Phelps já é lenda olímpica

Publicado  terça-feira, 31 de julho de 2012

Hoje pela tarde, o americano Michael Phelps alcançou uma marca que deverá permanecer por muito tempo com seu nome estampado. Ele se tornou o maior medalhista de toda história dos Jogos Olímpicos. Conquistou sua 18ª e 19ª medalhas nas provas dos 200m borboleta e no 4x200m livres, prata e ouro, respectivamente. A primeira igualou o número conquistado pela ginasta Larisa Latynina, que obteve as medalhas nas edições de 1956, 1960 e 1964. Mesmo assim, acabou irritando o nadador, pois ele liderava a prova até as últimas braçadas, mas perdeu para o sul-africano Chad le Clos. Os 200m borboleta é considerada a prova na qual ele é especialista.
Pouco tempo depois, Phelps caiu novamente nas águas do Centro Aquático de Londres junto com o restante do time americano para consolidar sua soberania. Ryan Lochte (concorrente direto que já lhe tirou uma medalha dessa Olimpíada), Conor Dwyer e Ricky Berens entregaram para Phelps a liderança no revezamento e ele teve o trabalho de manter a vantagem. Com o tempo de 6min59s70, eles chegaram mais de três minutos a frente da França, segunda colocada.
Phelps agora soma 15 medalhas de ouro, 2 de prata e 2 de bronze desde Atenas-2004. E ainda tem mais três provas para ele disputar. Fica claro a queda de rendimento dele desde há quatro anos em Pequim, mas é incontestável que um cara como esse fica como o maior nadador e conquistador de medalhas de todos os tempos. Se fosse um país, pouco mais de 60 outras nações teriam mais medalhas no total e menos de 45 teriam mais ouros. Gênio do esporte.

Mulheres olímpicas

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Ontem foi um dia incrível, de coincidentemente, três histórias que ficam gravadas por muito tempo na nossa memória e que só o esporte pode nos propiciar. São três mulheres que já fazem parte da galeria de grandes personagens desta edição dos Jogos Olímpicos. Três fatos inusitados que deixaram de lado outras conquistas, outros atletas, outras competições.
A mais trágica delas e a que, provavelmente, tenha chamado mais a atenção de todos, veio de um esporte que é pouco praticado aqui no Brasil, mas que deve ter comovido quem estava acompanhando, mesmo que não entendesse as regras, mas só pelo choro da esgrimista sul-coreana A Lam Shin. Devido a uma polêmica na decisão da arbitragem, que a eliminava da final na categoria espada, já que ela tinha empatado no tempo regulamentar com a alemã Britta Heidemann e teria que decidir no tempo extra. No último segundo, houve três investidas das atletas ao mesmo tempo, o que não computou ponto para ninguém (toda ataque que marca ponto de alguém ou toque simultâneo, o cronômetro para e continua quando o juiz sinaliza e o responsável pelo relógio aciona o aparato). Mas como os três ataques foram muito rápidos, não houve tempo para o relógio correr até o zero. Na quarta vez, apenas a alemã conseguiu o toque, que a levaria para a disputa do ouro. O treinador da asiática protestou contra o resultado, alegando que não dava para que ocorressem tantas ações em um segundo de luta e o impasse demorou até que chegassem ao veredito de que a alemã era a real vencedora.
Lam ficou inconsolada, sentou-se no tablado da luta e permaneceu lá chorando por uma hora. Pelas regras da esgrima, ao não deixar o local da luta, significa que a esgrimista não concordou com o resultado da luta. E os árbitros permaneceram discutindo a validade do resultado diante de representantes da delegação coreana. A delegação foi informada que terá que pagar um valor ainda não determinado para apelar do resultado da decisão. Lam foi retirada pelos organizadores e lhe restou ser ovacionada pelo público que permaneceu no local, já que teve apenas 20 minutos para se recuperar do trauma e perdeu a luta pelo bronze para a chinesa Yujie Sun. A alemã também perdeu o ouro para a ucraniana Yana Shemyakina. Mas essa é uma daquelas histórias que torcemos para que tenha um desfecho favorável para compensar toda angústia.
Outro fato impressionante foi a nadadora chinesa Shiwen Ye, de apenas 16 anos, ter batido o recorde mundial dos 400m medley com o tempo de 4min28s43, ficando com a medalha de ouro e sendo a primeira atleta a superar um recorde que tinha sido alcançado com os supertrajes tecnológicos. O mais surpreendente é que na última parcial dos 50m, ela foi mais rápida que Ryan Lochte, vencedor da mesma prova, no masculino. Isso pode ter algumas explicações. Minha hipótese é que simplesmente Lochte diminuíra seu ritmo de prova já que se encontrava muito a frente de seus concorrentes, e mesmo assim chegou a mais de três segundos de vantagem. Se isso não explicar tamanha velocidade da chinesa, quero acreditar que realmente ela tem uma genética muito favorável à natação e que os treinos realizados no país são tão especificamente bons, que outros resultados semelhantes acontecerão em breve; fugindo da suspeita de doping já levantada.
Mas a história mais bonita do dia ficou por conta de uma jovem nadadora de 15 anos, que também tem assombrado o mundo com seu talento. A lituana Ruta Meilutyte conquistou o ouro nos 100m peito com o tempo de 1min05s47 e não conteve as lágrimas de felicidade ao ver o placar ainda na água. Depois voltou a chorar quando ouviu o hino de seu país no pódio. Superou a favorita americana Rebecca Soni, que ficou com a prata. Mas foi uma chegada extremamente apertada, decidida na batida de mão, apenas oito centésimos separaram as duas. Foi a primeira medalha de ouro da Lituânia na história da natação olímpica. Ao receber a medalha, estampava um sorriso de uma criança ao ganhar um novo brinquedo, mas por trás dessa felicidade, já carrega uma responsabilidade de gente grande. Ela ainda disputará os 50m e 100m livre e tem um futuro brilhante pela frente. Só de pensar que ela chegará ao Rio-2016 defendendo o título de campeã olímpica com apenas 19 anos é algo formidável para qualquer atleta. Tenho a impressão que ela ainda não deve ter dado conta das dimensões desse feito. Lembrou o Cesar Cielo há quatro anos, quando subiu ao pódio e comoveu a todos enquanto tocava o hino brasileiro.
Sabe o que elas três têm em comum? Espírito olímpico. Vontade de ser competitivas, de se superar e de não se sentirem derrotadas.
Para completar, vale mencionar um grupo de guerreiras brasileiras que estão fazendo bonito em Londres. Trata-se das meninas do handebol, que estão no começo do campeonato, mas já venceram duas partidas duríssimas contra as croatas e montenegrinas. Tomara que possam continuar surpreendendo, já que é um esporte tão praticado nas escolas e seria um grande incentivo para aumentar o número de interessados.
Espero que venham mais dessas histórias humanas nesses Jogos.

Resumo do dia - 28/07/12

Publicado  domingo, 29 de julho de 2012

Ontem foi um dia em que já tiveram diversas competições e o Brasil figurou entre os principais destaques do dia.

  • A primeira medalha saiu no tiro esportivo, por volta de 8h da manhã, com a chinesa Siling Yi. Ela fez 502.9 pontos na categoria Rifle de ar 10m feminino. Superou a polonesa Sylwia Bogacka, que fez 502.2 pontos, e a compatriota Dan Yu, que fez 501.5.

  • Depois foi a vez dos homens na Pistola de ar 10m. O ouro foi para o sul coreano Jongoh Jin, a prata ficou com o italiano Luca Tesconi e o bronze com o sérvio Andrija Zlatic.

  • No ciclismo de estrada masculino, os atletas percorreram 250 km, uma distância considerada grande para uma etapa de Tour de France por exemplo, competição que boa parte deles participaram há poucos dias atrás. O vencedor foi Alexandr Vinokurov, do Cazaquistão. Ele compete pela equipe Astana no circuito mundial, mas não conseguiu se destacar no Tour desse ano. Fez o tempo de 5h45min57, mesmo tempo que o segundo colocado, o colombiano Rigoberto Uran, mas como chegou uma bicicleta a frente levou o ouro. Completou o pódio o norueguês Alexander Kristoff. Nomes famosos como Luis Leon Sanches, Roman Kreuziguer, Alejandro Valverde, Sylvain Chavanel, Robert Gesink, Andre Greipel, Tom Boonen ficaram mais para atrás, mas a grande decepção, talvez, tenha sido Mark Cavendish, que competia em casa e era tido como grande favorito, mas terminou na 29ª colocação com o tempo de 5h46min37. O brasileiro Murilo Fischer terminou três posições atrás com o mesmo tempo. Os outros dois brasileiros não completaram a prova.

  • O judô teve seu primeiro dia com as categorias ligeiro masculino (-60kg) e feminino (-48kg) sendo definidas.

  • No levantamento de peso feminino até 48 kg, domínio asiático. Ouro para a chinesa Mingjuan Wang, que levantou o total de 205 kg, somando arranque e arremesso. Prata para o Japão e bronze para a Coreia do Norte.

  • No tiro com arco, a Itália superou os Estados Unidos na final, por um ponto, no masculino por equipes. 219 a 218. O bronze ficou com a Coreia do Sul que passou pelo México na disputa de terceiro.

  • A esgrima foi dominada pelas italianas. No florete individual as três italianas que competiam ficaram no pódio. Será que são favoritas quando for por equipes?

  • Na natação já tiveram algumas finais, 400m medley masculino, 400m estilo livre masculino vencida pelo chinês Yang Sun, 400m medley feminino, que a chinesa Shiwen Ye venceu e o revezamento 4x100m livre para mulheres, que foi o grande destaque de hoje com as australianas vencendo e batendo o recorde olímpico com o tempo de 3min33s15. A prata ficou com a Holanda e os Estados Unidos com o bronze.

  • Também teve a participação dos brasileiros. Além das três medalhas, teve vôlei de praia masculino com Ricardo e Pedro Cunha, que venceram os noruegueses por 2 sets 0, mesmo placar do feminino com Juliana e Larissa, sobre a fraca dupla das Ilhas Maurício. 

  • O vôlei de quadra feminino passou um sufoco mas conseguiu passar pela Turquia, por 3 sets a 2, resultado preocupante.

  • As meninas do futebol conquistaram sua segunda vitória ao passar pela Nova Zelândia por 1 a 0 e já se classificaram para a próxima fase do torneio. 

  • No tênis masculino de duplas, Marcelo Melo e Bruno Soares venceram os americanos Roddick e Isner, dupla forte. Artur Zanetti se classificou nas argolas e Sergio Sasaki no individual geral para as finais da ginástica artística. 

  • Kyssia da Costa se classificou para as quartas de final no remo Single Scull.

  • No boxe, Robenilson de Jesus avançou no peso mosca e Esquiva Falcão herdou a classificação nos médios.

  • Por outro lado, o Brasil não teve só glórias. Perdeu na outra chave de tênis com Bellucci e Andre Sá, contra os irmão Bryan. Diego Hipolyto decepcionou-se mais uma vez, ao cair de barriga no solo e ficou em 58º, sem nota para a final. Felipe França também não esteve bem, ele que era considerado uma esperança de medalha nos 100m peito, mas não passou das semifinais, assim com Felipe Lima. No CCE, de hipismo, Jorge Carvalho ficou em 30º e Sergei Fofanoff terminou o dia em 41º. No remo Single Scull masculino, Anderson Nocetti vai disputar repescagem. Pelo tênis de mesa, Gustavo Tsuboi, Hugo Hoyama, Ligia Silva e Caroline Kumahara perderam na primeira fase e só voltam a competir por equipes. Para completar, o basquete feminino estreou, assim como há quatro anos, com derrota. 73 a 58 para as francesas.

Brasil é ouro, prata e bronze

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O Brasil não poderia ter estreado nos Jogos Olímpicos de Londres de melhor forma do que foi ontem. Conseguimos uma medalha de cada material. Foi o melhor primeiro dia de competições da história brasileira. E estamos bem colocados no quadro de medalhas geral.
O dia de conquistas começou com o bronze do aniversariante Felipe Kitadai, da categoria Ligeiro (-60kg), que fazia sua estreia em Olimpíadas. Fez uma boa campanha, venceu as duas primeiras lutas, mas perdeu nas quartas de final, para o bicampeão mundial e líder do ranking, Rishod Sobirov do Usbequistão. Mas venceu a luta na repescagem, que lhe deu direito de disputar o bronze, contra o italiano Elio Verde. Venceu por yuko no Golden Score. Felipe, que completou 23 anos, não conteve a emoção e, ao sair do tatame, beijou os anéis olímpicos estampados. O ouro ficou com a Rússia, a prata, com o Japão e o outro bronze, com o judoca usbeque.
Em paralelo, também na categoria Ligeiro (-48kg) feminino, Sarah Menezes, 3ª colocada no ranking olímpico conseguiu um feito incrível, ao se tornar a primeira judoca brasileira a conquistar ouro em Olimpíadas. A piauiense de 22 anos superou a atual campeã olímpica, a romena Alina Dumitru por um wazari e um yuko de vantagem e fez tocar pela primeira vez o Hino Nacional Brasileiro em terras britânicas.
Fez uma campanha irretocável, com vitórias taticamente conscientes, não aplicou nenhum ippon, o golpe perfeito, mas nunca correu riscos em qualquer que fosse a adversária.
Reveja quantas vezes quiser a última luta de Sarah
Ela se iguala a Maurren Maggi como as campeãs brasileiras de esportes individuais em Jogos Olímpicos, até agora, e escreve seu nome nas páginas do esporte nacional. Foi a 21ª de ouro de toda história brasileira. Fazia 20 anos que o Brasil não subia ao lugar mais alto do pódio na modalidade, a última vez tinha sido em Barcelona-92 com Rogério Sampaio.
Com esse feito, já era o melhor primeiro dia de competições do Brasil. Teoricamente aquela pressão pelas primeiras medalhas acabou, nas últimas duas Olimpíadas demorou-se três dias até que surgissem as primeiras conquistas.
Nesse momento do dia, liderávamos o Quadro de Medalhas. Sim, pela primeira vez na história, fomos líderes mundiais olímpicos.
Mas ainda restava uma "surpresa" por assim dizer. Thiago Pereira finalmente conquistou uma medalha na natação, foi nos 400m medley. Ficou atrás, apenas do americano Ryan Lochte e levou a prata, com o tempo de 4min08s86. Ele já havia batido na trave em Atenas-04 e Pequim-08, mas dessa vez ele nadou bem, mostrou evolução no nado peito, que lhe garantiu ultrapassar seus concorrentes diretos, o japonês Kosuke Hagino e o americano Michael Phelps. Thiago já tinha 18 medalhas em Pan, mas nunca tinha conseguido resultado melhor que um quarto lugar na China. Agora seu foco volta-se para a prova dos 200m medley, prova da qual ele se sente melhor competindo, será que vem mais uma medalha dele?
Essa conquista mostra o grande momento em que a natação brasileira vive, foi só o primeiro dia, muitos outros nomes ainda podem nos dar alegrias.
Particularmente é com muita alegria que escrevo esta postagem já que há exatos quatro anos eu começava este blog e esta é a 200ª postagem do Esporte pelo Juva. Nada melhor do que escrever sobre as conquistas que os atletas brasileiros tiveram no dia de ontem. Espero que venham mais logo.

Uma cerimônia emocionante

Publicado  sábado, 28 de julho de 2012

Quem viu a cerimônia de abertura que aconteceu ontem deve ter se emocionado em alguns momentos, eu pelo menos, fui assim. Ao ver a delegação do Brasil entrar e ser aplaudida, quando Paul McCartney entoou um coro de 80 mil vozes no Estádio Olímpico e mais 4 bilhões de pessoas pelo mundo ao cantar "Hey Jude". Mas também teve momentos divertidos como a rainha 'saltando' de paraquedas ao lado do agente 007 e quando Mr. Bean resolveu tocar junto com a Orquestra Sinfônica Britânica.
Foi uma festa bem mais simples do que em Pequim, mas bem mais humana e com algumas novidades. Toda a encenação conseguiu mostrar diversos aspectos da cultura local e comprovar que Londres continua sendo a capital de todo entretenimento e diversão do mundo ocidental, continua sendo a mais influente.
Foi ótima a sacada de começar no campo, com a peça de Shakespeare, passando pelas três revoluções (Industrial, Cultural e Digital). Muitos momentos marcantes como quando forjaram o ferro do arco olímpico e este se juntou a outros quatro que vinham flutuando. A chegada da tocha pelo Tâmisa de barco, com David Beckhan conduzindo a lancha e com o caminho em volta soltando fogos. Todas as músicas, principalmente o tão tradicional rock britânico, com Beatles, Sex Pistols, Rolling Stones, Queen. David Bowie, New Order, Adele, Amy Winehouse, todos foram muito bem escolhidos.
A cerimônia teve todas as formalidades tradicionais do Comitê Olímpico Internacional, com juramento à bandeira, hasteamento, a Rainha Elizabeth II fazendo um breve discurso de abertura oficial, o presidente do COI também falando algumas palavras, desfile das delegações.
Uma festa inesquecível para quem esteve lá ou viu pela televisão.
Mas é inevitável pensar que os próximos seremos nós aqui no Brasil, com Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, em 2013, 2014 e 2016, respectivamente. Seremos vistos pelo mundo inteiro. Sei que não terá todos os aparatos tecnológicos, todas as modernidades e que, muito provavelmente, acontecerá algumas falhas, como aconteceu ontem, na China e em todos os lugares. Contudo, o desejo é que façamos algo que realmente seja comovente, não só para nós, mas que o mundo inteiro diga: "como gostaria de estar lá". E temos tudo para que isso aconteça, para que o instante em que a delegação brasileira entrar no Maracanã, seja incrível e fique na história como o país que mais aplaudiu seus competidores e que os motive para conseguirem se superar e trazer o máximo de medalhas possíveis.
Tomara que não seja apenas um sonho. Agora vamos às competições para valer, pois hoje já vale medalhas.
Deixo uma amostra pequena de fotos da cerimônia de ontem.