ninguém gosta de ser taxado como perdedor. Mas assim funciona a dinâmica dos Jogos Olímpicos. São pouco mais de 300 eventos distribuindo três ou quatro medalhas e mais de 11 mil atletas.

Quem não acompanha o Futebol feminino internacional com a mesma frequência que assiste o cenário do masculino, pode ter se iludido em acreditar que Marta mais dez seria o suficiente para brigar pelo ouro, ou pelo menos, uma medalha. O choque de realidade veio com a eliminação, nos pênaltis, para o Canadá, depois do 0 a 0. Quero deixar claro que não estou apontando culpadas, muito menos dizendo que foram um fracasso. Acredito que o time fez o máximo que lhe é cabível dentro das restritas possibilidades. Há, pelo menos, quatro seleções mais bem preparadas tecnicamente e com jogadoras melhores: Estados Unidos, Suécia, Holanda e Grã-Bretanha. Não à toa que duas delas estão nas semi-finais. Só não estão as quatro, porque quis o chaveamento que as holandesas já cruzasse com as americanas nessa fase anterior, então uma favorita fatalmente cairia fora de forma precoce e porque a real decepção é britânica perante a competente Austrália.

A meu ver, o Brasil decepcionou muito mais com o Judô neste último dia de competições individuais. No feminino, a fatalidade em lesionar o ligamento do joelho de Maria Suellen Altheman na luta contra a francesa, impossibilitou-a de continuar buscando uma medalha. E Rafael "Baby" Silva parecia uma montanha de 180 kg completamente cansada já ao subir no tatami. Para quem vinha de dois bronzes, era de se esperar uma garra maior. Não ser eliminado do ouro por falta de combatividade.


Certamente outras nações também alimentaram esperanças com outros atletas e amargaram decepções durante esta sexta-feira. Aproveitando que o assunto está no Judô, os franceses devem ter uma ponta de frustração com o multi-campeão mundial e bi-olímpico Teddy Riner. Apontado com favorito ao tri inédito, perdeu para o russo ainda nas quartas. Teve que "contentar-se" com o bronze, depois de passar pelo brasileiro e o japonês, na repescagem.


Mais do que ninguém, o sérvio Novak Djokovic era o grande nome do Tênis em Tóquio. Sem nomes como Federer e Nadal, o caminho até o ouro parecia certo. Poderia, inclusive, igualar o feito de Steffi Graf como únicos tenistas a conquistar o Golden Slam na mesma temporada. Mas o jovem Alexander Zverev, que não é mais uma surpresa no circuito mundial, limou esse sonho, virando a partida da semifinal. O alemão perdera o primeiro set por 6/1, mas deu outro ritmo à partida e encaixou vitória nas duas parciais seguintes com 6/3 e 6/1. Djokovic também perdeu ao lado de sua parceira Stojanovic e disputará dois bronzes.


Eu coloco no contexto de decepções a colombiana Mariana Pajon. Não ter conquistado seu terceiro ouro no Ciclismo BMX corrida é muito mais decepcionante pelo fato de ter perdido para uma estreante do que propriamente ter ficado com a prata. Até porque, mesmo sendo um país referência no ciclismo atualmente, é preciso sempre ressaltar o contexto que o país está inserido, diferentemente da britânica e da holandesa que completaram o pódio. Mesmo com todos os aplausos que seu povo lhe propicia, ela mesmo deve olhar a prova com menos brilho do que sabe que poderia ter desenvolvido nas pistas.

Resumo do dia

Começaram as competições de Atletismo, então haverá, nos próximos dias que ainda têm Natação em paralelo, um número grande de medalhas distribuídas. Vamos a elas:

  • > Atletismo 10000m masc. - (ETI > UGA > UGA);
  • > Badminton duplas mistas - (CHN > CHN > JAP);
  • > Canoagem Slalom K-1 masc. - (CZE > SVK > ALE);
  • > Ciclismo BMX corrida fem. - (GBR > COL > HOL) // corrida masc. - (HOL > GBR > COL);
  • > Esgrima espada por equipes masc. - (JAP > RUS > KOR);
  • > Ginástica de Trampolim fem. - (CHN > CHN > GBR);
  • > Judô acima de 78 kg fem. - (JAP > CUB > FRA/AZB) // acima de 100 kg masc. - (CZE > GEO > RUS/FRA);
  • > Natação 200m peito fem. - (AFS** > EUA > EUA) // 200m costas masc. - (RUS* > EUA > GBR) // 100m livre fem. - (AUS* > HKG > AUS) // 200m medley masc. - (CHN > GRB > SUI);
  • > Remo skiff simples fem. - (NZL > RUS > AUT) // skiff simples masc. - (GRE > NOR > CRO) // oito com fem. - (CAN > NLZ > CHN) // oito com masc. - (NLZ > ALE > GBR);
  • > Tiro Esportivo pistola 25m fem. - (RUS* > KOR > CHN);
  • > Tiro com Arco individual fem. - (KOR  > RUS > ITA);
  • > Tênis duplas masc. - (CRO > CRO > AUS) e;
  • > Tênis de Mesa individual masc. - (CNH > CNH > ALE).
*Estipularam novos recordes olímpicos // **Estipulou novo recorde mundial

Brasileiros

>No Atletismo, nove atletas mais o rev. 4x400m misto competiram em eliminatórias ou classificatórias. Deles, apenas Alison Santos classificou para a semifinal dos 400m com barreiras.

>Keno Machado não conseguiu superar o britânico no Boxe peso meio-pesado, sendo eliminado nas quartas. Por outro lado, Beatriz Ferreira passou das oitavas na categoria peso leve. E a melhor notícia foi que Abner Teixeira já garantiu ao menos o bronze ao avançar para a semifinal do peso pesado.

>Pedro (Pepe) Gonçalves não foi tão bem da semifinal da Canoagem Slalom K-1, 19º tempo, e não seguiu na briga por medalhas.

>Mesmo destino teve Renato Rezende no Ciclismo BMX. Ficou em penúltimo de sua bateria na semifinal.

>O Brasil venceu a primeira no Handebol masc. 25 a 23 na Argentina. Possui remotas chances de classificação.

>Começou a participação no Concurso Completo de Equitação do Hipismo, com duas primeiras rodadas no individual e por equipes.

>Das quatro participações do país nas provas de Natação, apenas Bruno Fratus seguiu para a semifinal. Fez 21s67 e avançou nos 50m livre.

>Lucas Verthein terminou em último na final B do Remo skiff simples. Isso lhe dá a 12ª posição geral.

>As Yaras do Rugby de 7 perderam a última partida de grupo e a eliminatória para decidir entre 9º e 12º. Termina sua participação contra as japonesas amanhã.

>Nos Saltos Ornamentais trampolim 3m, Luana Lira ficou em 21º na rodada preliminar, três colocações abaixo do limite para avançar.

>A Vela teve cinco classes com brasileiros navegando: Laser (dez regatas) - 6º // 49er FX (nove regatas) - 3ª // 470 fem. (seis regatas) - 6ª // 49er (nove regatas) - 16º // 470 masc. (seis regatas) - 14º.

>Brasil se recuperou da derrota da rodada anterior no Vôlei masculino. Fez 3 sets a 1 nos Estados Unidos e tem chance de classificar em primeiro ou segundo de seu grupo.

>Evandro e Bruno Schmidt viraram para cima da dupla polonesa no Vôlei de Praia e classificaram em primeiro de seu grupo para as oitavas. Com isso, haverá um confronto entre as duas duplas brasileiras, caso avancem para as quartas.