Nota triste do dia

Publicado  segunda-feira, 29 de março de 2010

Hoje, todo o mundo do jornalismo foi surpreendido com a triste notícia do falecimento de Armando Nogueira, grande ícone da profissão, referência na história futebolística. Armando tinha 83 anos, lutava contra um câncer no cérebro há três anos. Morreu em sua casa no Rio de Janeiro, na madrugada de segunda-feira, e seu corpo está sendo velado no estádio do Maracanã, honra que apenas Garrincha teve.
Ele era de uma antiga geração do jornalismo, foi editor-chefe de jornais e revistas importantes de época, criador do "Jornal Nacional", foi responsável pela Central de Jornalismo da Globo por mais de duas décadas, coordenou o segmento esportivo, inclusive teve um programa próprio no canal SporTV, entre tantos outros destaques nas mídias. Foi vítima da ditadura no país, mas também dirigiu episódios de censura do comício das "Diretas Já!".
Independentemente dos bons e maus atos, tinha uma qualidade de texto incomparável, era amante dos esportes (por isso a nota), botafoguense assumido, fez cobertura de Copa do Mundo desde 1954 e de Olimpíadas desde 1980. Respeitado, escrevia de modo mais requintado, com sábias palavras, dava mais vida a um momento em que o esporte não tinha imagens transmitidas, escritor de crônicas que proporcionavam magia a quem lia. Viveu a época áurea do esporte puro, que o dinheiro não mandava, mas sim o amor à prática esportiva.
Quando somos criança, aprendemos que temos que respeitar os mais velhos. Como "criança" na profissão, faço uma menção honrosa a quem é considerado um mestre, com o desejo de alcançar o prestígio e o status obtido por Armando Nogueira.

Alemanha campeã mundial

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Neste domingo, foi possível presenciar a final do novo fenômeno esportivo no Brasil. Foi transmitida a decisão do campeonato mundial feminino de Curling. A equipe da Alemanha venceu o belo time escocês por 8 a 6, no end extra. A partida foi disputada no Canadá, mas não no mesmo local onde foram realizadas as partidas dos Jogos Olímpicos.

O encontro foi bem equilibrado com pontuação em quase todos os dez ends regulares. Houve diversas trocas de liderança no placar e, consequentemente, de martelo (vantagem de jogar a última pedra de cada end). O ponto crucial foi no oitavo end, no qual o time da capitã Andrea Schoepp quebrou a vantagem da Escócia, obrigando a zerar o end seguinte e forçar a prorrogação, marcando apenas um tento para empatar na parte final. Na prorrogação, Eve e suas companheiras não conseguiram montar guardas suficientes para evitar os ataques alemães. Na última pedra lançada pela capitã germânica, obteve um take-out e posicionou duas pedras, garantindo um campeonato que não vinha a 22 anos.
Confesso que torcia pelo combinado escocês, principalmente, pela capitã Eve Muirhead de 19 anos. Torci pela beleza e juventude, contra a experiência alemã. Infelizmente, não tive sucesso na minha opção.
As anfitriãs, que não são o mesmo time que ganhou a prata nas Olimpíadas de Inverno em Vancouver, venceu o confronto pelo terceiro lugar por 9 a 6 contra a Suécia.
Obs: a foto é do time escocês e a capitã Eve é a segunda da esquerda para direita. Pela primeira vez coloco a foto de quem perdeu, mas valia a pena.

Mais um clássico com 7 gols

Publicado  domingo, 28 de março de 2010

Depois de Santos e Palmeiras, hoje o último clássico da primeira fase entre Corinthians e São Paulo teve novamente o placar de 4 a 3, desta vez para o time da casa. Dentre um campeonato com 19 rodadas, os jogos que dão mais emoção e que tem mais graça são esses jogos de rivalidade histórica.

Como na semana passada, foi um jogo com muitas alternâncias. O Corinthians começou pressionando, meteu duas bolas na trave no mesmo lance. Em seguida abriu 2 a 0 com belos gols de chute de meia distância de Elias e Danilo, ex-São Paulo.
Aí os nervos se acirraram e Washington e Dentinho foram expulsos. Ainda no primeiro tempo, Dagoberto fez boa jogada pela esqueda e Jean completou, aumentando a temperatura do jogo.
Na volta para a segunda etapa, Roberto Carlos mostrou que já se sente bem de volta ao futebol brasileiro e "chutou" um balde de água fria na reação são-paulina. Numa falta de longa distância, Rogério Ceni falhou e a bola foi para o fundo das malhas.
O jogo tendia para se resolver com esse placar, mas Hernanes, antes de ser substituído, bateu uma falta forte e rasteira, o goleiro corinthiano não segurou e Rodrigo Souto marcou seu primeiro gol para o São Paulo. Como numa repetição do local da falta, Cicinho teve oportunidade do arremate, preferiu o cruzamento que encontrou novamente Rodrigo Souto. O arqueiro falhou mais uma vez e o jogo ficou empatado, faltando poucos minutos.
Quis o destino que o tabu, do Tricolor do Morumbi não ganhar da equipe do Pacaembú desde 2007, se mantivesse. Iarley, que havia entrado no lugar de Ronaldo, fez boa jogada individual, tentou cruzar e Alex Silva desviou contra o próprio patromônio.
Mais um clássico para ficar na memória dos amantes do futebol. O São Paulo ainda permanece na zona de classificação e depende de si para continuar na competição. O Corinthians saiu do princípio de crise que se formava com a torcida e aproximou do G4. Ainda mantém viva a possibilidade de ir às semi-finais.

Análise do GP da Austrália

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Foi uma corrida muito boa, pelos aspectos da emoção, agitação e ultrapassagens. Muito se deve por causa da chuva, é verdade, mas normalmente o traçado de rua de Melbourne possibilita essas alternâncias.
Foi a primeira vitória de Jenson Button na McLaren, sua nova equipe.
Kubica chegou em segundo, contando com a sorte, já que sua Renault não é considerada do primeiro escalão de escuderias dessa temporada.
Felipe Massa nunca teve um começo de ano tão bom, mesmo não vencendo. É o segundo colocado do campeonato e diminuiu a diferença para Alonso. Nunca tinha chegado numa colocação melhor que sétimo em Albert Park.
Alonso conseguiu se recuperar depois de ter sido tocado, mantendo a liderança no mundial.
Os quatro foram premiados por terem trocado de pneu apenas uma vez.
Hamilton foi o grande nome da corrida, sempre veloz e ousado. Não teve sorte com Webber, que tirou-lhe a possibilidade de lutar por uma melhor colocação.
Barrichello levou a Williams ao oitavo lugar, o que é muito para as limitações do carro. Bom trabalho.
Schumacher ainda sente falta de ritmo de prova, ficou muito tempo atrás de Alguersuari, mesmo tendo um carro melhor.
Vettel tem o carro mais veloz e mais acertado de todos, porém é o menos confiável. Em duas provas que tinha tudo para vencer e estar isolado na ponta, conseguiu apenas um quarto e um abandono. Bem pouco, contudo pode melhorar.
As três equipes estreantes (Lotus, Virgin e Hispania) continuam fazendo seus testes em plena corrida, andando de três a cinco segundo por volta mais lento que as demais escuderias e fornecendo riscos desnecessários à categoria. Riscos assumidos pela FIA ao abrir novas vagas e que poderiam ser amenizados com a possibilidade de treinos separados dessas equipe antes do campeonato começar e no intervalo dos GPs.
Bruno Senna não conseguiu mais que seis voltas para tentar desenvolver o carro. Seu companheiro de equipe, o indiano Karun Chandhok chegou até o final, pela primeira vez.
Lucas di Grassi chegou a dar um "X" em Schumacher, no começo da prova, quando o alemão tentava se desgarrar do grupo de trás. Andou menos da metade das voltas e abandonou, como seu companheiro Timo Glock.
O campeonato está com Alonso com 37 pontos, Massa com 33 e Button com 31. A Ferrari lidera os construtores com 70 pontos. Próxima corrida é domingo que vem na Malásia, com forte calor, pista rápida com pontos de ultrapassagem e possibilidade de chuva novamente (oxalá!).

Button vence corrida agitada

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Depois do marasmo do GP do Bahrein, a previsão de mais uma corrida na Fórmula 1 sem emoção não foi concretizada por causa de um fator: chuva. Graças à ela, que veio dez minutos antes do início, pôde-se ter um grande prêmio da Austália com bastante alternativas e ultrapassagens.

Todos resolveram sair com pneus intermediários, já que a chuva não estava forte, mas tinha sido suficiente para umidecer a pista.
A largada foi muito boa para Felipe Massa, que havia tido problemas na qualificação, pulando de quinto para segundo, antes da primeira curva, superando Webber, Button e Alonso. Estes dois últimos se tocaram, com Alonso ficando ao contrário na pista e com Schumacher com a asa dianteira danificada. Kubica, que saiu em nono, aproveitou e assumiu a quarta posição. Um pouco mais para frente, ainda na primeira volta, um acidente espetacular envolvendo Buemi, Kobayashi e Hulkenberg e obrigou o Safety car a entrar na pista. A chuva parou. Schumacher teve que ir para os boxes e não conseguiu se recuperar no decorrer da prova.
Pouco tempo depois da relargada, Webber retomou a segunda posição de Massa. Button, que estava em sétimo, decidiu arriscar e trocou logo os pneus para o composto macio. Pareceu uma decisão errada no primeiro momento, já que voltou escorregando na pista e indo para a grama, mas controlou bem sua McLaren. Contudo essa parada foi crucial já que o traçado havia secado e ele conseguiu fazer várias voltas mais rápidas que todos os outros pilotos. Resultado: todos tiveram que ir para os boxes para tirar o prejuízo, trocando também seus pneus.
Kubica e Rosberg ganharam a posição de Massa nessa parada, mais uma vez a Ferrari se enrolou. Button já estava em segundo, atrás do alemão da RBR, Sebatian Vettel. Webber saiu patinando no retorno à pista e caiu para sexto. Hamilton vinha logo atrás e era o nome da corrida. Ambos protagonizaram uma ultrapassagem sensacional para cima de Felipe, que não durou muito, já que na curva seguinte, dividiram a freada, se tocaram e o brasileiro recuperou seu posto.
Quando a corrida se encaminhava para chatice de cada um sustentar sua posição Vettel perdeu a tangência da curva, saiu de frente e parou na brita. Fim de prova para o alemão que tinha novamente a corrida nas mãos e deixou escapar.
Hamilton, Webber e Rosberg foram para os boxes novamente. Voltaram ainda mais rápidos com pneus novos, todavia tinham que descontar tempo para os primeiros: Button, Kubica, Massa e Alonso, que veio numa corrida de recuperação, escalando o pelotão.
Nas últimas voltas formou um "trem" puxado por Kubica, com Massa, Alonso, Hamilton, Webber e Rosberg, um pressionando o outro. Até que, faltando duas voltas, o piloto da casa Mark Webber tocou no inglês Hamilton, quase tirando os dois da prova. Hamilton conseguiu voltar atrás de Rosberg, Webber teve que ir para os boxes trocar o bico e cair para nono.
Button venceu, com Kubica em segundo e Massa completando o pódio. Alonso, Rosberg, Hamilton, Liuzzi, Barrichello, que fez uma corrida discreta, Webber e Schumacher são os outros pilotos que pontuaram.
Bruno Senna e Lucas di Grassi não completaram a prova mais uma vez.


P.S.: Nada como um assunto tão bom quanto a F-1 para contemplar a minha centésima postagem deste blog.