O que você faz em 11 horas e 5 minutos?

Publicado  quinta-feira, 24 de junho de 2010

Há certos episódios esportivos em que se tem vontade de estar vivo para presenciá-los com os próprios olhos. Wimbledon viveu um desses acontecimentos gloriosos. Respondendo à pergunta do título do post, é possível fazer diversas coisas, mas o norte-americano John Isner e o francês Nicolas Mahut protagonizaram o jogo mais extenso da história do tênis nesse tempo. Quebrou todos os records, de tempo total, de tempo de um set, de games disputados, de aces, de pontos ganhos.
A partida, que valia pela primeira rodada do Grand Slam, começou a ser disputada na terça-feira, com os quatro primeiros sets disputados como um jogo qualquer, com dois deles para cada tenista, mas no quinto set a partida teve de ser interrompida por falta de iluminação natural e foi prorrogado para o dia seguinte. Em torneios desse tipo, não há tie-brake para decidir o vencedor, então se faz necessário que um dos dois jogadores abram dois games de diferença para que a partida se encerre.
Começou o segundo dia, ninguém conseguia sair do empate, era um sacar para abrir um game e o outro de pronto respondia devolvendo o game. Os dois sacavam muito bem. Isner tem um estilo de saque-voleio, já o francês mantém seu jogo na linha de base, portanto um completava o outro. Depois de duas horas desse set, o placar marcava 33-32 para o americano, com dois match points, mas Mahut salvou. Creio que a quadra 18 do All England Club nunca recebeu tanta gente como nesses três dias. Até Federer arranjou um tempo para assistir a partida, que virou o centro das atenções. O juíz decretou outra interrupção quando estava 59-59, novamente pelo mesmo motivo.O terceiro dia começou e não se sabia até quando os dois tenistas aguentariam. Para os amantes do esporte, infelizmente eles jogaram "apenas" mais uma hora e quinze minutos. Isner conseguiu superar o adversário. O placar final 4-6, 6-3, 7-6, 6-7 e 70-68. Foram 183 games disputados, 215 aces, 112 para o vencedor. A organização do torneio, ao final da partida, premiou os dois desportistas, que nem precisam ganhar Wimbledon, seus nomes estão eternizados. São fatos como esse que nos levam a pensar: qual é o limite do ser humano?

Brasil 2 x 1 Coreia do Norte

Publicado  terça-feira, 15 de junho de 2010

Finalmente o Brasil estreou na Copa. Venceu e é líder do grupo G, mas todos que assistiram o jogo não devem ter gostado do que viram. O escola retranqueira de Zagallo, Parreia e, agora, Dunga imperou no estilo de jogo da seleção. Deu sono, muitas vezes me encontrei disperso do jogo, pois não empolgava, principalmente no primeiro tempo, no qual não aconteceu nada.
O time não produziu, não criou, não furou a defesa coreana. Não dá para dizer que foi nervosismo de estreia, porque não errava passes bobos nem desperdiçava chances na cara do gol. Ficava, apenas, tocando a bola de um lado para o outro, sem efetividade ou agressividade. Nesse período, Felipe Melo, contestado por estar no elenco, protagonizou um dos lances mais feios da competição, em que recebeu a bola pela meia direita e chutou para cima. Teria sido gol, se fosse uma jogada de rugby, aproveitando que jogaram no estádio de Ellis Park, palco da decisão histórica de 95 entre África do Sul e Nova Zelândia do campeonato mundial desse esporte. Enfim, foi horrendo. Houve duas chegadas no primeiro tempo, uma que Kaká puxou contra-ataque, tocou para Robinho que chutou colocado e uma ultrapassagem de Maicon, na qual ele recebeu e bateu pela direita.
O mesmo Maicon que, no segundo tempo, recebeu um belo passe de Elano e fez o primeiro gol brasileiro. Ele estava perto da linha de fundo e, por isso, dá a impressão que ele bate forte para que a bola rebatesse ou que alguém tentasse interceptar e acabasse entrando, não pareceu proposital a curva feita e que entrasse direto. Foi um belo gol. Elano, por sua vez, participou de ambos. No segundo, recebeu um passe açucarado de Robinho e tocou de chapa, no canto direito do goleiro. Esse sim, foi bonito pela jogada construída. Mas não poderia acabar tudo tranquilo. Lançamento da intermediaria, o "Rooney asiático" Jong Tae-Se ajeitou de cabeça e Ji Yun-Nan invadiu a área e chutou na saída de Julio Cesar.

Jogadas cruciais:
55' - Elano toca rasteiro em profundidade para Maicon, que chuta reto, mas a bola pega curva e entra.
71' - Em jogada pelo meio, Robinho acha uma vazio e Elano aparece para completar na saída do goleiro.
87' - Lançamento para a esquerda da defesa brasileira, desvio de cabeça e Ji Yun-Nan invade a área e chuta cruzado.

Melhores jogadores:
Brasil: Robinho (7,5) - foi solidário para o time, atacou desde o começo, armou jogadas, voltou para compor o meio campo e deu passe para o segundo gol.
Coreia do Norte: Jong Tae-Se (5,5) - provou ter alguma habilidade no meio desconhecido, deu assistência para o gol.

Costa do Marfim 0 x 0 Portugal

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Outro jogo para ser esquecido da Copa. Aliás, está difícil de assistir e lembrar de quase todos os jogos neste torneio. Não adianta nada as seleções terem astros como C. Ronaldo e Drogba. Com esse resultado, quem perder de menos do Brasil e vencer de mais a Coreia do Norte se classifica.
Dessa forma, começou o temido "Grupo da Morte", com os marfinenses preocupados em defender e os portugueses pouco inspirados. O melhor lance do jogo foi um chute de C. Ronaldo, que depois de fintar o marcador, chutou a 30m de distância e a bola acertou a trave a 97km/h. Foi um dos poucos momentos em que deram liberdade para que o jogador do Real Madrid pudesse criar e levar perigo à meta adversária. Chamou a atenção a força física dos africanos, ou a falta de camisa deles, já que usavam um modelo junto ao corpo e a diferença de tamanho para com os portugueses era ainda mais acentudada. Assim pode ser resumido a primeira metade do jogo.
No segundo tempo, os jogadores da Costa do Marfim se soltaram mais e tiveram alguns bons ataques, logo de início, principalmente com Gervinho. Quem esperava ver Liedson, Deco ou outro português, viu Tiote, Dindane e Kalou. Os papeis se inverteram, poucas oportunidades europeias e muitas mais do lado oposto. Drogba entrou no meio da fase complementar, ainda com o braço em condições debilitárias, conseguiu produzir uma jogada, na qual foi atrapalhado pela marcação e finalizou para o lado do campo.
Jogadas cruciais:
10' - C. Ronaldo finta seu marcador, ajeitando a bola para seu pé direito e chuta com força, a bola vai saindo do alcance do goleiro e atinge a trave direita.
47' - Gervinho recebe na área pelo lado esquerdo, finta duas vezes seu marcador, chuta cruzado e o goleiro Eduardo espalma para linha de fundo.
Melhores jogadores:
Portugal: C. Ronaldo (6,0) - se deslocou para os dois lados, foi alvo de pancadas e acertou uma bola na trave.
Costa do Marfim: Gervinho (6,5) - gerou pelo menos três jogadas que preocupou quem estava do outro lado.

Nova Zelândia 1 x 1 Eslováquia

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Os 'All White" conseguiram um feito inédito, ao empatar com a Eslováquia. A Eslováquia conseguiu um feito inédito, ao empatar com a Nova Zelândia. Ambos conquistaram seu primeiro ponto na história das Copas. Isso porque os dois times são muito ruins. Retiro o que disse sobre a Itália, que ela teria dificuldades de se classificar.
Ambas seleções mostraram porque não havia nenhuma badalação em torno delas, a começar pelo público, o menor da rodada, com pouco mais de 23 mil torcedores apenas. No primeiro tempo, os neo-zelandeses mostraram porque seu esporte é o rugby. Não atacaram. Os eslovacos se aproveitaram disso e dominaram as ações. Tiveram algumas boas oportunidades, mas sem relevância. Mesmo assim, o goleiro adversário, Paston, queria dar mais emoção ao jogo, suas lambanças mostravam sua pouca qualidade.
Com a volta do intervalo, o juíz sulafricano também entrou no clima das trapalhadas e validou o gol da Eslováquia, cujo jogador que recebeu a bola estava em impedimento. A jogada partiu de um cruzamento pela direita, de Sestak, e encontrou a cabeça de Vittek. A partida continuou com a mesma tônica, com os europeus atacando o selecionado oceânico. Contudo, veio o castigo, no último minuto de jogo. Smeltz cruzou e o zagueiro Reid cabeceou de forma indefensável para o goleiro. Foi o primeiro gol da Nova Zelândia em Mundias.
Foi um embate divertido, no qual deixou o grupo F com os quatro times exatamente iguais em pontuação e critérios de desempate.
Jogadas cruciais:
49' - Sestak centra a bola pela direita e Vittek aparece no meio, impedido, para cabeceá-la no pé da trave e entrar.
90' + 2' - Smeltz cruza pela esquerda e Reid sobe, sozinho, para igualar o placar, outra vez de modo inalcançável.
Melhores jogadores:
Nova Zelândia: Smeltz (5,5) - chutou uma bola com relativo perigo e deu o passe para gol.
Eslováquia: Weiss (5,0) - foi responsável pela criação e alguns chutes a gol.

Itália 1 x 1 Paraguai

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Os atuais campeões mundiais sofreram e escaparam da derrota no segundo tempo. A envelhecia Itália deve sofrer para classificar, se continuar jogando essa bolinha. Paraguai, pelo contrário, tem boas chances de ficar em primeiro do grupo F.
Depois de alguns jogos muito ruins, finalmente um bem movimentado, mais animado. A Itália começou pressionando, com mais idas ao ataque, não deixou de surpreender com três atacantes. Fato raro nessa escola que prima pela defesa. O Paraguai apenas se defendia, sua primeira investida foi no meio do primeiro tempo. Mesmo assim, foram os sulamericanos que abriram o placar. Aos 38 minutos, Torres cobrou falta e Alcaraz subiu mais que os zagueiros para cabecear para o gol.
Ao voltar do intervalo, os italianos perderam um de seus maiores ícones, o goleiro Buffon. Na segunda etapa, foram os paraguaios que quase ampliaram em um lance confuso, no qual a bola sobrou para Cáceres que chutou rente à trave. Contudo, a Scuadra Azurra voltou a atacar com veemência e foram recompensados. Na cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, o goleiro falhou e De Rossi empurrou para as redes. Depois disso, só deu Itália, com diversas oportunidades, algumas semelhantes ao gol. Mas acabou sem alterações no resultado.

Jogadas crucias:
38' - Torres cobra falta, pela meia-direita, para o centro da área e Alcaraz se posicionou melhor que Cannavaro e cabeceou no canto do goleiro.
62' - Pepe cobra escanteio fechado, pela esquerda, o goleiro sai para socar a bola, não acha e se enrola, De Rossi, posicionado na segunda trave, apenas completa.

Melhores jogadores:
Itália: Pepe (6,5) - homem das bolas paradas, sempre propiciou perigo ao centrar cruzamentos na área.
Paraguai: Alcaraz (6,5) - fez o gol e livrou a defesa no jogo aéreo, além de ser eleito pela FIFA o melhor em campo.